sábado, 30 de janeiro de 2010

Oscar 1942 - Como Era Verde Meu Vale ou Cidadão Kane? Parte 2


Dos autores do blog, acho que fui o que assistiu a menos filmes. Consegui assistir a apenas 2 filmes da lista, pelo menos foram os dois principais: “Cidadão Kane” e “Como Era Verde o Meu Vale”. Foi difícil escolher o que mais gostei, pois os dois foram de meu agrado.

Demorei um pouco para assistir a Cidadão Kane, pois uma pessoa a quem dou muito crédito, me disse que este era um filme com ritmo lento aconselhado para noites insones. Ao assistir ao filme, felizmente tive de discordar de tais palavras. O filme de Welles me agradou em especial pela narração não linear e a forma como tudo acabava se encaixando. Algumas atuações também me impressionaram bastante.

Mesmo sendo um bom filme, seu concorrente: “Como Era Verde o Meu Vale”, a meu ver, consegue se sobressair. É uma história até certo ponto “comum”, mas contada de forma magnífica, baseando-se nas memórias do pequeno Huw Morgan. Porém, o garoto não é o único foco do filme; vemos no filme os costumes que havia no vale e em especial as histórias da família Morgan. Meus olhos se encheram de prazer ao ver a grande atuação da Maureen O’Hara em seu romance com o Sr. Gruffydd.

Entendo as dificuldades que estavam tendo naquela época e admiro o Orson Welles por ter conseguido fazer um filme da qualidade de “Cidadão Kane”, mas minha escolha fica com “Como Era Verde o Meu Vale”. Pelos comentários dos colegas do blog, tenho certeza que os outros filmes indicados me trariam mais algumas gratas surpresas, mas espero que nos próximos meses possa assistir um maior número de filmes. E como disse o Marcelo: Que venha 99!

Por: Levi Ventura

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Não resta dúvidas de que a cerimônia de 1942 apresentou memoráveis indicados e fez história ao criar uma polêmica marcante e eu vou ater minha opinião exatamente nesse ponto. Hoje, Cidadão Kane é um filme cultuado, tratado com imenso respeito, porque revolucionou a história do cinema ao apresentar uma cinebiografia fora dos padrões até aquele momento. A sua não-linearidade provoca no espectador um impacto muito positivo: primeiro o espectador conhece "quem é" Charles Foster Kane para depois descobrir "como ele se tornou" o grande magnata que é. Como o Marcelo disse em sua opinião, "toda a inovação que se atribue ao longa de Welles só pôde ser notada anos depois"

Como Era Verde o Meu Vale é um filme com tom emocional mais propício para aproximar o espectador da história e não possui o tom jornalístico usado em Cidadão Kane. Dessa maneira, é inegável que quem veja se identifique mais com o filme de John Ford. A direção concebe um "efeito família", de modo que se torne mais fácil vê-lo, principalmente pelo fato de que há toques emotivos - menos ousado - e valores morais bastante respeitados na época e que, embora não estejam em voga, ainda existem hoje, como apego à família, respeito ao casamento, etc.

Então, considerando as características de cada filme e analisando o efeito que causaram em mim, acredito que Como Era Verde o Meu Vale realmente mereceu o prêmio. A consagração de Cidadão Kane veio muito depois, com análises mais frias e mais conceituais, mas à época - e talvez ainda hoje - Como Era Verde Meu Vale fez por merecer o prêmio que recebeu, se colocando à frente de todos os outros filmes que concorreram com ele.

Por: Luís Adriano

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Oscar 1942 - Como Era Verde Meu Vale ou Cidadão Kane? Parte 1


O que se passa na cabeça dos membros da Academia? Não dá para saber. O fato é que o Oscar, às vezes, é um prêmio estranho – que nem sempre para nas mãos daqueles que realmente merecem. Um exemplo clássico disso é Rocky, Um Lutador que, na premiação de 77, desbancou filmes como Taxi Driver, Rede de Intrigas e Todos Os Homens do Presidente. Mas o que isso tem a ver com o Oscar de 42? Tudo. Quando escolhemos a 14ª Edição dos Prêmios da Academia, nossa principal motivação foi o fato de Cidadão Kane ter disputado, nesse ano, a estatueta de melhor filme e perder para “Como Era Verde O Meu Vale”. Em 1998, o American Film Institute elegeu o primoroso trabalho de Welles como o maior filme de todos os tempos. Há controvérsias. Uns defendem o título com unhas e dentes, culpam uma suposta pressão da imprensa para que ele não fosse premiado com o Oscar; outros pensam que há filmes tão bons quanto e até melhores.

1942 foi um ano difícil, essa que é a verdade. De todos as dez produções indicadas à categoria de Melhor Filme, apenas não assisti à Suspeita, A Porta de Ouro, Que Espere o Céu e Com o Pé no Céu. Todos os outros seis se revelaram, para mim, grandes surpresas. Poderia destacar Pérfida, uma pequena obra-prima de Willian Wyler, talvez subestimada por muitos, ou Sargento York, com o carisma inconfundível de Gary Cooper, mas pretendo não fugir da principal questão: Como Era Verde o Meu Vale ou Cidadão Kane? Fico com Como Era Verde Meu Vale e acho que, naquele momento, ele foi o filme que realmente mereceu ser premiado. Para mim, toda a inovação que se atribue ao longa de Welles só pôde ser notada anos depois. É assim que acontece com aqueles que ousam. Num primeiro momento são incompreendidos e anos mais tarde, aclamados. Também acho que a situação que o país atravessava, com a Segunda Guerra no auge, contribuiu para a premiação de How Green Was My Valley. Jonh Ford contou uma história bonita, recheada de valores como famíla e amizade. Resumindo: um filme tocante, muito mais interessante de ser premiado naquele momento.

E é isso aí. Eu fecho com ele e não abro. Tecnicamente, o filme de Welles está mesmo à anos- luz da produção de Ford. Como Era Verde O Meu Vale soa, às vezes, um tanto quanto datado, maniqueísta e cheio de clichês. Mas a mim, me tocou profundamente. Com certeza, as memórias de Huw Morgan e do seu vale, estão entre os quinze, talvez, dez mais da minha vida. Pois é. Outras discussões do gênero virão. Moulin Rouge ou Uma Mente Brilhante? Judy Holliday ou Gloria Swanson? Frank Capra ou Willian Wyler? A galera do Um Oscar do Mês está aqui para o que der e vier. E que venha 99!

Por: Marcelo Antunes

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Nem bem começamos essa maratona Oscar e já aprendemos tanta coisa sobre o mundo do cinema. E logo de cara, já conheci filmes incríveis... Infelizmente não consegui assistir a todos os indicados nessa edição do Oscar, pois alguns não foram possível encontrar; mas dos que assisti, cada um conseguiu a sua maneira, ganhar minha admiração. E aí que tudo complica, porque, como escolher o melhor? Todos tem seu mérito por estar entre os indicados. Seja ele uma super produção - para época - como "How Green Was My Valley" ou até mesmo um filme do gênero noir como "Relíquia Macabra" - Aliás, primeiro noir que vejo.

Para mim, Pérfida foi a grande surpresa entre os filmes indicados. Achei que, comparado aos outros, ele é um filme simples, mas apresenta uma parte técnica impecável. A cena da escada - já comentada por aqui antes - vai ficar na minha memória para sempre... Aliás, só ao assistir Pérfida já virei um admirador do trabalho de Willian Wyler, Bette Davis e Teresa Wright. Outro ator que também chamou muito minha atenção foi Gary Cooper, que está excelente em Sargento York, e com certeza mereceu levar o prêmio de Melhor Ator. Este filme também merece atenção, pois o roteiro é muito bom. Enquanto assistia, pensei "Como vão colocar a guerra nessa história?" Isso porque em filmes do gênero, muitas vezes, a história já começa com o personagem no campo de batalha e no caso Sargento York, ela só entra no roteiro quase no final do filme. Mas isso não estraga em nada o desempenho de Sargento York!

Agora vamos a pergunta principal nesse Oscar: Como Era verde Meu Vale ou Cidadão Kane? Como Era verde Meu Vale me conquistou por sua história e Cidadão Kane por sua narrativa. Como avaliar qual desses clássicos é o melhor filme? Particularmente, entre os dois, eu fico como o filme de John Ford. Mas isso não quer dizer que Cidadão Kane não tenha-me agradado, muito pelo contrário, eu gostei bastante. O que acontece é que ele é um filme de um personagem só, tanto que, Charles Kane é o único que ficou na minha memória. Já em "Como Era Verde Meu Vale" a coisa é diferente, pois não conta apenas a história do garoto Huw Morgan, mas sim de toda sua família. Até podemos dizer que este filme é um drama familiar, e nesse caso, acaba ganhando muitos pontos comigo, pois esse é um gênero que admiro muito.

Cidadão Kane tem uma narrativa não linear, gosto muito dessa técnica. Porém, tenho mais satisfação ao conferir um drama familiar que um drama pessoal! Isso sem contar a narração em off e a fotografia assinada por Arthur C. Miller, que é uma das mais bonitas que já vi...

Por: Thiago Paulo
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