Mostrando postagens com marcador 73ª edição. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 73ª edição. Mostrar todas as postagens

sábado, 24 de março de 2012

A Cela (2000)


"A Cela” (2000), dirigido pelo diretor indiano Tarsem Singh e roteirizado por Mark Protosevich, aborda a história de um assassino psicopata que trancafia suas vítimas num lugar isolado, o qual ele denomina a cela, dando título ao filme. O FBI procura esse criminoso e, quando por fim o captura, leva-o ao coma, ficando impossibilitado de dizer onde é o seu esconderijo, impedindo a polícia de salvar uma vítima que foi recentemente presa por ele. É aí que começa efetivamente a trama sombria do filme: uma terapeuta seguindo um novo método experimental de “invasão” de sonhos é contratada para conhecer a mente do assassino e, através das suas memórias e pensamentos, encontrar a localização da garota seqüestrada.

É interessante observar duas coisas nesse filme: primeiro, é a dicotomia entre o real e o onírico muito bem representada ora pela sobriedade das cores, ora pelo exagero delas – o mundo real é bastante opaco, revestido por uma coloração parda; já o mente do assassino é brilhosa e colorida, de características naturalmente não-correspondentes à realidade. Também, não se pode negar a habilidade de Singh, o diretor, em saber muito bem como usar as personagens obscuras da trama – aquelas figuras sem rosto, retorcidas, deformadas – que acrescentam tensão à trama e que causam um efeito similar àquele conquistado por Christophe Guns ao digirir “Silent Hill” (2006), ou seja, fazem com que o espectador se aproxime bastante da personagem protagonista, já que as reações dela são semelhantes às nossas ante os monstros com os quais se depara.

Os cenários transitam facilmente entre seu caráter realista e seu caráter fantasioso e a história tem potencial. Talvez o defeito do filme seja alguns problemas com os atores, já que nenhum deles – mesmo sendo seus personagens já bastantes impactantes – consegue realmente impressionar. Jennifer Lopez, em muitos momentos, impede um aprofundamento melhor de sua personagem, obrigado-a, às vezes, a ficar na superficialidade. Ademais, excesso de mudanças tornam o filme repetitivo, como se nem num mundo nem no outro as situações se resolvessem por inteiras. Mas a trama consegue manter o espectador interessado no que acontece e inclusive tem uma sequência que eu acho genial – Dra. Catherine Deane caminha por um corredor de mostruários e, então, um dos “monstros” em exibição ganha vida e começa a segui-la. Ainda que eu ache o figurino e a fotografia muito bons, a Academia apenou o nomeou para Melhor Maquiagem, que é, aliás, muito boa!

INDICAÇÃO:
- Melhor Maquiagem: Michele Burke e Edouard F. Henriques

por Luís Adriano de Lima

sexta-feira, 23 de março de 2012

O Sexto Sentido (1999)



De terror ele não tem nada. “O Sexto Sentido” (1999) é um convite à autorreflexão. A virada do século e a solidificação de determinados princípios da pós-modernidade fizeram o ser humano voltar seus olhos a sua própria existência. Nesse sentido, a sociedade ignora o peculiaríssimo fato irreal (no sentido de "criado gratuitamente pelo homem e que causa problema") dos traumas psicológicos. O sistema que tão bem nos acolhe nos tolhe a cada dia, e nem sempre é possível segurar a barra. Cole (Haley Joel Osment), de nove anos, diz ver gente morta, tendo, portanto, seis sentidos. Malcolm (Bruce Willis) é o médico responsável pela criança. A questão crucial da trama é que o doutor está já morto, devido a um tiro desferido por um paciente posteriormente suicida que também via pessoas mortas.

À medida que os dois se aproximam, Cole vai conseguindo lidar melhor com sua psiquê. Percebe que as pessoas que vê não querem prejudicá-lo. Revela-se, aí, a triste história da garota lentamente intoxicada pela mãe até a morte. Por fim, a troca: com o casamento a ponto de explodir, Malcolm recebe de Cole o conselho de que conversasse com a esposa enquanto ela dormia!

Tratar de um tema tão delicado não foi bem visto aos olhos da Academia, que não concedeu nenhuma estatueta pelas seis indicações do filme, incluindo Melhor Filme. Além disso, foram duas indicações de atuação: a Haley Joel Osment e a Toni Collette (que representou Lynn, mãe de Cole), ambos como coadjuvantes. Apesar da minha pessoal opinião de que o filme nada tem de terror, “O Sexto Sentido” ganhou, em 2000, um prêmio de Melhor Filme de Horror. Ora, quem concedeu o prêmio foi a Academia de Filmes de Sci-Fi, Fantasia e Horror!


INDICAÇÕES:
1. Melhor Filme: Frank Marshall, Kathleen Kennedy e Barry Mendel
2. Melhor Diretor: M. Night Shyamalan
3. Melhor Ator Coadjuvante: Haley Osment
4. Melhor Atriz Coadjuvante: Toni Collette
5. Melhor Edição: Andrew Mondshein
6. Melhor Roteiro Original: M. Night Shyamalan


HALEY JOEL OSMENT
Nasceu em 1988 em Los Angeles, na Califórnia. Estreou no cinema num filme premiadíssimo: Forrest Gump, o contador de histórias (1994), que venceu em 6 das 13 categorias que disputou na Academia, incluindo a vitória de Melhor Ator para Tom Hanks e de Melhor Filme. O auge da carreira se deu em 2000 com a indicação para Melhor Ator Coadjuvante tanto no Oscar quanto no Globo de Ouro. 2000 e 2001 celebraram o sucesso do adolescente, e surgiram, nessa época, dois filmes famosos com sua imagem: o dramático A corrente do bem (2000) e A. I. (2001), um belo retrato de um ser tecnologicamente avançado desejoso de ser simplesmente humano. Com o passar dos anos, a imagem de Osment foi perdendo espaço no cenário cinematográfico. Sua última indicação a um prêmio internacional foi oito anos atrás pelos filmes Mogli 2 (2002) e Lições para toda vida (2003). Ao lado de Macaulay Culkin, é tido como um dos maiores nomes infantis do cinema do fim do século XX.

por Darlan Nascimento

diHITT - Notícias