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sábado, 7 de abril de 2012

Oscar 2002 - Melhor Ator / Melhor Atriz



Como já foi citado no texto de abertura do mês, essa edição do Oscar foi de certa forma marcada como um noite do orgulho negro. Um dos motivos são os vencedores das categorias Melhor Atriz (a ser analisada abaixo pelo Luís) e Melhor Ator, que teve como vencedor o ator Denzel Washington por sua atuação no filme “Dia de Treinamento”.

Mas tem que se dizer que a concorrência estava pesada para o Denzel. Foram também indicados na categoria o ator Sean Penn por “Uma Lição de Amor”, Tom Wilkinson por “Entre Quatro Paredes”, Russell Crowe por “Uma Mente Brilhante” e Will Smith por “Ali”. Dentre os indicados, Denzel Washington era veterano já com quatro indicações anterior e uma vitória por “Tempo de Glória” (1989) – a quinta indicação de Washington o torna o ator negro mais indicado ao Oscar. E Russel Crowe também fez algo marcante: conquistou sua terceira indicação consecutiva (foi indicado em 2000 pelo filme “O Informante”; venceu em 2001 por sua interpretação em “Gladiador”).

O Luís comentou no post de abertura: “Sem conhecer todos os filmes indicados e vencedores em 2002, já trago comigo a sensação de que a Academia tentou prestar um tributo aos negros, que foram por muitos anos deixados de lado...” Essa ideia pode ser realmente válida sendo que no caso da categoria de melhor ator a academia não premiava um ator negro desde 1964, quando Sidney Poitier venceu na mesma categoria por “Uma Voz nas Sombras”.

Pode-se enxergar a lista de indicados como uma lista bem equilibrada, nomes de pesos em trabalhos marcantes. Aliás, lista de indicados equilibrada como a maioria das categorias dessa edição. A questão que deixo é: Denzel Washington mereceu mesmo, mais que os outros indicados, levar o prêmio, ou foi apenas uma oportunidade que a academia aproveitou pra prestar esse “tributo”?

por Levi Ventura


Não se pode começar a falar sobre a septuagésima quarta cerimônia do Oscar sem nos esquecermos de um nome fundamental: Halle Berry. Não apenas porque ela venceu na categoria Melhor Atriz, mas porque ela se tornou a primeira atriz negra a vencer nessa categoria. Se sua vitória foi justa ou não, pouco importou à platéia, que ficou extasiada e a aplaudiu em pé por longos minutos – sua vitória, a tempo, rendeu um dos melhores discursos do Oscar, homenageando atrizes negras que tiveram a mesma chance que ela e outras tantas jamais nominadas.

Até o momento, trata-se da primeira e única indicação a Halle Berry, que anos depois receberia o inverso do Oscar – o Razzie Award por sua interpretação no longa-metragem “Mulher-Gato” (2005). A acompanhá-la como “iniciantes” em indicações ao Oscar, estavam Nicole Kidman e Renée Zellweger, que seriam ainda indicadas outras duas vezes, sendo uma delas já no ano seguinte e na mesma categoria, concorrendo mais uma vez. A atriz australiana conquistou a única indicação em categoria de atuação do filme “Moulin Rouge – Amor em Vermelho”, no qual interpreta uma cortesã que deveria se entregar a um duque muito rico, mas que acaba envolvida com um escritor de teatro, gerando confusões desastrosas. Já a atriz texana Renée Zellweger conquistou sua indicação por uma personagem que dificilmente cairia nas graças da Academia: a gordinha desajeitada Bridget Jones, no filme “O Diário de Bridget Jones”, pelo qual Zellweger teve que engordar 14 quilos.

Já as outras duas atrizes que completavam a categoria já eram veteranas em indicações: Judi Dench, aos 67 anos, recebia sua quarta indicação num período de cinco anos, e Sissy Spacek, aos 53 anos, recebeu sua sexta indicação e todos esperavam que sua indicação implicasse um verdadeiro come-back da atriz, que estava meio esquecida. Respectivamente, receberam suas indicações pelas personagens Iris Murdoch, na obra “Iris, e Ruth Fowler, em “Entre Quatro Paredes”

Notadamente são personagens bastantes distintas em filmes igualmente distintos, seja no gênero ou na abordagem: Sissy Spacek num drama ontológico, Halle Berry num drama social, Nicole Kidman numa tragicomédia musical, Renée Zellweger numa comédia romântica e, por fim, Judi Dench numa biografia que marcou outra curiosidade interessante quanto às indicações: trata-se apenas da segunda – e até então última vez – na qual duas atrizes (Judi Dech e Kate Winslet) receberam indicações por interpretarem a mesma personagem (Irisi Murdoch) no mesmo filme. Havendo diversidade de interpretações, creio que houve dificuldade para os votantes em escolher aquela que eles queriam vencedora da noite – e Halle Berry levou a melhor.
 

por Luís Adriano

Denzel Washigton e Halle Berry marcam a primeira vez em que ambos os intérpretes na categoria de Melhor Ator e Melhor Atriz são negros. Um belíssimo discurso de Berry marca a primeira vitória de uma atriz negra na cateogira e, na mesma noite, Washington  se torna o ator negro com mais nominações no Oscar. 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Oscar 1952 - Melhor Ator / Melhor Atriz

Humphrey Bogart vencendo o prêmio por "Uma Aventura na África".


A cerimônia de 1952 foi marcada por grandes nomes nas categorias de atuação e os filmes indicados a Melhor Filme praticamente se estenderam a todas as categorias de atuação. A categoria de Best Actor in a Leading Role foi disputada por atores de diferentes filmes e o grande vitorioso da noite foi Humphrey Bogart, o que era de certo modo esperado, mas que, nem por isso, deixou de causar surpresas e expressões de espanto.

Dos indicados, apenas Marlon Brando era estreante, fosse na categoria de Melhor Ator ou em indicações ao Oscar. Sua interpretação como Stanley Kowalski na intensa obra “Uma Rua Chamada Pecado” atraiu olhares para ele e fez com que a Academia o indicasse pela sua performance bastante pungente. A experiência nos palcos, onde o ator já havia interpretado o mesmo personagem, decerto lhe auxiliou a torná-lo mais atrativo e mais maduro. Assim, o ator novato conquistou a sua primeira indicação (curiosamente, a primeira de quatro indicações consecutivas e de oito indicações no total). Arthur Kennedy, Humphrey Bogart e Montgomery Clift estavam todos em sua segunda indicação, respectivamente pelos filmes Bright Victory (aparentemente nunca lançado oficialmente no Brasil), “Uma Aventura na África” e “Um Lugar ao Sol”.

Arthur Kennedy dá vida a Larry Nevins, um sargento norte-americano que fica cego devido a um tiro disparado por um alemão em conflitos no norte de África durante a Segunda Guerra Mundial. O filme praticamente mostra o desempenho do ator num intenso processo de reabilitação, mostrando o desenvolvimento desse oficial em recuperar-se psicologicamente e poder dar continuidade à sua vida, apesar da atual condição. Das cinco indicações - uma anterior a 1952 e três posteriores - que esse ator conquistou, apenas essa lhe rendeu posição na categoria Melhor Ator. Montgomery Clift interpreta George Eastman, um rapaz que sonha alto e que acaba envolvido com uma moça humilde que trabalha na mesma fábrica que ele. Ao apaixonar-se por outra moça, alguém que pode lhe favorecer muito mais, ele decide armar um plano para desfazer-se da primeira, começando assim um trama de suspense. Tanto ele quanto Shelley Winters conquistaram indicações (ela como Melhor Atriz), e essa seria a segunda indicação de Clift, outras duas viriam nos anos de 1954 e 1962.

Humphrey Bogart, anteriormente indicado por “Casablanca” (1943), dá vida ao capitão de um pequeno barco que conduzirá uma missionária a uma região menos inóspita da África, que no momento se encontra em guerra. Como Charlie Allnut num filme co-protagonizado por Katharine Hepburn (também indicada), Bogart vive uma experiência bastante aventureira num rio bastante selvagem, com direito a muitos tiros e quedas d’água perigosas. Fredric March, que já havia conquistado dois Oscar (por “O Médico e o Monstro” [1931] e “Os Melhores Anos de Nossas Vidas” [1946]), interpreta o protagonista da adaptação da peça teatral de Arthur Miller, “Morte do Caixeiro Viajante”. Como Willy Lomam, um homem alienado pelas idéias de crescimento profissional e pelas expectativas sobre o filho, mas verdadeiramente incapaz de ser eficiente em seu trabalho e de enxergar a verdade por trás de sua vida incompleta, March conquista sua quinta e última indicação ao Oscar.

Se o vencedor - Humphrey Bogart - tinha relativamente a sua vitória esperada, por que as expressões de choque por parte do público e dos cinéfilos? Pelo simples fato de que Marlon Brando, em seu segundo filme, era o favorito ao prêmio por A Streetcar Named Desire, que concedeu a todos os seus colegas - Vivien Liegh, Kim Hunter e Karl Malden - as estatuetas nas respectivas categorias. Mas a Academia devia um prêmio a Bogart, já que ela simplesmente “se esqueceu” de indicá-lo ao prêmio pelos filmes “O Falcão Maltês” (1941), “Uma Aventura na Martinica” (1944), “À Beira do Abismo” (1946) e “O Tesouro de Serra Madre” (1948) - considerado os seus melhores filmes - e ainda também ter igualmente “se esquecido” de premiá-lo quando ele concorreu em 1944 por “Casablanca”, que não apenas é a sua melhor interpretação, como ainda é um dos melhores filmes já produzidos pelo cinema norte-americano! Assim, Brando, o favorito da noite, perdeu o prêmio a fim de que se fizesse justiça e que fosse premiado Bogart, que merecia já há algum tempo a estatueta. Curiosamente, os dois viriam a competir de novo no ano de 1955 e, desta vez, Brando saiu vitorioso pelo filme “Sindicato de Ladrões” enquanto Bogart saiu com a sua terceira e última indicação ao prêmio pelo filme “A Nave da Revolta”.

A meu ver, a grande pergunta que fica é a seguinte: apesar de ser considerado um prêmio de consolação a Bogart, poderia mesmo esse ator ter concebido uma interpretação mais significante do que a de Marlon Brando, o favorito da noite, ou qualquer um dos outros indicados a ponto de efetivar a sua vitória como merecida?

por Luís Adriano
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Vivien Leigh e o se segundo Oscar.







1952: uma quantidade menor de filmes, então não é tanta a surpresa na lista de indicadas à categoria de melhor atriz. Temos Eleanor Parker interpretando Mary, a esposa do detetive McLeod, no filme “Chaga de Fogo”; Vivien Leigh que fez Blanche DuBois, em visita a sua irmã, em “Uma Rua Chamada Pecado”; Katharine Hepburn como Rose Sayer, em uma fuga por águas africanas, no filme “Uma Aventura na África”; Jane Wyman, em “Ainda Há Sol em Minha Vida”, e, por fim, Shelley Winters vivendo uma operária em “Um Lugar ao Sol”.

Considero um ano complicado para se escolher uma das indicadas na categoria, pois todas, ao seu modo, interpretaram muito bem os seus papeis. Muitos consideram Katharine Hepburn e o Humphrey Bogart como um casal totalmente sem química, assumindo-se que sim, eles sejam um casal sem química levanta-se a questão: até que ponto isso pode ter atrapalhado a atuação da Katharine e a análise da mesma?

Uma escolha difícil a ser feita. Embora a decisão final tenha ficado acirrada realmente entre a Vivian Leigh e a Katharine Hepburn, quem acabou levando a premiação foi a inglesa, por sua forte e muito bem definida atuação, que, vale comentar, era apenas a quinta participação da atriz em filmes e, ainda mais curiosamente, era a segunda vez que recebia um Oscar por interpretar uma southern belle, coisa que já havia acontecido alguns anos antes, quando subira ao palco para receber o prêmio por “...E o Vento Levou”, de 1939.

por Levi Ventura

domingo, 8 de janeiro de 2012

Oscar 1988 - As categorias de atuação

 
A categoria Best Actor in a Leading Hole marcou-se no ano de 1988 pela indicação dos seguintes atores: Jack Nicholson, Marcelo Mastroianni, Michael Douglas, Robin Williams e William Hurt, interpretando, respectivamente, um alcoólatra com remorso, um bon vivant conquistador, um milionário ganancioso, um radialista bem humorado e, por último, um âncora bonitão de telejornal.

Quanto a esses atores, vale comentar que desses nomes, apenas um deles era verdadeiramente estreante na lista de indicações da Academia: Robin Williams – que foi indicado pela sua atuação em “Bom Dia, Vietnã”. Mais tarde, viria a receber mais três indicações, sendo a sua última como coadjuvante pelo filme “Gênio Indomável”, que lhe haveria de dar o prêmio. Michael Douglas, que já havia conquistado uma estatueta pela produção do filme “Um Estranho no Ninho”, agora concorre pela primeira - e até hoje única - vez como ator, na única categoria a qual “Wall Street” concorreu.

Mastroianni, por sua vez, firmava-se já como um grande nome italiano reconhecido pelo cinema norte-americano e recebia a sua terceira e última indicação pelo filme “Olhos Negros”. À época da cerimônia, William Hurt, que concorreu por “Nos Bastidores da Notícia”, contava também com a sua terceira indicação, assim como Mastroianni. A diferença entre eles é que Hurt disputava pela terceira vez consecutiva na categoria, tendo ganhado no ano de 1986, por “O Beijo da Mulher-Aranha” e concorrido em 1987 por “Filhos do Silêncio”. Jack Nicholson concorria ao prêmio pela nona vez, já o tendo recebido duas vezes: nos anos de 1976, como lead actor, por “Um Estranho no Ninho”, e 1984, como supporting actor, por “Laços de Ternura”. Interessante apontar que, à época de sua indicação, Nicholson tornou-se o segundo ator, em empate com Spencer Tracy, mais indicado ao Oscar (ambos estavam atrás de Laurence Olivier, com 10 indicações).

Dos cinco atores, três deles – Williams, Mastroianni e Douglas – competiam na única categoria a que seus filmes competiram, numa demonstração de que a Academia considerava boas as suas atuações a ponto de elencá-las como a qualidade máxima dos filmes estrelados por esses atores. A surpresa ficou por conta da consagração de Michael Douglas como o vencedor do prêmio, decerto num dos melhores momentos de sua carreira. Vale notar que ele também estava noutro filme importante dessa edição do Oscar, “Atração Fatal”, que rendeu à sua parceira de cena uma indicação na categoria feminina de atuação. Assim, fechou-se a noite com Douglas recebendo seu segundo Oscar da carreira em sua primeira indicação em categoria de atuação.

por Luís Adriano de Lima

 
Uma entrega de prêmio que nos arranca um sorriso do rosto. O anúncio das cinco candidatas, já na cerimônia de premiação, mostra uma Cher de cara mais fechada, uma Meryl Streep já acostumada, uma Sally Kirkland engraçada, uma Glenn Close mais madura e uma Holly Hunter orgulhosa. Revendo o anúncio, quem consegue colocar os olhos em Cher, a vencedora, com a bela atitude de amizade expressa por Meryl Streep, que se felicita tanto pela amiga? Pela primeira vez, se vê um sorriso no rosto de Cher, desde o começo da cerimônia.

Bastante ovacionada, a cantora levou alguns segundos até que a plateia ficasse mais quieta, para que então pudesse discursar. "Esse prêmio representa 23 ou 24 anos do meu trabalho". Ela faz menção à importância do maquiador no filme, porque vemos em Feitiço da lua uma Cher bastante diferente daquela com qual estamos acostumados a ver brilhar no palco. Semanas antes do lançamento do filme nos Estados Unidos, o New York Times noticiava que entraria em cartaz uma história de italianos enamorados, com a Cher, e que seria bastante diferente de seus trabalhos até então, mas que as pessoas ainda teriam um toque da essência cheriana, o que se mostra presente com a transformação que ela sofre no salão de beleza. Não poderia faltar, por fim, uma homenagem a Streep que, segundo a cantora, foi com quem fez seu primeiro filme (Silkwood - O retrato de uma coragem [1983]).

A vitória como Melhor Atriz no Oscar de 1988 foi a única estatueta da californiana Cher, que tinha 41 anos à época do lançamento do filme. Apesar disso, ela já tinha sido indicada a um prêmio: Melhor Atriz Coadjuvante por Silkwood - O retrato de uma coragem (1983), que teve Meryl Streep como atriz principal. Glenn Close, por sua vez, recebeu cinco indicações como atriz no Oscar (3 como coadjuvante, 2 como principal), mas não ganhou nenhuma vez. É curioso ver que todas essas indicações aconteceram nos anos 80, época auge da carreira de Glenn. A novata Holly Hunter seria indicada pela primeira vez por Nos bastidores da notícia. Depois disso, seria indicada mais 3 vezes (1 vez como principal, 2 como coadjuvante), ganhando uma delas (O piano [1993]). Meryl Streep já tinha ganho dois prêmios: Melhor Atriz em 1983 por A escolha de Sofia e Melhor Atriz Coadjuvante por Kramer vs. Kramer (1980). Sally Kirkland teve, neste ano, sua única indicação à Academia. Apesar disso, recebeu, também por Anna, o Globo de Ouro de Melhor Atriz de Drama.

Até a premiação de 1988, vejamos como estava a "familiaridade" das atrizes indicadas com o prêmio de Melhor Atriz (não contabilizo aqui o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante): Meryl Streep, natural de Nova Jérsei (EUA) e com 38 anos à época, já tinha sido indicada 4 vezes e ganho 1. As outras nunca tinham sido indicadas a esse prêmio. Glenn Close (nascida em Connecticut, com 41 anos) e Cher (californiana de 41 anos), entretanto, já tinham sido indicadas a Melhor Atriz Coadjuvante 3 e 1 vezes, respectivamente. Holly Hunter (da Geórgia, EUA, com 30 anos) e Sally Kirkland (novaiorquina de 46 anos) nunca tinham sido indicadas ao Oscar.

Como se nota, todas são estreantes, salvo Meryl, que já nem parece mostrar se importar por não ter ganho. Depois de Ironweed, pelo qual a atriz concorreu em 1988, foram mais oito indicações a Melhor Atriz e uma a Melhor Atriz Coadjuvante, sem nenhuma vitória... Os jornais de 12 de abril de 1988 todos noticiavam a vitória da cantora e atriz, que recebia, no Estado natal, a maior premiação cinematográfica de sua carreira. De qualquer forma, temos que refletir... uma estrela despontava no mundo, e vejam que Believe, porta-voz de Cher, só surgiu dez anos depois! Na época, ela fazia sucesso com as músicas mais pesadas e tristes, do tipo Heart of stone, lançado dois meses após a cerimônia do Oscar. Assim, podemos entender melhor a arte de Cher no fim da década de 80.

por Darlan Xavier Nascimento


O Oscar de Melhor Ator Coadjuvante teve grandes nomes concorrendo à estatueta naquela noite no Dorothy Chandler Pavillion. São eles Albert Brooks (como Aaron Altman em “Nos Bastidores da Notícia”), Morgan Freeman (como Fast Black em “Armação Perigosa”), Sean Connery (como Jim Malone em “Os Intocáveis”), Vincent Gardenia (como Cosmo Castorini em “Feitiço da Lua”) e Denzel Washington (como Steve Biko em “Um Grito de Liberdade”).

Apesar da qualidade dos atores, o único no grupo a já ter sido indicado foi Vincent Gardenia em 1974, por sua atuação em “A Última Batalha de um Jogador”; desta forma todos os outros que concorreram ao prêmio eram estreantes. Morgan Freeman viria a ser indicado mais três vezes (duas como ator principal por “Conduzindo Miss Daisy” e “Um Sonho de Liberdade”), consagrando-se com a vitória em 2005 por “Menina de Ouro” (como ator coadjuvante).

Denzel Washington voltaria a mostrar seu talento à Academia por mais quatro vezes: como ator coadjuvante venceria sua primeira estatueta por “Tempo de Gloria” em 1989; como ator principal recebeu três indicações ao Oscar, por “Malcolm X” (1992), “Hurricane - O Furacão” (2000) e “Dia de Treinamento” (2002) ganhando por esse último.

Apesar da vitória merecida Sean Connery, não voltaria a disputar um Oscar por nenhuma categoria, assim como Albert Brooks. Assim, 1988 fica marcado por ser o único ano que ambos concorreram ao prêmio, e também pela gloriosa vitória desse grande ator escocês ícone do cinema, que, já no anúncio de seu nome, se ouvia aplausos calorosos evidenciando uma vitória já esperada.

por Rafael Castro


Olympia Dukakis – Feitiço da Lua
Ann Sothern – Baleias de Agosto
Anne Ramsey – Jogue Mamãe do Trem
Anne Archer – Atração Fatal
Norma Aleandro – Gaby – Uma História Verdadeira

Em 1988, na categoria Melhor Atriz Coadjuvante, tivemos dois grupos: de um lado, três filmes que tiveram apenas uma indicação: falamos de “Baleias de Agosto”, “Jogue Mamãe do Trem” e “Gaby – Uma História Verdadeira”. Do outro lado, temos dois grandes campeões de indicações naquele ano: “Feitiço da Lua” e “Atração Fatal”.

Todas as atrizes indicadas jamais haviam sido indicadas antes, apesar de uma delas - Ann Sothern - ser extremamente conhecida pela sua intensa carreira cinematográfica, que vai da década de 1920 à década de 1980 (sendo The Whales of August o seu último filme), e muitos cinéfilos inclusive consideram a sua indicação como um reconhecimento tardio à sua carreira, assim como se supõe ter acontecido com Lauren Bacall (“O Espelho Tem Duas Faces”), em 1997, e Ruby Dee (“O Gângster Americano”), em 2008.

Tiro o chapéu para Ann Sothern, Anne Ramsey e Norma Aleandro por que, mesmo que os filmes no qual trabalharam não tenham sido indicados, elas conseguiram se destacar o suficiente para serem indicadas.

A vencedora da categoria foi Olympia Dukakis (“Feitiço da Lua”) e o seu prêmio marcou a oitava de dez vezes, ao longo de 76 edições, nas quais se premiaram a atriz e a atriz coadjuvante do mesmo filme (as vezes posteriores, até o momento, aconteceriam com os filmes “O Piano” e “Shakespeare Apaixonado”, respectivamente em 1994 e em 1999). São 76 edições porque a categoria de melhor atriz/ator coadjuvante só surgiu em 1936, quando já se haviam premiado sete atrizes. Outra curiosidade nesse ano na categoria é que a argentina Norma Aleandro, se tornou a primeira sul-americana a competir ao Oscar. Sua indicação mesmo tendo sido a primeira, não aconteceu em sua língua materna, uma vez que a primeira sul-americana a competir a Oscar atuando numa língua não-inglesa e, mais especificamente, na língua materna foi Fernanda Montenegro.

por Levi Ventura

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Oscar 1942 - Melhor Ator e Melhor Atriz


  • Gary Cooper por Sargento York
  • Robert Montgomery por Que Espere o Céu
  • Orson Welles por Cidadão Kane
  • Cary Grant por Serenata Prateada
  • Walter Huston por O Homem que Vendeu Sua Alma.

Cinco nomes de peso se enfrentaram na categoria Melhor Ator no ano de 1942. Cada um à sua maneira, os atores se enfrentaram em papeis bem densos. Gary Cooper interpretou um homem que evita ir à guerra por convicções religiosas, mas, sem opção, acaba se alistando ao exército, o que mudará sua vida. Welles vive o magnata da comunicação Charles Foster Kane e sua vida é narrada desde sua ascensão até sua decadência. Montgomery dá vida a Joe, que, ao morrer, encontra-se com um anjo. Cary Grant apresenta Roger Adams, um jornalista que se casa com uma mulher e, devido a alguns problemas, eles adotam uma criança. Huston atua como um fazendeiro que vende sua alma ao diabo.

Assim, os cinco atores mostram-se importantes em suas composições e por isso receberam nominações ao prêmio. Três desses atores – Cooper, Montgomery e Huston – já haviam sido indicados ao prêmio antes. Outro deles, Cary Grant, seria ainda indicado posteriormente ao ano de 1942 e o último dos cinco, Orson Welles, é o único a receber uma única indicação. De longe, o favorito era Welles, cujo filme – Cidadão Kane – era o mais cultuado, uma vez que mudou as estruturas do cinema a partir de seu lançamento.

  • Joan Fontaine por Suspeita
  • Olivia de Havilland por A Porta de Ouro
  • Greer Garson por Flores do Pó
  • Bette Davis por Pérfida
  • Barbara Stanwyck por Bola de Fogo

1942, definitivamente, não foi um ano fácil. Cinco grandes atrizes também se enfrentavam na categoria melhor atriz. Entre elas, Bette Davis e Greer Garson, as recordistas de indicações seguidas que, nesse ano, disputavam a estatueta pela segunda vez, entre elas. Davis interpretou Regina Giddens, uma mulher sem escrúpulos em Pérfida, de Willian Wyler. Já Garson deu vida à Edna Kahly Gladne, no melodramático Flores do Pó, de Mervin LeRoy; uma mulher que abre um orfanato após perder filha e marido.

Em A Porta de Ouro, de Mitchell Leisen, Olívia de Havilland é Emmy Brown, uma simplória professora que vira alvo do interesse de um gigolô romeno que deseja casar-se para viver legalmente nos Estados Unidos. E Barbara Stanwyck foi Sugarpuss O'Shea, uma cantora de boate que passa a “colaborar” na elaboração de uma enciclopédia.

Mas o prêmio máximo ficou mesmo com Joan Fontaine, por Suspeita, dirigida por Hitchcock. Sua personagem, Lina McLaidlaw Aysgarth, é a esposa de um playboy apostador de passado duvidoso, vivido por Gary Grant. Todas as evidências levam a crer que o marido é um assassino e que ela será sua próxima vítima. A grande atuação de Fontaine lhe fez desbancar grandes nomes de então, como Bette Davis e Greer Garson, levando a estatueta para casa , e deixando sua irmã – Olívia de Havilland - com “dor de cotovelo”. Mas isso é uma outra história...

Por: Luis Adriano e Marcelo Antunes
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