terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Oscar 1988 - Opiniões (Parte 3)

Bernardo Bertolucci nos bastidores do grande vencedor da noite: "O Último Imperador".
Em 1988, tivemos uma belíssima edição da academia com grandes títulos selecionados. Foi uma experiência  muito boa apreciar essa edição, pois me surpreendi com vários filmes indicados (dos quais nem tinha ouvido falar) e também trabalhos que ficaram de fora da lista.

Todos os filmes indicados tiveram seus méritos e peculiaridades que fizeram chamar a atenção da Academia, “O Último Imperador” (9 estatuetas) foi uma das grandes surpresas que tive, uma biografia (sempre muito bem aceita bela academia) belíssima e muito bem construída pela equipe de Bertolucci, merecidamente venceu no que foi indicado.  Por outro lado, “Esperança e Glória”, “Minha Vida de Cachorro” e “Adeus, Meninos” poderiam sair pelo menos com uma estatueta naquela noite, são belíssimos filmes com temáticas muitos parecidas (a vida aos olhos de uma criança), mas com singularidades próprias e marcantes.

Não posso deixar de falar na indicação de “Nos Bastidores da Noticia” como Melhor Filme. Dos indicados, tiveram outros títulos como “A Era do Rádio” e até mesmo “Adeus, Meninos” (que foi indicado como Melhor Filme Estrangeiro, na época somente produções americanas é que concorriam para Melhor Filme) que me agradaram muito mais. A própria não-indicação de Louis Malle como Melhor Diretor me deixou um pouco surpreso, mas de qualquer maneira Bernardo Bertolucci mereceu o prêmio.

Já as atuações foram um caso à parte, as vitórias de Michael Douglas e Sean Connery serviram para coroar o grande trabalho que esses magníficos atores apresentaram ao público com seus personagens. A singela, mas agradável atuação de Olympia Dukakis em “Feitiço da Lua”, foi muito digna de estatueta. Mas a grande polêmica da noite ficou por conta da vitória de Cher como Melhor Atriz, ela como artista pop eu não conhecia; já como atriz, em seu primeiro filme que vi, gostei muito de como ela conduziu e interpretou seu personagem, mas vencer Meryl Streep e Glenn Close com personagens fora de série não caiu muito bem.

Falando agora de roteiro, de certa forma eu concordo com a Academia, às vezes ela surpreende, como na  vitória de “Feitiço da Lua” (roteiro original) e às vezes ela é pragmática como na vitória de “O Último Imperador” (roteiro adaptado), ambos são belos trabalhos.

No geral, eu concordo com a premiação da Academia, sempre há alguma divergência entre filmes, indicados ou não, a verdade que listas de melhores em se tratando da sétima arte vão ser  sempre polêmicas . A Academia tem seu perfil, mas muitas vezes ela sabe criar uma boa polêmica para o público. Contudo, gostaria de citar alguns filmes que merecem ser lembrados mesmo tendo sido pouco indicados, como é o caso de “Wall Street - Poder e Cobiça””, Nascido para Matar”, “Bom Dia, Vietnã”  e “Os Intocáveis”.
 por Rafael Castro

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Olympia Dukakis vencendo o seu primeiro e - até hoje - único Oscar.
É OSCAR OU É GRAMMY?

Com exceção de dois títulos – “Os Intocáveis” e “Era do Rádio”, duas grandes obras – todos os outros filmes indicados em 1988 trazem em sua produção apenas um ou outro elemento de grande destaque. A começar a análise pela categoria principal, podemos observar uma característica curiosa: duas comédias românticas, um drama biográfico, um thriller e um drama apresentado através da perspectiva infantil. Essa variedade de gêneros nos leva ao pensamento de que a Academia buscava alguma inovação, talvez um maior reconhecimento de produções que, devido ao gênero – comédia e thriller, por exemplo –, acabam ficando de fora da corrida pelo Oscar de Melhor Filme.

Analisando as outras categorias, percebemos outras peculiaridades: todos os diretores são não-estadunidenses; um indicado a Melhor Ator é italiano; um dos indicados – aliás, o vencedor - a Melhor Ator Coadjuvante é escocês; na mesma categoria, dois atores são negros; uma das atrizes na lista das coadjuvantes é argentina; e, por fim, um indicado a Melhor Roteiro Original é francês. Dando continuidade às observações, veremos que a variedade de gêneros também acontece nas outras categorias, mostrando que essa é provavelmente a edição mais globalizada e multicultural da Academia, que deu espaço na 60ª edição às minorias, que dificilmente aparecem como indicadas e, evidentemente, mais dificilmente ainda aparecem como vencedoras, como é o caso das comédias (pouquíssimas venceram), dos atores negros (apenas 13 nomes dentre mais de 1500 indicações conquistaram uma estatueta) e dos atores estrangeiros (até o momento, apenas 3 venceram por interpretações em suas línguas-maternas por filmes falados exclusivamente em língua não-inglesa).

Trata-se, a meu ver, de um ano deficiente para o Oscar. Quando um filme tão insosso como “Nos Bastidores da Notícia” consegue lugar na categoria máxima e ainda rende aos seus três atores centrais indicações nas respectivas categorias, é um sinal de que algo é preocupante! A somar, ainda sobre a categoria principal, preterir “A Era do Rádio” e “Os Intocáveis” a títulos como “Feitiço da Lua” também indica falta de senso crítico. Não que a comédia estrelada por Cher seja ruim, pelo contrário – mas inequivocamente some em comparações com os filmes de Woody Allen e Brian De Palma, dois diretores que também deveria substituir Norman Jewison e John Boorman, sendo que a este, para mim, caberia apenas a indicação na categoria de roteiro original.

Se as categorias de Ator, Ator Coadjuvante e Atriz Coadjuvante selaram com qualidade a premiação, entregando as estatuetas respectivamente a Michael Douglas, Sean Connery e Olympia Dukakis, a categoria de Melhor Atriz apresenta uma problemática ao premiar a atriz-cantora Cher: mérito pela sua interpretação como Loretta Castorini, que, só pra constar, é muito boa, ou o mérito é de sua longa carreira como artista da indústria fonográfica, na qual Cher tem raízes e através da qual se tornou conhecidíssima e respeitada como artista? Considerando as interpretações de Sally Kirkland e Glenn Glose, ambas muito mais pungentes em suas composições do que Cher, eu inevitavelmente penso que a Academia se confundiu, pensou que fosse o Grammy e entregou o prêmio à carreira musical mais destacada dentre as cinco indicadas.

Essa cerimônia globalizada e estranhíssima rendeu 9 estatuetas ao filme de Bertolucci, “O Último Imperador”, e isso apenas mostra que o filme é uma produção tipicamente vencedora da categoria principal. As comédias, os estrangeiros e as crianças – sim, elas tiveram participação muito notável nos indicados dessa edição – apresentam uma Academia supostamente aberta a todas as vertentes artísticas, inclusive a música!

por Luís Adriano

domingo, 29 de janeiro de 2012

Oscar 1988 - Opiniões (Parte 2)


Finalmente chegamos ao fim do primeiro mês de nosso retorno. Serei logo sincero... os indicados de 1988 não me agradaram tanto da forma como eu esperava.
Falando em Melhor Filme, os indicados à categoria não atingiram as minhas expectativas. Ou são filmes maçantes como O Último Imperador e Nos Bastidores da Notícia, ou são fracos. Não estou dizendo que o marcante Atração Fatal é ruim, só não consigo ver o filme como ganhador dessa categoria. Já Esperança e Glória e Feitiço da Lua não são filmes ruins mas para mim falta algo a eles. Enfim, se fosse para ter apostado em um deles, teria apostado em Esperança e Glória.

Ainda assim na temática “o mundo visto e sendo descoberto por uma criança” prefiro Minha Vida de Cachorro, que, para mim, foi uma boa surpresa na edição. Ironweed é outro filme da edição que poderia ter sido melhor mas nem as excelentes atuações de Meryl Streep e Jack Nicholson foram suficientes para deixar o filme bom o suficiente.

Por falar em atuações, Cher se esforçou e conseguiu fazer o serviço dela diretinho. Mas ai vem pra cá querer me dizer que a atuação dela foi melhor que a de Meryl ou da Glenn? Por favor, né! Deixa de brincadeira!

por Levi Ventura

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O Último Imperador sempre é lembrado como um dos filmes, no Oscar, que levou todos os prêmios a que foi indicado.  Também é apontado como a obra-prima de Bernardo Bertolucci. Eu, particularmente, nunca gostei do filme e, a despeito de todas as suas qualidades - afinal, é um filme grandioso -, não o acho merecedor do prêmio máximo daquela edição.  Talvez, em minha preferência, o que mais se aproxime disso seria Esperança e Glória - e A Era do Rádio, que sequer recebeu indicação na categoria principal.

Na reabertura do blog, levantamos, como de costume, algumas indagações.  A primeira diz respeito ao que motivou a Academia a premiar Cher.  Seguramente, sua indicação é ótima, mas entre todas, não sei se seria a mais merecedora. Talvez, eu, escolheria Glenn Close, fabulosa como a psicopata-rejeitada Alex.  Mas penso que sua escolha tenha sido dada porque, quem sabe, Cher seja a que mais tenha surpreendido.  Trocando em miúdos: Cher fugiu um pouco do que se esperava de um tipo de atriz feito ela. Talvez tenha sido esse o seu mérito.

Destaque para Adeus, Meninos, As Baleias de Agosto e Os Intocáveis. Como todos, no entanto, minha menção honrosa vai para Minha Vida de Cachorro, um filme que conheço desde criança e que tem lugar cativo entre os meus favoritos. Se tivesse que escolher o filme que simbolizasse 1988, seguramente, seria esse.

 por Marcelo Antunes

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Oscar 1988 - Opiniões (Parte 1)


A noite de 11 de abril de 1988, data da 60ª cerimônia dos Academy Awards, foi, sem dúvida, de O último imperador, que recebeu nove estatuetas, tendo sido indicado exatamente para nove. Além disso, Feitiço da lua, estrelado por Cher, teve notoriedade com seus três prêmios. Lamento muito que Baleias de agosto tenha recebido uma única indicação (Melhor Atriz Coadjuante para Ann Sothern), pois é o melhor dos filmes listados no ano. Minha vida de cachorro, sueco que teve a indicação de Melhor Diretor para Lasse Hallström, também é um filme maravilhoso que, infelizmente, não despertou o coração dos acadêmicos.

Novamente, a Academia indica suas posições ideológicas por meio do Oscar. A temática do poder norte-americano foi a principal condutora da cerimônia, ramificada em "esclarecimentos" sobre o comunismo, a hegemonia econômica do país, o militarismo, a metrópole que nunca para. Filmes que se preocuparam mais em explorar as profundas camadas do comportamento humano parece que passam em branco. Além disso, não podemos nos esquecer das músicas. Foi nesta cerimônia que Time of my life, de Dirty dancing, ganhou um prêmio.

No fim das contas, nada de excepcional.

por Darlan Xavier Nascimento

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Essa edição do Oscar é uma das mais chatas, em minha opinião.  Mas, sabem, sempre tive uma grande vontade de avaliá-la. Motivo? Cher ter ganhado o prêmio e Melhor Atriz. Sempre ‘conheci’ a Cher cantora, então, pra mim era estranho o fato dela ter conquistado uma estatueta do Oscar. Bem estranho, aliás. Agora que finalmente conferi os filmes indicados em 1988 posso dividir minha opinião sobre essa vitória com vocês.
Enfim, Feitiço da Lua é um bom filme, com um ótimo roteiro, que merece ser assistido sim. Elenco de primeira, e uma Cher que realmente surpreende, sendo assim valida sua indicação ao prêmio. Uma coisa que desagradou muito foi que em determinado momento do filme a personagem acaba se tornando a própria Cher, se é que me entendem. No começo ela é outra pessoa e no final ela volta a ser a Cher de sempre. Sendo assim, não achei tão justo ela ter ganhado o prêmio. Glenn Close (por Atração Fatal), que me surpreendeu do inicio ao fim, merecia muito mais. Principalmente na cena final, claro.
A estatueta de melhor filme foi para O Último Imperador. Tenho que confessar que não é um filme que me agrada, mas sei de sua importância e não diria que sua vitória foi injusta ou coisa do tipo. Entre os indicados gostei muito de Esperança e Glória; único filme que realmente estava disputando lado a lado com o filme do Bertolucci.  Mesmo assim, meu favorito é mesmo A Era do Rádio, nomeado apenas para Roteiro Original e Direção de Arte, que me surpreendeu e me conquistou de uma forma que não esperava. Não entendi muito porque o filme não recebeu mais indicações, inclusive uma indicação de Melhor Atriz para Dianne Wiest.
Mais A Era do Rádio não foi o único ignorado, Império do Sol, um dos maiores filmes que já assisti, também ficou de fora da categoria principal. E, gente, esse sim é era um filme que merecia ganhar um Oscar. Não consigo imaginar um motivo para terem ignorado esse filme.
Essas bolas fora fazem com que eu não goste dessa cerimônia, mas tenho motivos para gostar assim, afinal, como sempre, tivemos ótimas descobertas. Destaque para Minha Vida de Cachorro (ignore o título e seja feliz), filme sueco indicado em Filme Estrangeiro e Melhor Diretor. Sem dúvida, esse vale a pena conferir. 
 por Thiago Paulo

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Oscar 1988 - Bom Dia, Vietnã / Gaby - Uma História Verdadeira


Os conflitos armados no Vietnã assolaram vinte anos da história desse país. O exército norte-americano, apoiado pelos países capitalistas do Sudeste Asiático, lutava contra uma suposta força inimiga comunista, a milícia norte-vietnamita dos vietcongues e do Khmer Vermelho. Estima-se que pelo menos dois milhões de pessoas tenham morrido. Considera-se que a Guerra do Vietnã tenha sido uma das principais no quesito "anti-humanidade", pois a esses confrontos estava ligada uma arma que já não é mais secreta: o agente laranja teria sido um dos responsáveis pela "vitória" norte-americana contra mais de 1,5 milhão de civis no Camboja, no Laos e no próprio Vietnã, pois essa substância era jogada dos helicópteros e causou doenças irreversíveis e carnificina no coração da Ásia.

Bom dia, Vietnã (1987) é uma paródia muito bem feita da guerra que começou em 1955. Apesar da fama de pouca qualidade, Robin Williams fez bem seu papel de comediante num filme que o fez ser indicado à categoria de Melhor Ator no Oscar. Basicamente, a trama se desenrola numa estação de rádio militar na área desmilitarizada do Vietnã, em 1965, uma época maciça de ataques às montanhas vietnamitas, conhecida como Rolling Thunder. Entretanto, a focalização que se tem da guerra não é trágica; é exatamente o contrário. Adrian Cronauer (Robin Williams) é um DJ do exército enviado ao Vietnã para fazer humor na rádio controlada pelos Estados Unidos. Tudo isso soa bem aos ouvidos dos mandatários até o momento em que Cronauer acaba descumprindo ordens, tudo em nome da irreverência. Ele ganha popularidade em Saigon, capital do Vietnã do Sul, e faz amigos.

Entretanto, um de seus novos amigos, Tuan (Tung Thanh Tran) acaba sendo descoberto pelo exército como vietcongue, o que acarreta problemas graves ao radialista militar. Trinh (Chintara Sukatapana), irmã de Tuan, despertou o interesse de Adrian, mas as diferenças culturais os impediram de engatar um romance.

De maneira geral, Bom dia, Vietnã é uma das melhores sátiras dos terrores da guerra. A mídia é mostrada como poderoso instrumento de massificação e de perda da dignidade do povo que é massacrado. A guerra que não é noticiada passa aos olhos de Adrian, e, no momento em que ele faz esse alerta, a censura o barra.


INDICAÇÕES
- Melhor Ator (Robin Williams)

por Darlan Xavier Nascimento

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Histórias de superação são comuns no cinema.  Desde “O Milagre de Anne Sullivan” (1962) até “Preciosa” (2009), vira e mexe, Hollywood nos brinda com filmes do gênero.  O representante do filão na premiação de 1988 chama-se Gaby - Uma História Verdadeira (Gaby: A True Story, 1987).  Dirigido por Luis Mandok, com roteiro do próprio Mandok, Michael Love e Martín Salinas, o longa nos apresenta a história de Gabriela Brimmer, nascida com paralisia cerebral e que só conseguia mexer o pé esquerdo. Depois de percorrer vários especialistas, seus pais decidem aceitar sua condição e seguir a vida normalmente. O pai, a todo tempo, a lembrava que existem apenas dois tipos de limites: o real e o imposto - o segundo, obra dos nossos medos. Usa como exemplo Beethoven que mesmo após a surdez, tornou-se um dos maiores compositores da História. O filme enfoca ainda o relacionamento de Gaby com Fernando, um rapaz também com necessidades especiais, mas, ao contrário dela, sem apoio da família.

Com um elenco contando com nomes como Liv Ullman e Robert Loggia, “Gaby” foi o responsável pela indicação da atriz argentina Norma Aleandro à categoria de Melhor Atriz Coadjuvante, que desempenhou o papel de Florencia Morales, enfermeira responsável por ensinar Gaby a comunicar-se.  À época do lançamento, a crítica aclamou o filme como um trabalho que encarou a questão da necessidade especial não apenas com sentimentalismo, mas sobretudo com contundência.

Vale destacar que o filme, conforme o próprio título sugere, foi baseado na história real de Gabriela Brimmer, escritora e ativista nascida no México, sendo aceita no Departamento de Ciências Sociais, da Universidade Nacional Autônoma do México e fundando, anos mais tarde, uma instituição com seu nome, a despeito de todas suas "limitações". Gaby morreu em 2000, aos 52 anos.

INDICAÇÃO:
- Melhor Atriz Coadjuvante: Norma Aleandro

por Marcelo Antunes

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Oscar 1988 - Nos Bastidores da Notícia


Dirigido pelo já vencedor de Oscar James L. Brooks (melhor direção e roteiro adaptado por Laços de Ternura, de 1984), mas que nessa edição de 1988 não obteve o sucesso de outrora. James L. Brooks nos apresenta o dia-a-dia  de uma equipe de telejornal e as dificuldades que essa equipe, que trabalha na capital dos Estados Unidos, tem para manter a qualidade do material produzido. Isso serve somente como plano de fundo para um triângulo amoroso envolvendo a competente produtora do telejornal (Holly Hunter), o repórter muito amigo dela (Albert Brooks) e o elegante âncora recém-contratado (William Hurt).

O relacionamento dos três personagens mostra uma bela mulher talentosa que não sabe a quem ama de verdade, seu grande amigo que confidencia todos os seus problemas, mas não tem coragem de declarar seu verdadeiro sentimento por ela, e o elegante âncora que usa sua imagem e influência  para conseguir seus objetivos. Entretanto, percebe-se uma insegurança ou cautela por parte dos três protagonistas desse triângulo ao decidirem suas vidas amorosas, com receio de prejudicar suas carreiras e futuras promoções.

O filme mostra muito bem o que acontece nos bastidores de telejornal, ética sobre as matérias produzidas, sobre profissionalismo de cada membro da equipe. Obteve sete indicações ficando atrás apenas de O último imperador (9 indicações).

PERFIL: ALBERT BROOKS
Albert Brooks Lawrence (nascido Albert Einstein Lawrence, ele mudou seu sobrenome de Einstein para evitar confusão com o famoso físico) nasceu  em Bervely Hills, Califórnia, em 22 de julho de 1947. É um ator americano, dublador, comediante, escritor e diretor.

Trabalhou com stand up no início da carreira e, em 1976, ele apareceu em seu primeiro papel de destaque no tão aclamado Taxi Driver de Martin Scorsese, o papel fez com que Brooks se mudasse para Los Angeles entrando de vez na indústria cinematográfica.

Brooks dirigiu seu primeiro longa-metragem, Real Life, em 1979. Também escreveu e dirigiu “A musa” (1999), com Sharon Stone, e “Um visto para o Céu” (1991), no qual atuou ao lado de Meryl Streep.

Ele recebeu sua primeira e até então única indicação interpretando Aaron Altman em “Os Bastidores da Noticia”, de 1987. Trabalhou em Procurando Nemo, Os Simpsons (a série), Os Simpsons, o filme.

Em 2011, Brooks fez o papel de um gangster no filme Drive, ao lado de Ryan Gosling e Mulligan Carey; a crítica se mostra muito positiva com Brooks e destaca sua atuação como sendo um aspecto positivo do filme, tanto que seu nome foi indicado pelo Globo de Ouro e Independent Spirit Awards para melhor ator coadjuvante por sua performance.

CURIOSIDADES:
- Inicialmente seria a atriz Debra Winger que interpretaria a personagem Jane Craig;

- Apesar de fazer parte do elenco de “Nos Bastidores da Notícia”, Jack Nicholson não aparece nos créditos e nem foi pago por sua participação no filme. Este foi um pedido feito pelo próprio Nicholson, que não queria que seu nome distraísse a atenção do público em relação aos protagonistas do filme.

- Peter Hacker, que no filme interpreta Paul Moore, o diretor da Divisão de Notícias, trabalhou como correspondente jornalístico do canal NBC até um ano antes do início da produção desse filme.

- Vários jornalistas conhecidos nos Estados Unidos fazem pequenas participações no decorrer do filme.

INDICAÇÕES (7 indicações):
- Melhor Filme: James L. Brooks
- Melhor Ator: William Hurt
- Melhor Atriz: Holly Hunter
- Melhor Ator Coadjuvante: Albert Brooks
- Melhor Fotografia: Michael Ballhaus
- Melhor Edição: Richard Marks
- Melhor Roteiro Original: James L. Brooks

por Rafael de Castro

sábado, 21 de janeiro de 2012

Oscar 1988 - Armação Perigosa / Anna




“Anna”, dirigido por Yurek Bogayevicz, é uma das tantas obras que anualmente poderiam passar despercebidas, tanto pelos membros da Academia quanto pelos espectadores – estes, aliás, ainda não conhecem bem essa obra bastante simples, que conta a história de Anna, uma atriz que veio para os Estados Unidos a fim de conseguir emprego e se reerguer, já que seu passado difícil a havia imposto muitos problemas, inclusive a prisão, no seu país natal.


A história segue a personagem de Sally Kirkland do começo ao fim, mostrando os diversos dramas de sua vida profissional – já que não consegue trabalhos que lhe valorizem –, na sua vida amorosa – pois não consegue resolver-se com seu namorado nem com seu ex-marido – e, por fim, na sua vida pessoal, pois acolhe uma sobrinha que pouco a pouco parece tomar tudo o que é seu, inclusive a própria vida, como bem vemos numa cena.


Sally Kirkland realmente faz por merecer a sua indicação. Sua interpretação é bastante segura, uma figura forte pelo seu trabalho, mas talvez fraca considerando o peso dos filmes das outras atrizes ou até mesmo o reconhecimento já conquistado por elas. Assim, coube à Kirkland a única indicação de sua carreira até o momento, por um filme que definitivamente merece ser mais divulgado.




INDICAÇÃO:
- Melhor Atriz (Sally Kirkland)
por Luís Adriano
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Street Smart, ou Armação Perigosa, é um filme dirigido por Jerry Schatzberg que traz como protagonistas Christopher Reeve e Morgan Freeman. Lançado em 1987, o filme conta a história de um jornalista que para não perder o emprego inventa uma falsa matéria sobre prostituição.


Foi Street Smart que elevou a carreira de Morgan Freeman, afinal, foi com este filme que conseguiu sua primeira indicação ao Oscar. Morgan disputou o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante com Sean Connery ( Os Intocáveis), Albert Brooks (Broadcast News), Gardenia – (Moonstruck )e Denzel Washington (Cry Freedom).


Também estão no elenco, Kathy Baker, Mimi Rogers, Jay Patterson, Andre Gregory, Anna Maria Horsford, Frederick Rolf, Erik King, Michael J. Reynolds.


INDICAÇÃO:
- Melhor Ator Coadjuvante (Morgan Freeman)


por: Thiago Paulo

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Oscar 1988: Melhor Roteiro Original, Melhor Diretor e Melhor Filme



Cinco histórias feitas diretamente para os filmes, cinco histórias diferentes. Adeus, meninos, dirigido e escrito pelo francês Louis Malle, é uma espécie de autobiografia, em que dois meninos que estudam num internato criam uma amizade, superando as desavenças que tinham. Essa amizade, entretanto, chega num impasse quando Julien (Gaspard Manesse) descobre que Jean (Raphael Fetjö) é judeu. O mundo estava vivendo a Segunda Guerra Mundial, estimada em 6 milhões de mortes devido ao antissemitismo. Esperança e glória tem um roteiro bastante parecido: ambos se tratam de uma autobiografia cuja focalização é de uma criança. John Boorman, escritor e diretor, falava de suas experiências com a Segunda Guerra Mundial. A era do rádio, escrito e dirigido por Woody Allen, também trata da Segunda Guerra Mundial e do olhar da criança. Dessa vez, a história se passa em Nova Iorque e discorre sobre a importância do rádio em tempos de guerra. 

Nos bastidores da notícia, escrito e dirigido pelo norte-americano James L. Brooks, conta a história do jornalismo por trás dos bastidores, mostra as preocupações e as tensões relacionadas com a busca de informações para telejornais, além de uma história de paixão oriunda do ódio profissional entre Jane (Holly Hunter) e Tom (William Hurt). A vitória da categoria, entretanto, foi para Feitiço da lua, escrito por John Shanley e dirigido por Norman Jewison, que retrata um bairro italiano de Nova Iorque e que mostra Loretta (Cher), a Melhor Atriz de 1987, dividida entre dois amores.

De fato, apenas o último filme é inteiramente criado, já que os três primeiros mostram momentos da vida de seus criadores, e o quarto não passa de uma constatação da vida jornalística. Feitiço da lua carrega traços culturais, o que também foi visto pela Academia, que indicou o filme a seis categorias e três vitórias.

por Darlan Xavier Nascimento

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Melhor Filme /Melhor Diretor



Analisando toda a história do Academy Awards, o ano de 1988 foi bem morno comparado a outros anos. Pelo menos na categoria Melhor Filme isso é fato. Tudo bem, até tínhamos ótimos filmes na disputa... Porém, nada de tão empolgante assim. E, acreditem, isso poderia ter sido completamente diferente.

Os indicados a Melhor Filme foram em 1988 foram: O Último Imperador (grande favorito e vencedor da noite devido suas qualidades técnicas), Atração Fatal, Esperança e Glória, Nos Bastidores da Notícia e Feitiço da Lua.

O Último Imperador é um filme tecnicamente impecável, de um dos maiores diretores do cinema. Atração Fatal um thriller de roer as unhas, com ótimas atuações e roteiro afinadíssimo.  Esperança e Glória traz uma visão peculiar sobre um tema muito abordado no cinema. Feitiço da Lua , um surpresa, simples e gracioso.

Beleza, grandes filmes, cada qual com sua qualidade, e merecedores de algumas de suas indicações. Porém, o negócio aqui é que na mesma premiação temos outros filmes que mereciam um maior destaque e que, consequentemente, poderiam ter dado um ‘UP’ na disputa principal.

 Só para vocês terem uma ideia, Império do Sol, um clássico de Steven Spielberg, recebeu apenas indicações técnicas, sendo que seria muito justo estar entre os grandes destaques da noite. O filme é grandioso. Outro filme que podemos citar é A Era do Rádio, de Woody Allen, que consegue ser superior a maioria dos indicados como Melhor Filme e simplesmente recebeu apenas duas indicações.

Não podemos nos esquecer dos filmes estrangeiros, Minha Vida de Cachorro e ‘Adeus, Meninos’ que são belos e que também poderiam entrar na disputa principal.
É isso, 1988 não foi um ano tão perfeito quando o assunto é categoria principal do Oscar. Meio óbvio que O Último Imperador seria o grande vencedor da noite, afinal, não tinha nenhum outro indicado de peso disputando à estatueta com ele.

Na questão, Melhor Direção, foram indicados ao prêmio: Bernardo Bertolucci, John Boorman, Lasse Hallström por Minha Vida de Cachorro, Norman Jewison e Adrian Lyne. Se vocês repararem, a junção desse grupo de diretores foi uma das grandes novidades da noite, já que nenhum deles é americano.

Diferente da categoria Melhor Filme, a disputa aqui até que foi boa, então não há muito o que ser discutido.  Só faltou mesmo a presença de Spielberg e Woody Allen, mas ai o grande diferencial da cerimonia não seria possível. Além do que, todos os listados acima são merecedores devido ao excelente trabalho com seus respectivos filmes.

No fim da noite não deu outra, Robin Willians entrou no palco e anunciou o grande vencedor entre os diretores indicados, e Bertolucci levou a estatueta pra casa. Não só essa, como todas as nove pelas quais seu filme foi indicado.

por Thiago Paulo

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Oscar 1988 - Atração Fatal


Realiza: você é um cara pacato, cidadão cumpridor dos seus deveres, pai de família amoroso que, num fim de semana, conhece uma mulher independente, charmosa e (aparentemente) bem resolvida.  O tesão fala mais alto e a história termina na cama.  Aí, como bons adultos, cada um segue seu caminho e fim.  Certo?

Não para Dan Gallagher. A personagem de Michael Douglas em Atração FatalFatal Attraction, 1987, não teve tanta sorte. Durante uma viagem da mulher e da filhinha, o advogado bonitão conhece nada mais, nada menos que Alex Foster (Glenn Close), uma sofisticada executiva. A tensão sexual entre os dois é evidente e o resto da história você conhece. O que o pobre do Dan não esperava é que Alex não era exatamente a moça descrita no primeiro parágrafo, e que, por conta disso, tratou de infernizar sua vida a partir de então. Ou Dan era dela ou era de mais ninguém.

O filme foi um enorme sucesso de bilheteria, sendo indicado a seis Oscar, entre eles o de Melhor Direção e Atriz - mas não levou nenhum. Com ares de videoclipe que, muitas vezes, lembra “Nove Semanas e Meia de Amor”, também de Lyne - vide a cena da transa na pia, por exemplo -, o longa também foi muito criticado por conter uma mensagem moralista. De qualquer forma, o mote foi copiado por inúmeras outras obras.

No DVD do filme há a opção de conferir um final alternativo.

Para os amantes de filmes de psicopata, Atração Fatal é um dos grandes - talvez, não o melhor - do gênero.  Vale a pena conferir.


PERFIL: ADRIAN LYNE
Lyne (Inglaterra, 1941) iniciou sua carreira dirigindo comerciais para a TV. Debutou no cinema com o longa Foxes. Contudo, foi com o seu trabalho seguinte, Flashdance, que conseguiu maior projeção.  Em 86, é contratado para dirigir 9 ½ Semanas de Amor,  sendo indicado ao prêmio de Melhor Diretor, em 88, por Atração Fatal.  Seu maior sucesso é, seguramente, Infidelidade - remake de La Femme Infidèle, de 1969 -, thriller protagonizado por Richard Gere e Diane Lane - indicada ao Oscar -, em 2002.

CURIOSIDADES:

. Primeiro filme da “Era Aids” em que o marido infiel é punido.  Não ficou doente, mas teve que aturar uma psicopata no seu pé;

. O final original mostrava o suicídio de Alex e a prisão de Dan, contudo, em exibições prévias, o público achou tudo meio vago.  Lyne então, retornou as filmagens e rodaram um novo desfecho. Nos cinemas japoneses, o primeiro final foi o exibido;

. O filme foi considerado por muito como antifeminista, pois, aparentemente, passa a mensagem de que a mulher que não consegue um homem, fica doida;

. Debra Wigner e Barbra Hershey foram convidadas para dar vida à Alex, mas declinaram do convite.

. No início da história, Alex sempre vestia branco.  Com o decorrer do filme e com a perda de sanidade, suas roupas escurecem;

. O longa foi baseado em um curta produzido para a TV inglesa, feito por John Dearden

INDICAÇÕES:
1. Melhor Filme – Stanley R. Jaffe e Sherry Lansing
2. Melhor Diretor – Adrian Lyne
3. Melhor Atriz – Glenn Glose
4. Melhor Atriz Coadjuvante – Anne Archer
5. Melhor Roteiro Adaptado – James Dearden
6. Melhor Edição – Michael Kahn e Peter E. Berger

por Marcelo Antunes

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Oscar 1988 - Um Grito de Liberdade / Jogue a Mamãe do Trem


“Um Grito de Liberdade” é dirigido por Richard Attenborough, grande realizador cinematográfico, ganhador duas estatuetas em 1982 pela direção e produção de “Gandhi”; ficou conhecido também por interpretar o papai Noel no filme “Um Milagre na Rua 34” (1994). A historia do filme se passa na África do Sul dos anos 70, onde imperava o regime do apartheid trazendo tensão e terror para a população daquele país.

Steve Biko (Denzel Washington), ativista negro que lutava contra o absurdo regime vigente em seu país, sempre buscou resgatar a auto-estima e confiança da população negra que se sentia inferiorizada pelo apartheid. Donald Woods (Kevin Kline) é jornalista branco que conhece e se torna amigo de Biko e, através do convívio e vivências com a comunidade negra, ele passa a ter conhecimento dos verdadeiros horrores impostos àquelas pessoas. Com o assassinato de Biko, Donald decide fugir da África do Sul para divulgar todos os acontecimentos cruéis que aconteceram no seu país para todo o mundo.

Denzel Washington já havia feito outros filmes, mas “Um Grito de Liberdade” lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, pela belíssima atuação como o ativista sul-africano. O filme ainda concorreu a outras duas estatuetas, sendo elas nas categorias de Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original, não levando nenhum dos prêmios disputados.

Indicações:
1. Ator coadjuvante - Denzel Washington
2. Melhor canção original - "Cry freedom", por George Fenton e Jonas Gwangwa
3. Melhor trilha sonora – George Fenton e Jonas Gwangwa

por Rafael Castro
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Uma comédia ao estilo clássico do Danny DeVito. “Jogue a Mamãe do Trem”, filme dirigido pelo próprio DeVito, tem história simples e clássica em comédias desse tipo. Na edição de1988 do Oscar, a atriz Anne Ramsey, que interpretou a mãe do Owen (DeVito), teve a única indicação vinda do filme, como Melhor Atriz Coadjuvante.

No filme, Larry Donner (Billy Crystal) é um professor de um curso de escrita que odeia sua ex-mulher, alegando firmemente que ela roubou manuscrito do livro que ele tinha escrito, vindo a publicá-lo como se fosse da autoria dela. Já Owen (Danny DeVito), aluno de Larry, mora com sua mãe (Anne Ramsey), que o atormenta com agressões gratuitas, tanto verbais quanto físicas. Percebe-se facilmente a predileção do Owen para escrever histórias de mistérios, crimes e assassinatos. Owen achando que não recebia a atenção merecida nas aulas começou a perseguir seu professor em busca de atenção. Devido a uma sequência de frases mal colocadas e um mal entendido, Owen chegou a conclusão que o professor o tinha sugerido uma troca de crimes: ele matava a ex-mulher do professor e o professor matava a mãe dele. A partir daí a história do filme se desenvolve.

O filme não é nenhuma grande obra-prima que o torne nome obrigatório na lista de filmes a ver de qualquer cinéfilo. Mas é um filme a ser assistido numa tarde que não se tenha nada a fazer, ou em uma noite sem sono.

INDICAÇÃO:
1. Melhor Atriz Coadjuvante: Anne Ramsey

por Levi Ventura

domingo, 15 de janeiro de 2012

Oscar 1988 - Feitiço da Lua


Todo mundo sabe (ou vai ficar sabendo agora) que a Cher já ganhou um Oscar. Isso já não é mais novidade. Porém, a questão aqui é a seguinte: ela realmente mereceu esse prêmio pelo seu trabalho em Feitiço da Lua?

O filme do diretor Norman Jewison é uma típica comédia romântica estadunidense. O diferencial é que, além disso, também temos um bom drama familiar em segundo plano. Talvez isso seja o grande ponto forte do filme, que fez com que o mesmo conseguisse tanto reconhecimento na época de seu lançamento.

Na história, Loretta é uma recém-viúva que está prestes a se casar novamente. Seu noivo, Cosmo Castorine, vivido por Vicente Gardenia, lhe faz um pedido antes ir visitar sua mãe doente: que ela encontre seu irmão Ronny Castorine (Nicolas Cage) e o convença de ir a seu casamento. É ai que o inesperado acontece, Loretta e Ronny acabam se apaixonando e assim complicando o que parecia estar certo.

Ao ler sobre o filme a impressão que fica é que Cher é o único ponto forte e a única surpresa de Moonstruck. Isso não é verdade. Tanto que, além da indicação de Melhor Atriz, o filme também recebeu outras cinco nomeações, incuindo: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator e Atriz Coadjuvante e Melhor Roteiro Original.

Feitiço da Lua é um filme simples, onde tudo funciona da melhor forma possível. O destaque fica para o elenco de coadjuvantes e o clímax no final.

PERFIL: Cher


Cherilyn Sarkisian, conhecida mundialmente apenas como Cher, é uma famosa cantora pop que em 1986 conseguiu a façanha de ganhar uma estatueta do Oscar (ela já havia sido indicada ao prêmio dois anos antes). 

Camaleoa nata, tanto fisicamente como profissionalmente (já que além de atriz e cantora também é diretora, produtora e apresentadora), Cher se mudou para Los Angeles ainda na adolescência. Com apenas 16 anos de idade conseguiu seu primeiro trabalho; ao lado do  produtor musical Phil Spector.

Em 1964, Cher formou a dupla ‘Sonny e Cher’, e foi a partir daí que o sucesso apareceu. A Canção ‘I Go You Baby’ conseguiu chegar ao topo das paradas britânicas e americanas, se tornando assim um grande hit, que mais tarde, bem depois do fim da dupla e da morte Sonny, seria regravada pela cantora.Seu primeiro passo no cinema foi com o filme “Come Back to the Five and Dime, Jimmy Dean, Jimmy Dean” pelo qual conseguiu sua primeira indicação ao Globo de Ouro. 

No ano seguinte veio o filme Silkwood - O Retrato de uma Coragem - onde contracena com ninguém mais ninguém menos que... Meryl Streep, sua concorrente na cerimônia 1988 - e uma indicação ao Oscar.

Também podemos vê-la nos filmes: Minha Mãe é uma Sereia (1990), O Jogador (1992), Chá com Mussolini (1999), Ligado em Você (2004) e no musical Burlesque (2010), que marca o retorno da rainha do pop como protagonista.

CURIOSIDADES:

Antes de Cher, o papel principal seria de Sally Field.

INDICAÇÕES (3 prêmios de 6 indicações):
1. Melhor Filme - Norman Jewison e Patrick J. Palmer
2. Melhor Diretor - Norma Jewison
3. Melhor atriz - Cher (venceu)
4. Melhor atriz Coadjuvante - Olympia Dukakis (venceu)
5. Melhor Ator Coadjuvante - Vincent Gardenia
6. Melhor Roteiro Original - John Patrick Shanley (venceu)

por: Thiago Paulo

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Oscar 1988 - Minha Vida de Cachorro / Os Intocáveis


Um garoto descobrindo a vida como ela é. Clichê? Pode até ser, mas em “Minha Vida de Cachorro”, lançado na Suécia em 1985, podemos ver uma idéia não incomum ser desenvolvida de forma simples e sincera, nua.

Ingemar é um garoto cuja mãe, de temperamento completamente instável, possue um sério problema de saúde. Por esse motivo ele e o irmão são mandados para morar com parentes.E é nessas idas e vindas da sua própria casa para a casa de seu tio, que vemos Ingemar se descobrir, conhecer pessoas, explorar sua sexualidade, lidar com o que acontece a sua volta e com seus amigos.

Gostei do Anton Glanzelius(Ingemar) que em minha opinião conseguiu ficar bem em cena perto de todos os outros personagens. A relação do Ingemar com sua mãe é também algo muito interessante e complexa, num momento víamos os dois rindo juntos, logo víamos sua mãe sendo apática e impaciente com as ações de seu filho. Mesmo assim o amor que Ingemar demonstra por ela é sincero e profundo, amor esse que ele também mostra por sua cadela, Sickam. Outro fator atrativo no filme são os personagens secundários, todos curiosos e com características marcantes que contribuem para o bom desenrolar da história.

My Life As A Dog é um filme baseado no livro autobiográfico do escritor sueco Reidar Jönsson, foi indicado ao Oscar nas categorias Melhor Direção(Lasse Hallström) e Melhor Roteiro Adaptado. Embora não tenha ganhado nenhuma das categorias em que foi indicado, o filme foi vencedor da categoria Melhor Filme Estrangeiro no Globo de Ouro e de mais outras 12 premiações ao redor do mundo.

INDICAÇÕES (2 indicações):
- Melhor Diretor: Lasse Hallström
- Melhor Roteiro Adaptado: Lasse Hallström, Reidar Jönsson, Brasse Bränström, Per Berglun.

por Levi Ventura

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Em 1920, o governo dos EUA proibiu a venda, a fabricação e o comércio de bebidas alcoólicas em território americano. O período que durou treze anos e que foi chamado de Lei Seca fez emergirem figuras conhecidas na história do país. A mais importante delas é o nova-iorquino Alphonsus Gabriel Capone (1899-1947), o Al Capone, chefe da máfia na América.

Os intocáveis (1987) conta a história de um quarteto de policiais que permanece intocável à ação corrupta dos mafiosos. Depois que uma bomba, deixada numa mala, explodiu nas mãos de uma criança em uma mercearia, Eliot Ness (Kevin Costner) decide fazer justiça. Surge, daí, o grupo disposto a acabar com a máfia em Chicago. Os Intocáveis conseguiram a prisão de Al Capone (Robert De Niro), mas dois dos membros já haviam sido mortos, sendo um deles Jim Malone (Sean Connery).

O filme foi indicado a quatro categorias no Oscar de 1988, mas só conseguiu uma estatueta: a de Melhor Ator Coadjuvante para Sean Connery. Além do Oscar, foram mais dez prêmios internacionais de cinema. Apesar de muitos terem sido os filmes sofre a máfia de Chicago, Os intocáveis teve um lucro de mais de US$ 76 milhões somente nos Estados Unidos.

INDICAÇÕES (1 vitória de 4 indicações):
- Melhor Ator Coadjuvante (Sean Connery): venceu
- Melhor Direção de Arte (Patrizia von Brandenstein, William Elliott, Hal Gausman)
- Melhor Figurino (Marilyn Vance)
- Melhor Trilha Sonora Original (Ennio Morricone)

por Darlan Xavier Nascimento

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Oscar 1988 - O Último Imperador


Muitos consideram The Last Emperor a obra-prima de Bernardo Bertoulucci, diretor que trouxe às telas inúmeros outros títulos interessantes, como Ultimo Tango a Parigi (1972) e The Dreamers (2003), que, tanto num quanto no outro, mostram pessoas confinadas num ambiente e entregando-se totalmente aos seus desejos sexuais - mesmo que incomuns. Já “O Último Imperador” se foca mais num período histórico do que na análise ontológica, e sua trama percorre a vida de Pu Yi, que nasceu para ser imperador na Cidade Proibida, que foi o local de residência do imperador e de seus agregados - parentes e serviçais - durante o período de quase cinco séculos. O garoto, que em 1908 foi condecorado imperador, vê todo o seu poder se desmanchar quando a China se torna um país de governo presidencialista.

A figura de Pu Yi é fundamental à trama e seus dramas pessoais são abordados, mas, como disse, por não se tratar de uma abordagem ontológica, a personagem acaba mais inserida naquele panorama histórico, que dissecado ao longo das duas horas e meia de filme. A produção pomposa e os aspectos técnicos muito bem cuidados fizeram com que “O Último Imperador” carregasse consigo a distinção de, juntamente com “Gigi” (19858), ter sido indicado a 9 prêmios naquela cerimônia e, curisamente, ganhasse todos eles, tornando-se assim o que podemos chamar de “verdadeiro vencedor da noite”. Vale aqui ressaltar que outro feito assim só aconteceria em 2003 quando o terceiro volume de “O Senhor dos Anéis” conquistou as 11 estatuetas a que concorreu.

A narrativa fragmentada, que mistura passado e presente, evitando assim a linearidade do narrar, serve como elemento para causar interesse no espectador. Sabemos que o garoto foi imperador e também sabemos que, anos mais tarde, quando a China já havia se tornado a República Popular da China, ele acabou se tornando prisioneiro. É aí que percebemos o que eu já havia dito: a intenção aqui é conectar esses dois pontos da vida do personagem usando para isso a história do país e todas as modificações que vieram com as mudanças de governo e de perspectivas populares. O resultado desse esforço foram as várias indicações e, sobretudo - com evidência aqui -, todos os prêmios ganhos.

PERFIL : BERNADO BERTOLUCCI
Bernardo Bertolucci nasceu na Itália, na cidade de Parma, em 1940 (hoje tem 71 anos). Na universidade, como hobby, fazia poesias, o que acabou fazendo com que ele se destacasse na produção literária, ainda que não tenha publicações nessa área. Seu envolvimento com cinema começou efetivamente quando trabalho em 1961 como assistente de direção no filme Accattone, de Píer Paolo Pasolini, mas talvez tenha sido no ano de 1967 que ele obteve maior destaque: escreveu o roteiro de “Era Uma Vez no Oeste”, filme que foi dirigido por Sérgio Leone.

A Academia começou a reconhecer Bertolucci a partir da década de 1970, quando, no ano de 1971 indicaram-no pelo seu trabalho como roteirista pelo filme “o Conformista”, este já gravado nos Estados Unidos. No ano seguinte, 1972, escandalizaria a todos com a sua obra “O Último Tango em Paris”, que reuniu Marlon Brando e Maria Schneider em cenas picantes numa obra de abordagem psicológica muito intensa. A Academia então concedeu a Bertolucci sua segunda indicação ao prêmio e primeira como diretor no ano de 1974 (vale aqui apontar que o filme somente estreou nos EUA em 1973, não o tornando elegível, portanto, para aquele ano). Seria comente catorze anos depois, em 1988, que o diretor seria altamente reconhecido pelo seu trabalho cinematográfico “O Último Imperador”, produção escandalosamente grande de duas horas e meia, um épico cujo estilo encantou os membros da Academia e fizeram-nos indicar a película para 9 estatuetas - achando pouco, premiaram o filme nas nove categorias em que concorreu, concedendo a Bertolucci a honra de ser o melhor diretor e, ainda, ter seu filme como o melhor filme, recebendo ainda, o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado.

Seguiram trabalhos notáveis, sendo os de maior destaque “O Céu que Nos Protege”, de 1990, com Debra Winger e John Malkovich, e “Os Sonhadores”, de 2003, sendo este até o momento o seu último filme e, talvez, um dos mais populares do diretor, que trabalhou com um elenco jovem e fez com que seu filme repercutisse bastante devido à alta sensualidade presente nele. Atualmente, está trabalhando no filme de Io e te, que deverá ser lançado em 2013.

CURIOSIDADES:
- O governo chinês autorizou que o filme fosse gravado dentro da Cidade Proibida, fazendo dele o primeiro filme de caráter não-documentário a ter locações naquele ambiente;

- Tornou-se o primeiro filme desde 1949 a ter total cooperação do governo chinês para a sua realização;

- 19.000 figurantes aparecem ao longo do filme;

- A segurança em torno da Cidade Proibida era tão grande que, quando Peter O’Toole esqueceu sua identificação, não o deixaram entrar para as gravações.

- Como carros não são permitidos na Cidade Proibida, o elenco tinha que se locomover usando bicicletas ou ir a pé de um local para o outro;

- Trata-se do filme de abertura da “trilogia do oriente”. É procedido por “O Céu que Nos Protege” e “O Pequeno Buda”;

- O verdadeiro guarda da prisão Yuan Jin, responsável pela reabilitação de Pu Yi, aparece na cena em que o último imperador recebe a absolvição.

VITÓRIAS (9 prêmios de 9 indicações):
1. Melhor Filme - Jeremy Thomas
2. Melhor Diretor - Bernardo Bertolucci
3. Melhor Roteiro Adaptado - Bernardo Bertolucci e Mark Peploe
4. Melhor Direção de Arte - Ferdinando Scarfiotti, Bruno Ceasi e Osvaldo Desideri
5. Melhor Fotografia - Vittorio Storano
6. Melhor Figurino - James Achenson
7. Melhor Montagem - Gabriella Cristiani
8. Melhor Som - Bill Rowe e Ivan Sharrock
9. Melhor Trilha Sonora - Ryûichi Sakamoto, David Byrne e Cong Su

por Luís Adriano de Lima

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Oscar 1988 - As Baleias de Agosto / Adeus, Meninos


Tá, imagina um filme onde as personagens principais são interpretadas por grandes nomes da era áurea de Hollywood, já no fim da vida?  Imaginou?  Este é o caso de As Baleias de Agosto, The Whales of August, 1987, que trouxe às telas nomes de peso como Bette Davis, Vicent Price, Ann Southern - indicada ao prêmio de melhor atriz coadjuvante - e Lillian Gish.  Isso só é motivo suficiente para fazer do longa um daqueles que tem porque tem que ser assistido.  

  Baseado na peça do mesmo nome, de autoria de David Berry - que também assina o roteiro -, o filme nos apresenta a duas irmãs, viúvas e idosas, que viajam para uma casa de veraneio e observam as baleias que passeiam pela praia - no mês de agosto, claro!  Donas de temperamentos opostos, Libby (Davis), que não enxerga mais, e Sarah (Gish) têm “visões” diferentes da vida e do envelhecimento. Completam a “turma” o Sr. Maranov (Price) e Tisha (Southern), melhor amiga de Libby.  A história é, na verdade, uma grande metáfora a respeito da finitude, focando os embates entre as duas irmãs que, apesar dos pesares, mantêm-se unidas, sempre.

Com atuações memoráveis do elenco que, a essa altura, já não trabalhava tanto, As Baleias de Agosto é um filme sensível e tocante.  Destaque para a bela fotografia e para Lilian Gish que, aos 93 anos, tornava-se a atriz mais velha a protagonizar um filme

INDICAÇÃO:
- Melhor Atriz Coadjuvante: Ann Sothern

por Marcelo Antunes

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“Adeus, Meninos” é dirigido, escrito e produzido por Louis Malle (um dos grandes realizadores que o cinema já viu: seus filmes são cercados de discussões, pois muitas de suas obras tratam de assuntos polêmicos). O filme é  baseado  em acontecimentos vividos pelo próprio Malle , quando, aos doze anos, estudava em um colégio interno, na França de 1944.

Esse período da história foi marcado pela completa ocupação da França pelas tropas de Hitler. Muitos franceses eram resistentes à ocupação, entretanto outros eram passivos à situação e colaboravam com uma das maiores insanidades nazistas: a perseguição ao povo judeu.

Malle deixa esse “caos” todo em segundo plano, e apresenta para o espectador Julien Quentin (Gaspard Manesse), um menino de família rica que é enviado ao colégio Sr. Jean-de-la-Croix. Após suas férias de natal, a vida de Quentin seguia tediosa naquele internato, até que um dia ele conhece Jean Bonnett (Raphael Fejtö), um introvertido garoto que acabara de chegar ao colégio, e aos poucos ambos se tornam grandes amigos. O destino dos meninos será mudado quando a Gestapo aparece no internato procurando por judeus.

Louis Malle constrói com maestria o sentimento daquele garoto e os momentos vividos naquele colégio francês. “Louis Malle está entre os poucos cineastas que lograram fazer uma obra tão brilhante e ao mesmo tempo tão sincera” (fonte: Filmow).

INDICAÇÕES (2 indicações):
- Oscar de Melhor Roteiro Original: Louis Malle
- Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira: Louis Malle

por Rafael Castro
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