quarta-feira, 30 de junho de 2010

Oscar 2006 - Opiniões: Crash - No Limite ou Brokeback Mountain Parte 2


A Academia sempre faz escolhas curiosas. O ano de 2006, em minha opinião, é um dos anos mais estranhos: muitos dos indicados e dos premiados me pareceram desajustados e tive a impressão de que aquela era uma cerimônia com um fim diferente da proposta original dos votantes: premiar aqueles que se destacaram no ano anterior pela qualidade artística de seus trabalhos.

Indicar um filme a oito prêmios para não premiá-lo na categoria principal parece estranho, principalmente se considerarmos que o filme em questão, Brokeback Mountain, era a obra com o maior número de indicações – e também era favorito ao prêmio máximo. Uma das perguntas que me fiz é: os quão imparciais foram os votantes? Eles analisaram apenas o conteúdo artístico e cinematográfico do filme (que inclui roteiro, atuações, direção, fotografia, etc.) ou pesaram o tema do filme (homossexualidade)? Isso talvez não explique muito, afinal, outros filmes, como As Horas, receberam muitas indicações e poucos prêmios e houve ainda aqueles que nem sequer foram premiados, como é o caso de A Cor Púrpura. Como saber, então, o que os membros pensaram exatamente e qual é o padrão de premiação que eles seguem?

Independentemente disso, vou comentar as categorias e expor minhas concordâncias e desagrados em relação aos indicados e premiados. Começarei, então, pela categoria de Melhor Roteiro Original. Concordo com os indicados e também com o premiado, acredito que Crash seja uma obra cujo roteiro interliga bem os pontos do filme e por isso merecia ser premiado. Match Point era um forte concorrente, já que o texto de Woody Allen é realmente elogiável. Partindo para a categoria de Melhor Ator Coadjuvante, creio que a disputa estava entre Jake Gyllenhaal e Paul Giamati. Vale ainda ressaltar que essa indicação a Giamati provavelmente se intensifica por causa do erro que a Academia cometeu ao não indicá-lo no ano anterior, por Sideways. Acho que George Clooney e Matt Dillon estavam corretos apenas. Nem sequer entendi a indicação de William Hurt – me pareceu estranhíssima, considerando que ele é o ator de menor destaque no filme pelo qual foi indicado (Marcas da Violência). A próxima categoria, Melhor Atriz Coadjuvante, me deixa bastante confuso. Acredito que a Academia teve dificuldades com os filmes de 2005, especialmente porque muitas atrizes boas estavam em papéis secundários, o que dificultava a seleção de apenas cinco para integrar a lista das indicadas. Boas atuações, como a Taraji P. Henson, foram deixadas de lado. Isso seria aceitável se considerarmos que são apenas cinco atrizes e não mais a receber a indicação, no entanto se torna incompreensível quando se compara a atuação de Henson com a de Catherine Keener, que definitivamente não é superior, mas, mesmo assim, foi indicada. A disputa, para mim, estava entre Rachel Weisz e Amy Adams, já que ambas as atrizes compuseram boas personagens e as personificaram com bastante afinco. Eu premiaria Adams, mas compreendo que, num ano de questões sociais, a Academia tenha optado por premiar aquela cuja personagem parece mais dramática e notavelmente mais voltada para as causas sociais.

Primeiramente, sobre a categoria Melhor Ator, me questionei o porquê de Gyllenhaal não estar nela. Muito provavelmente a Academia quis dar a oportunidade de os dois atores conquistarem estatuetas. Dentre os atores, a atuação que mais me cativou foi a composta por Heath Ledger e, se fosse eu a escolher para quem o prêmio seria entregue, esse ator ficaria com a estatueta. As atuações de Joaquin Phoenix e Terrence Howard são boas, mas creio que os atores levam vantagens porque seus personagens são homens fortes e de muita personalidade – e, como conseqüência, as atuações deles são notáveis. Talvez a monotonia de Capote tenha feito com que eu não gostasse da atuação de Philip Seymour Hoffman; simplesmente não premiaria. O nome a mais na lista é o de X: sua interpretação em Boa Noite e Boa Sorte parece bem aquém da interpretação dos seus companheiros de indicação. Chega, então, a categoria que exibiu o maior erro daquela cerimônia – erro ainda maior do que Brokeback Mountain ter perdido o prêmio principal: Melhor Atriz. Como preteriram o belíssimo e maravilhoso trabalho de Felicity Huffman em Transamérica pela interpretação apenas correta de Reese Witherspoon em Johnny e June? Só para constar: nem sequer a considero co-protagonista no filme pelo qual concorreu. Para mim, se quisessem indicá-la, deveria ser na categoria Melhor Atriz Coadjuvante. Sobram três atrizes: Judi Dench, na sua melhor atuação já concebida; Charlize Theron, que, como Witherspoon, estava apenas correta; e, por fim, Keira Knightely – e eu nem sequer sei comentar a indicação dela! Considerando todas as atrizes indicadas, considero que pelo menos duas delas poderiam ser removidas. Maria Bello, cujo desempenho é mais do que adequado em Marcas da Violência, merecia ter recebido a sua primeira indicação ao Academy Award.

Restam então duas categorias: Melhor Diretor e Melhor Filme. Não me parece muito racional que o melhor diretor não tenha dirigido o melhor filme, mas sei que é comum isso acontecer na Academia. Vale até citar uma cerimônia que já comentamos, a do ano de 1999, na qual Shakespeare Apaixonado recebeu 13 indicações e o diretor do filme nem sequer foi nomeado! Dos diretores, creio que todos compuseram obras eficientes e, como conseqüência, todos mereciam as suas indicações. O prêmio dado a Ang Lee parece correto e justo para mim. Voltamos à questão levantada no post de abertura e também no começo da minha opinião: que motivo levou a Academia a preferir Crash? Não sei ao certo explicar, pode ser preconceito ou pode ser algo menor ou maior que isso. Só sei que prefiro o filme que aborda a homossexualidade, porque nele vi todos os elementos positivos num filme e ainda a coragem para mostrar algo novo – até imaginei o contraponto que é os personagens de Brokeback Mountain e o famoso cowboy dos comerciais da marca de cigarros Marlboro.

Considerando todos os eventos dessa cerimônia, concluí que concordo com apenas duas das categorias analisadas e, dado o fato do erro absurdo cometido com Felicity Huffman, considero que a cerimônia de 2006 foi uma das mais estranhas, tanto nas indicações como nas premiações.


Oscar 2006 - Opiniões: Brokeback Mountain ou Crash - No Limite? Parte 1


78ª Edição dos Academy Awards. O Oscar de Melhor Filme vai para Crash - No Limite desbancando o até então favorito O Segredo de Brokeback Mountain, levando ainda os prêmios de Melhor Roteiro Original e Melhor Montagem. Episódios como esse não são novidade ao longo da história da premiação, mas, naquele ano, supreendeu, principalmente se levarmos em conta a tônica de ambos os filmes.

Brokeback Mountain, nomeado em oito categorias, foi, antes de tudo, um filme ousado. Os modernosos de plantão, decerto, afirmarão que não há nada demais em algo que há muito deveria ser encarado com naturalidade: o amor entre duas pessoas do mesmo sexo. Concordo. No entanto, temos de convir que filmes como Brokeback raramente atingem o ponto que o longa de Ang Lee alcançou. Ok, Crash é um bom filme. Forte. Oportuno. Mas o que levou os votantes a preferí-lo?

Pouco tempo antes da premiação, me recordo que li, na net, um artigo que falava justamente sobre isso. Especialistas em cinema afirmavam que dificilmente a Academia escolheria para o prêmio máximo, um filme dito mais “liberal” e que Crash seria uma escolha confortável para os homofóbicos.

Na ocasião, Tony Curtis, conhecido astro dos anos 50 e 60, declarou que nem ele nem nenhum de seus amigos tinham o menor interesse em conferir Brokeback Mountain.Nenhum interesse? O que significaria essa afirmação de Curtis? Preconceito - ou quem sabe apenas falta de interesse mesmo? Até que ponto a Academia estaria colaborando com posturas como essa, não premiando O Segredo de Brokeback Mountain?

A questão dá pano pra manga - e pena que o espaço aqui seja limitado para uma discussão mais profunda. Eu, particularmente, prefiro a história dos cáubois que se apaixonam e vivem um romance cheio de idas e vindas, não apenas como trabalho artístico, mas, acima de tudo, como precursor que foi.

Bela chance que a Academia perdeu de fazer História.

* Só para constar: a outra grande injustiça da noite chama-se, para mim, Felicity Huffman. Jamais vou entender a preterirem em função da “correta” Reese Whiterspoon. Se duvida, confira Johnny e June e Transamérica e depois, a gente conversa...


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Essa 78ª edição é uma das minhas preferidas, a maioria dos filmes indicados nesse ano estão na minha lista de favoritos. Não é uma edição perfeita, mas escolher quem merece ser indicado e quem deve levar o prêmio nunca é uma tarefa tão fácil, a cada ano temos inúmeros filmes que merecem estar entre os escolhidos pela academia.

Para começo de conversa, não sei o porque de Fernando Meirelles não ter sido indicado nessa edição. Na minha opinião, ele fez um trabalho fantástico com “O Jardineiro Fiel”, que merecia pelo menos mais essa indicação. Aproveitando que estou comentando sobre direção, Ang Lee, sem dúvida nenhuma, mereceu muito esse Oscar... Foi como uma grande volta por cima do diretor, que antes de Brokeback Mountain dirigiu o péssimo Hulk.

A vitória de Reese Witherspoon é o que menos me agradou em 2006, fico pensando se realmente foi justo ela estar até mesmo entre os indicados. Não tenho nada contra a atriz, mas também não vejo nada de extraordinário em sua atuação em Johnny e June. Não é o caso das outras indicadas, já que gostei do desempenho de cada uma delas. Nunca tinha reparado no lado dramático de Charlize Theron, por isso, até me impressionei quando assistir Terra Fria. Nem preciso comentar sobre Judy Dench, ela sempre está maravilhosa... E Keira Knightley, vejam só, me fez mudar de opinião a seu respeito, já que não gostava tanto dela antes de Orgulho e Preconceito.

Apesar de todas estarem maravilhosas em cena, não tem como pensar diferente, esse Oscar era pra ser de Felicity Huffman. Até então desconhecida, a atriz merecia a vitória mais que qualquer outra das indicadas. Não vejo em sua atuação apenas uma transformação física, mas completa.

No caso de Melhor Ator, apesar de terem esquecido de Ralph Fiennes, foi uma boa disputa. Todos os indicados apresentaram uma ótima atuação, não consigo ignorar nenhuma delas. Concordo com a escolha da academia, Philip Seymour Hoffman incorporou Truman Capote, e superou até mesmo Joaquin Phoenix.

Tirando a presença de Paul Giamatti (que considero um ótimo ator, mas que em A Luta Pela Esperança não está tão bem assim), gosto das escolhas para Melhores Coadjuvantes.

Dentre os cinco indicados na categoria principal, Munique e Capote são os que menos me agrada. Boa Noite e Boa Sorte me surpreendeu bastante, mas minha decisão fica entre O Segredo de Brokeback Mountain e Crash - No Limite. Muito se diz que o filme de Ang Lee não levou o prêmio por puro preconceito. Sério, não consigo ver dessa maneira. Gosto muito de Brokeback Mountian, mas o roteiro de Paul Haggis - junto com a trilha sonora e edição - consegue me emocionar muito mais.

Prefiro pensar que os votantes também escolheram o filme por esse motivo.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Oscar 2006 - Orgulho e Preconceito / Syriana


Adaptação da obra de mesmo nome escrita por Jane Austen, Pride and Prejudice (no original) não poderia ser ignorado pela academia e deixado de fora dessa festa do cinema. Dirigido por Joe Wright (que depois desse fez o ótimo Desejo e Reparação), recebeu quatro indicações na 78 edição do Oscar, incluindo uma de Melhor Atriz para Keira Knightley.

Inglaterra, 1797. As cinco irmãs Bennet foram criada por uma mãe que tinha fixação em lhes encontrar maridos que garantissem seu futuro. Porém Elizabeth deseja ter uma vida mais ampla do que apenas se dedicar ao marido. Quando o Sr. Bingles, um solteiro rico, passa a morar em uma mansão vizinha, as irmãs logo ficam agitadas. Jane logo parece que irá conquistar o coração do novo vizinho, mas quando a jovem Elizabeth entra o charmoso Sr. Darcy, ela acredita que ele seja o último homem na terra com quem ela poderia se casar um dia. Mas, quando suas vidas se tornam entrelaçadas em uma inesperada aventura, ela se descobre cativada pela pessoa que jurou desprezar por toda eternidade.

Como toda adaptação de um livro para o cinema, o roteiro (assinado por Deborah Moggach) apresenta algumas alterações em relação à obra original. Existem vários comentários negativos sobre essa questão, mas, algumas mudanças são sempre necessárias e, na minha opinião, nesse filme são todas bem-vindas.

Joe Wright fez um trabalho excelente, ele sabe como ninguém criar profundidade nos cenários de seu filmes. Um exemplo disso é uma das primeras cenas de Orgulho e Preconceito, onde a câmera - que está seguindo a personagem Elizabeth - entra por dentro da casa, apresenta os outros personagens da história, e depois volta para o lado de fora - onde encontra, novamente, a personagem principal.

INDICAÇÕES:
  • Melhor Atriz
  • Melhor Figurino
  • Melhor Direção de Arte
  • Melhor Trilha Sonora
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Syriana foi indicado em apenas uma categoria no Oscar de 2006, por Melhor Ator Coadjuvante para Geoge Clooney. Nesse ano, Clooney ficou em bastante evidência na mídia. Além de atuar, também passou a trabalhar por trás das câmeras. Fora essa indicação de Ator Coadjuvante, que, aliás, ganhou, foi nomeado também como Melhor Diretor.

Histórias entrelaçadas revelam as consequências de uma rede de conspiração e corrupção na indústria internacional de petróleo. Um funcionário devotado descobre a verdade sobre o trabalho que vem desenvolvendo durante toda a sua vida na CIA. Um negociante de petróleo passa por uma tragédia familiar e encontra redenção numa parceria com um príncipe idealista do Golfo. Um advogado corporativo enfrenta um dilema moral durante a fusão de duas empresaspetroleiras nos EUA. Todos esses personagens envolvidos nesse complexo sistema não têm consciência do impacto de suas decisões sobre o mundo.

O filme, produzido por Clonney, foi dirigido por Stephen Gaghan, e, sem dúvida, possui a trama mais politica dessa edição. O roteiro também é uma adaptação, nesse caso, do livro de memórias do ex-agente da CIA Robert Baer. Um dos destaques desse longa é o elenco, além de George Clooney temos: Matt Damaon, Amanda Peet, Christopher Plummer, Jeffley Wright e os veteranos Willian Hurt e Chris Cooper.

INDICAÇÃO:
  • Melhor Ator Coadjuvante


sexta-feira, 25 de junho de 2010

Oscar 2006 - Transamérica


A maioria dos filmes indicados na 78ª edição do Oscar são independentes, alguns deles nem chegou a ter 30 milhão de dólares de orçamento. Crash - No Limite, por exemplo, custou US$ 6,5 milhões, quantia que para os padrões hollywoodianos é uma mixaria. Mas o filme de Paul Haggis não é o que tem o menor orçamento da lista, Transamérica custou "apenas" 1 Milhão de dólares. Só para vocês terem uma ideia, Munique custou US$ 75 milhões e King Kong - indicado em categorias técnicas - 207 Milhões.

Apesar disso, Transamérica se mostrou uma grande surpresa, maior parte, é claro, devido a interpretação de Felicity Huffman (do seriado Desperate Howsewives), que está fantástica em cena. O longa foi produzido pelo ator William H. Macy, que também ajudou o diretor do filme Duncan Tucker no roteiro. Além da indicação de Melhor Atriz para Feliicity Huffman - que injustamente não ganhou o prêmio -, o filme também foi indicado na categoria Melhor Canção por "Travelin 'Thru"

Transamérica conta a história de Bree, uma transsexual que sonha se tornar uma mulher completa. A um passo da operação que realizará seu desejo, ela descobre ser pai de um garoto de 17 anos. Por ordem de sua terapeuta, Bree vai ao encontro do filho, um jovem envolvido com drogas e prostituição e com um passado tão complicado quanto o dela. Com medo de lhe contar a verdade e sem ter como ignorá-lo, eles embarcam numa viagem que pode mudar suas vidas e revelar a eles mesmos quem realmente são.

Em meio grandes produções, Transamérica conseguiu conquistar seu espaço e hoje possui muitos admiradores, incluindo este que vos escreve.

PERFIL: Felicity Huffman

Felicity "Kendall" Hoffman nasceu em 9 de Dezembro de 1962 em Bedford. Filha de atriz e um banqueiro, Huffman ficou bastante conhecida depois de integrar o elenco da série americana Desperate Housewives, onde contracena ao lado de Theri Hactcher e interpreta a personagem Linette Scavo - papel que lhe rendeu um Emmy.

Além de Desperate Housewives, também fez outros trabalhos na TV: Frasier, The X-Files (No episódio "Terror no Gelo" da primeira temporada), The West Wing e Studio 60 foram alguns deles.

Sua carreira no cinema não muito extensa, Transamérica é seu maior destaque. Também marcou presença nos filmes Um Presente para Helen, Magnólia, Um Natal Muito Louco e Ela é a Poderosa, onde atuou ao lado de Jane Fonda.

Felicity Huffman é casada com o ator William H. Macy (produtor de Trasamérica).

INDICAÇÔES:
  • Melhor Atirz
  • Melhor Canção - Travelin Thru


Sinopse: 2001 vídeo

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Oscar 2006 - Sr. Handerson Apresenta


Esqueça tudo o que você já viu de Judi Dench até então. Em Sra. Henderson Apresenta (Mrs. Henderson Presents, 2005), o papel da atriz não lembra nem um pouco aqueles em que estamos acostumados vê-la.

Baseado em fatos reais, o filme de Stephen Frears narra a história de Laura Henderson, uma das mais excêntricas figuras da sociedade londrina no período pré-Segunda Guerra. Após perder o marido, a senhora Henderson decide comprar um teatro abandonado. Com a ajuda de Vivian Van Damm (Bob Hoskins), empresário teatral desempregado e inspirada pelo Moulin Rouge, monta um espetáculo com... garotas nuas! A casa torna-se um sucesso, evidente, mas logo a Guerra explode. Os dois, então - Senhora Henderson e Van Damm - fazem de tudo para que a casa continue como uma espécie de refúgio, proporcionando momentos de alegria naqueles dias difíceis.

Atenção para as atuações dos dois protagonistas e dos diálogos travados entre eles. E fique ligado numa cena que Hoskins aparece como veio ao mundo e da reação da Senhora Henderson. Fabuloso!

Definitivamente, Stephen Frears em ótima forma!

PERFIL: Judy Dench


Nascida Dame Judith Olivia Dench, Judi Dench é uma premiada atriz de cinema, teatro e tv. É considerada uma das maiores atrizes de sua geração.

Estreou no papel de Ofélia, em Hamlet, em 1957 Em 61, entra para a Royal Shakespeare Company, se apresentando diversas vezes no West End e Royal Theatre.

Ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, em 99, por sua atuação em Shakespeare Apaixonado.

CURIOSIDADES: Você sabia...

... que o filme foi indicado ao prêmio de Melhor Figurino - o que é uma gozado, numa historia que fala exatamente da “falta de roupas”?

INDICAÇÕES:
  • Melhor Atriz
  • Melhor Figurino
Por: Marcelo Antunes

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Oscar 2006 - Capote


Em 2005, a vida do famoso escritor norte-americano Truman Capote foi retratada no filme Capote, cuja abordagem se foca no período de cinco anos em que o autor se dedicou à análise dos homens que assassinaram uma família no Kansas. Desse modo, essa produção narra um período importante na vida de Capote bem como define os momentos que antecedem o seu ápice como escritor.

O personagem-título foi defendido por Philip Seymour Hoffman e parece consenso que a caracterização do ator tornou-o bem próximo daquilo que Capote realmente era. Com função de coadjuvante, Catherine Keener interpretou Nelle Harper Lee, autora que compôs o famoso livro To Kill a Monckingbird (O Sol é Para Todos). A Academia reconheceu nas interpretações dos dois atores qualidades suficientes para indicá-los e, assim, a obra cinematográfica Capote conquistou cinco indicações – inclusive na categoria principal.

PERFIL: Philip Seymour Hoffman

Filho de um ator de teatro, Philip Seymour Hoffman nasceu em Rochester, New York, subúrbio de Fairport em 23 de julho de 1967. Durante o ensino médio, envolveu-se com peças de teatro na escola e graduou-se na Escola de Artes da Univerdade de Nova Iorque em 1989. Seu primeiro papel foi em 1991 e, já no ano seguinte, teve um papel de destaque no filme My New Gun. Depois de passar por vários papéis coadjuvantes, em 1997 ganhou destaque em Boogie Nights, filme de Paul Thomas Anderson. Ele rapidamente se tornou um ícone do cinema indie e participou de filmes como Felicidade (1998), Flawless (1999), A Talentoso Mr. Ripley (1999), Magnolia (1999), Quase Famosos (2000) e State and Main (2000).

Sua consolidação veio no ano de 2006, quando foi indicado e premiado pela sua interpretação como Capote, que lhe rendeu outras muitas nomeações a outros prêmios. Dois anos depois, em 2008, seria indicado como coadjuvante por Jogos do Poder e, em 2009, receberia sua terceira indicação (segunda como coadjuvante) pela filme Dúvida. No teatro, o ator também teve destaque, sendo indicado a dois Tony por suas interpretações na Broadway.

CURIOSIDADES:

- Philip Seymour Hoffman recebeu 23 prêmios pela sua interpretação como Capote;

- Sua atuação é rankeada como a 35ª melhor performance de todos os tempos.

- Como Ator Principal, em 2006, Hoffman (Capote) venceu Heath Ledger (Brokeback Mountain). Em 2008, como Ator Coadjuvante, Ledger (The Dark Knight) venceu Hoffman (Dúvida).

INDICAÇÕES / PRÊMIOS:
  • Melhor Filme
  • Melhor Diretor (Bennet Miller)
  • Melhor Ator (Philip Seymour Hoffman)
  • Melhor Atriz Coadjuvante (Catherine Keener)
  • Melhor Roteiro Adaptado

domingo, 20 de junho de 2010

Oscar 2006 - Munique

1972, Jogos Olímpicos de Munique. Com a participação recorde de 121 nações e mais de 7 mil atletas, aqueles que pareciam ser os melhores jogos de todos os tempos entraram para a história como um dos capítulos mais tristes do Esporte Mundial. Na madrugada de 5 de setembro, cinco intregrantes do grupo terrorista Setembro Negro tomaram a Vila Olímpica, fazendo reféns e assassinando membros da equipe israelita. Os acontecimentos que se seguiram ao fato são o mote de “Munique”, filme dirigido por Steven Spielberg, baseado no livro Vengeance: The True Story of an Israeli Counter-Terrorist Team, de George Jonas, e que foi nomeado em cinco categorias no Oscar 2006.

O governo de Israel incumbe o serviço secreto do país a eliminar os responsáveis pelo massacre dos onze atletas. Avner (Eric Bana) e seus homens são os escolhidos para encontrá-los, estejam onde estiverem. Acontece que, ao longo do filme, o próprio Avner começar a se questionar sobre o sentido da sua missão. Patriotismo? Vingança?

Com um elenco que ainda conta com nomes como Geoffrey Rush e Daniel Craig, Munique é um filme que faz pensar. Atenção para a cena final - se você viu, sabe do que estou falando; se não, trate logo de conferir e depois a gente conversa - alertando que a história não pára. Vira e mexe, ela se repete. Só mudam o cenário e os protagonistas.

PERFIL: Eric Bana

Nascido Eric Banadinović, filho de um croata e uma alemã, Eric Bana tornou-se conhecido na Austrália, sua terra natal, graças à sua veia cômica: durante os anos 90, assumiu o papel de escritor e ator na série Full Frontal, produzindo, anos depois, o Eric Bana Show.

Em 2000, engorda mais de dez quilos e tatuou o próprio corpo para o filme Chopper. Três anos mais tarde, protagoniza Hulk, sob a batuta de Ang Lee. Entre os seus trabalhos, destacam-se Tróia, Bem-Vindo ao Jogo e Star Trek.

INDICAÇÕES:
  • Melhor Filme
  • Melhor Diretor
  • Melhor Roteiro Adaptado
  • Melhor Trilha Sonora
  • Melhor Edição

Por: Marcelo Antunes

sábado, 19 de junho de 2010

Oscar 2006 - Johny e June


Inquestionavelmente, as cinebiografias estão em voga e, a cada ano, vários filmes sobre personalidades famosas são lançados. E essas obras usualmente são bem estruturadas cinematograficamente, o que garante a essas produções pelo menos algumas indicações – e foi exatamente o que aconteceu com Johnny e June. Há nesse filme uma série de qualidades e talvez o seu objetivo máximo tenha sido agradar a todos os fãs dos cantores protagonistas dessa obra.

Como muitos devem saber, Johnny Cash foi um famoso cantor de música country que passou pela experiência de estar no topo e depois no quase absoluto fracasso. O filme aborda a sua vida desde a sua conturbada infância, marcada pela morte trágica do irmão e pelo relacionamento complicado com o pai (que perduraria até a idade adulta), até o seu envolvimento amoroso com June Carter, que teve participação fundamental na reconstrução da vida de Johnny quando este já não conseguia mais se manter sóbrio.

Somente pela trajetória dramática depreendida pela sinopse que eu fiz podemos perceber o quanto a Academia deve ter adorado tal produção. A somar, há o fato de que o filme atingiu não somente a massa popular que tinha como ídolo o cantor como também chegou às elites, o que talvez tenha influenciado um pouco mais a decisão dos votantes a indicar Johnny e June a cinco categorias na 78ª edição do Oscar. Tomando como motivos apenas os fatores intrínsecos como fundamentos para as nomeações aos prêmios, é necessário comentar sobre o desempenho dos atores centrais, que desenvolveram bem os seus personagens e também devo dizer que o filme faz jus à sua temática, sendo portanto uma produção com bastantes músicas que representam os vários momentos da vida do cantor Johnny e de sua companheira June.

Como acontece em algumas ocasiões, os dois atores de destaque – Joaquin Phoenix e Reese Whiterspoon - receberam indicações, respectivamente nas categorias Melhor Ator e Melhor Atriz, o que indica o quanto os seus trabalhos foram valorizados pela Academia, que também indicou o filme às categorias Melhor Figurino, Melhor Montagem e Melhor Som.

PERFIL: Reese Witherspoon
Reese Witherspoon nasceu em 1976 nos Estados Unidos e é filha de um cirurgião e de uma professora universitária. Quando criança morou na Alemanha, onde o seu pai trabalhava para as Forças Aéreas estadunidenses. Uma dos mais curiosos fatos acerca da sua vida se mostra na descendência direta que Reese tem com John Witherspoon – uma figura histórica e muito notável na História dos Estados Unidos, já que assinou a carta de independência daquele país e também fundou a Universidade de Princeton.

Reese, nascida Laura Jean Reese Witherspoon, chegou a cursar Literatura na universidade, mas desistiu do curso para investir na carreira de atriz. Ela tem se destacado não apenas como atriz, mas também como modelo comercial, sendo inclusive a embaixadora da marca Avon, e produzindo filmes, já que é dona de uma produtora, Type A. Reese foi casada com Ryan Philippe, ator que conheceu nos sets de filmagem de Segundas Intenções, de 1999, e com ele tem dois filhos. Separou-se dele em 2006 e pouco depois engatou um romance com Jake Gyllenhall, o qual também não deu certo.

Participou de várias séries de comédia – como a conhecidíssima série Friends – e também marcou presença em muitos filmes, alguns dramáticos, outros cômicos. O seu maior destaque ocorreu quando protagonizou Elle Woods, no famoso Legalmente Loira. A crítica, porém, percebeu os eu talento quando ela concebeu June Carter – a transposição realizada pela atriz foi muito elogiada e ela chegou ao topo de sua carreira naquele ano, quando recebeu o Oscar por sua participação como lead actress. Em 2007, um ano após receber o prêmio máximo do cinema, ela também foi cotada como a atriz mais bem paga e essa sua valorização permanece até hoje

CURIOSIDADES:


- Os próprios Johnny Cash e June Carter aprovaram que os atores Joaquin Phoenix e Reese Whiterspoon os interpretassem no cinema.

- Quase oito anos foram necessários para que o filme pudesse finalmente ser concebido.

- Os dois atores tiveram aulas de canto – e ele também aprendeu guitarra – para que eles mesmos pudessem cantar suas canções no filme.

INDICAÇÕES / PRÊMIOS:

- Melhor Ator (Joaquin Phoenix)
- Melhor Atriz (Reese Witherspoon)
- Melhor Figurino
- Melhor Montagem
- Melhor Som


sexta-feira, 18 de junho de 2010

Oscar 2006 - A Lula e Baleia


A dramamédia "The Squile and the Whale (A Lula e a Baleia)" disputou com Crash, Boa Noite e Boa Sorte, Match Point e Syriana o Oscar de Melhor Roteiro Original em 2006. O filme, produzido por Wes Anderson e dirigido por Noah Baumbach (Margo e o Casamento, Greenberg), traz Jeff Daniels, Laura Linney, Jesse Eisenberg, Owen Kline como membros de uma família em crise.

Ambientado no Brooklyn, em 1986, esse drama aborda, com um realismo extraordinário, os entremeios da família Berkman. Bernard (Jeff Daniels), que já foi um romancista de sucesso, e sua esposa Joan (Laura Linney), uma escritora que começa a desabrochar, já desistiram de seu casamento. Seus dois filhos, Walt (Jesse Eisenberg), de 16 anos, e Frank (Owen Kline), de 12, são deixados à própria sorte, sendo obrigados a lidar com seus sentimentos confusos e conflituosos.

O roteiro aborda o tema de maneira correta e extremamente realística (como a própria sinopse já faz questão de deixar claro), quem já passou pela mesma situação que os irmãos Walt e Frank Berkman, pode perceber isso com maior facilidade. É interessante ver a mudança comportamental dos personagens; quem assiste também pode mudar, constantemente, de opinião sobre eles ao decorrer da história.

Sucesso de crítica quando foi lançado, A Lula e a Baleia e outro - assim como Retratos de Família - filme independente presente na 78ª edição do Oscar. O filme também recebeu indicações ao Independente Spirit Awards e Globo de Ouro, e, além disso, ganhou os prêmios de melhor direção e melhor roteiro dramático no Sundance Film Festival.

PERFIL: Laura Linney

Nascida em Nova Iorque em 5 de Fevereiro de 1964, a atriz Laura Linney iniciou sua carreira na televisão. Em 1992 fez seu primeiro filme, uma pequena participação em O Óleo de Lorenzo. Passou a ser mais conhecida pelo público ao contracenar com Jim Carrey em O Show de Truman, onde interpretou a "falsa" esposa do personagem título.

Atuou em You Can Count on Me (Conte Comigo), onde emocionou muitos pela sua atuação ao lado de Mark Ruffalo, irmão de sua personagem (É impossível se esquecer da tomada final entre os personagens, é de emocionar). Sua performace nesse filme chamou bastante atenção e Laura acabou recebendo nomeações em várias premiações do cinema, inclusive sua primeira indicação ao Oscar.

Entre um filme e outro, ainda encontrou um tempo para se dedicar a TV; em 2001 fez Wild Iris e a minissérie More Tales of the City, e, em 2003 participou de 5 episódios da série Frasier. Todos esses trabalhos resultaram em várias indicações ao Emmy Award - Ganhou duas deles: "Melhor atriz em Minissérie ou Filme" por Wild Iris e "Melhor Atriz Convidada em Série Comédia" por Frasier.

De 2001 até 2008, o destaque em sua filmografia são: A Vida de David Gale, Kinsey: Vamos Falar de Sexo? (recebeu sua segunda indicação ao Oscar por esse), Segunda Chance, O Exorcismo de Emily Rose e A Família Savage; pelo qual recebeu sua terceira indicação ao Oscar.

Seus próximos projetos para o cinema são Morning (O Amanhecer), Sympathy for Delicious, The Detais e The Sum of All Fears. Além disso, Laura Linney também estrela The Big C, nova série da Showtime criada por Darlene Hunt (Will & Grace).

CURIOSIDADES:

- A Lula e Baleia foi rodado em apenas 23 dias;

INDICAÇÃO:
  • Melhor Roteiro Original

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Oscar 2006 - Marcas da Violência


Milbrook, Indiana. Tom Stall, interpretado por Viggo Mortensen, levasua vida junto da esposa e dos filhos até que um assalto muda o rumo do seu destino. Para defender seus clientes, Tom mata o cara que tenta roubar seu restaurante. O povo aclama Tom como o herói da cidade, mas tudo o que o pobre quer é voltar à vidinha pacata de antes. É aí que Carl Fogarty (Ed Harris) atravessa o seu caminho, jurando que os dois têm contas a acertar. Quem é Carl? O que existe entre ele e Tom? Quem é o verdadeiro Tom?

Esse é o mote de "Marcas da Violência", longa dirigido pelo veterano David Cronenberg e que concorreu nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante (Willian Hurt) e Melhor Roteiro Adaptado na 78ªEdição dos Academy Awards.

Baseado numa HQ do mesmo nome, o filme prende a atenção do espectador,mas peca em algumas cenas longas e desnecessárias, como as de brigaque, muitas vezes, parecem coreografadas.

Resumo da ópera: "Marcas da Violência" não é um filme fundamental, imperdível. Mas é correto e cumpre bem o seu papel, principalmente pelas boas atuações de Willian Hurt e da dupla Viggo Mortensen e Maria Bello.

PERFIL: DAVID CRONENBERG

David Paul Cronenberg é canadense, nascido em 1943. Tornou-se conhecido por sua filmografia "body horror" com títulos como A Mosca e Gêmeos, Mórbida Semelhança. Desde bem novo, enviava suas histórias para revistas especializadas em ficção científica.

Não é um diretor que costuma trabalhar com os grandes estúdios de Hollywood, mas seus filmes sempre obtiveram algum êxito. Videodrome -A Síndrome do Vídeo, por exemplo, foi aclamado por Andy Warhol como a"Laranja Mecânica" dos anos 80, servindo como referência para a geração cyberpunk.

Depois fez A Hora da Zona Morta, baseada em obra de Stephen King e o seu clássico dos clássicos "A Mosca". Ganhou prêmios importantes, na década de 90, por filmes como Crash eeXistenZ. "Marcas da Violência" e "Senhores do Crime" são seus dois êxitos durante os anos 2000.

CURIOSIDADES:Você sabia que...

... Marcas da Violência foi um dos últimos filmes de Hollywood lançado em VHS?

INDICAÇÕES:
  • Melhor Ator Coadjuvante
  • Melhor Roteiro Adaptado

terça-feira, 15 de junho de 2010

Oscar 2006 - Match Point


Woody Allen é famoso por compor obras que são valorizadas em vários aspectos – desde a sua composição técnica até a parte artística, sendo que essa é usualmente indicada aos prêmios da Academia. A 78ª edição do Oscar conferiu a produção do famoso diretor e a indicou em uma categoria: Melhor Roteiro Original.

Match Point – cujo original ao qual foi agregado “Ponto Final” – fala sobre um tenista que não joga mais e que, ao começar a dar aulas numa escola, conhece um rapaz muito rico, com cuja irmã começará a namorar. Porém, ao conhecer a namorada do cunhado, Chris Wilton acaba se envolvendo com ela, formando assim um quadrado amoroso, que logo será desfeito de um modo bastante incomum.

Podemos perceber sem esforços que a obra de Woody Allen é voltada para os diálogos. As situações decorrem dos diálogos e das atitudes dos personagens em relação a eles mesmos – desse modo, a correlação entre o pensar, o querer e o fazer são muito bem exploradas em Match Point e talvez seja esse o motivo maior pelo qual a Academia o indicou. Allen trabalhou junto com a sua nova musa, Scarlet Johansson. O ápice do filme está no final, que foi muito bem relacionado com o começo – e a Academia fez bem em indicar Woody Allen pelo seu roteiro.

PERFIL: Woody Allen

Nascido Allan Stewart Königsberg, em Nova Iorque, Woody Allen começou a sua carreira cedo. Adolescente, ele escrevia artigos no jornal e mais tarde freqüentou a universidade, sem se graduar. Como comediante, destacou-se: chegou a gravar um disco, o qual foi indicado ao prêmio Grammy. Desde que teve sua primeira experiência cinematográfica, manteve uma média de um filme por ano até hoje. Seu primeiro filme de grade destaque foi Annie Hall, que recebeu no Brasil o título de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa e aí começou a sua parceira com Diane Keaton, com quem teve um relacionamento.

Woody Allen é muito famoso por lançar atrizes e também por dirigi-las tão bem a ponto de, pelo menos uma atriz de seu filme, ser indicada por sua atuação. Não é uma regra, mas isso acontece usualmente: Diane Keaton, Maureen Stapleton, Dianne Wiest, Jennifer Tilly, Mira Sorvino e, mais recentemente, Penélope Cruz. Ele também é famosíssimo por seus roteiros, tendo sido indicado vários vezes e sendo muito provavelmente um do que mais tem indicações ao Oscar.

Foi casado duas vezes antes de seu relacionamento com Diane Keaton e depois namorou muitas atrizes, às quais concedia lugares de destaque em seus filmes. Por fim, casou-se com Mia Farrow, com quem permaneceu casado até a notícia polêmica de que ele e a filha de Mia relacionavam-se. Com o divórcio, Woody casou-se com Soon Yi, filha adotiva de Mia.

Os cenários de seus filmes são quase sempre Nova Iorque e o seu enfoque é nos diálogos, causando assim um efeito de aproximação com o espectador. Voltou-se para o drama ao compor Melinda e Melinda e depois, em 2005, compôs Match Point, o qual recebeu muitas críticas – sendo indicado a Globos de Ouro e a um prêmio do Oscar. E é também nesse filme que começou a sua relação profissional com a nova Musa, Johansson. Em Scoop, Woddy voltou-se novamente para a comédia e mais uma vez Johansson apareceu em sua obra. Em Vicky Cristina Barcelona, de 2008, o diretor – que não atua na obra – traz mais uma vez a jovem Scarlet Johansson e desta vez o cenário é a Espanha, como fica evidente pelo título do filme.

Vale ainda ressaltar que ele nunca vai às cerimônias da Academia e muitas vezes alegou não pode comparecer porque sua banda de jazz, na qual ele toca clarinete, ia se apresentar em algum lugar.

CURIOSIDADES:

- É o primeiro filme de Woody Allen a ser rodado fora dos EUA;

- É o filme mais longo da carreira do diretor;

- Kate Winslet integraria o elenco do filme no lugar de Emily Mortimer;

INDICAÇÃO:

- Melhor Roteiro Original (Woody Allen).


domingo, 13 de junho de 2010

Oscar 2006 - O Segredo de Brokeback Mountain

Muita gente não viu (alguns por preconceito, outros por falta de informação) mas o filme de Ang Lee é sim interessante, porém muito superestimado.

O que difere Brokeback de outros romances "impossíveis"como Romeu e Julieta ? Somente o fato dos personagens serem dois homens, porque a estrutura narrativa do filme não difere em nada a outras obras mais impactantes.

Dito isso, vejamos: o que faz então de Brockeback Mountain um filme interessante?

Resposta simples e objetiva: Heath Ledger. Foi aqui que as pessoas conluiram que o ator era realmente talentoso. Interpretar alguem que luta com todas as suas forças contra sua própria natureza deve ter sido muito complicado. Um primor de interpretação, sempre sutil fugindo dos excessos e das caricaturas. Por outro lado Gyllenhaal é um ator muito limitado e por mais que se esforce não consegue sair do lugar comum e não convence como homem engajado em ser feliz, parecendo sempre estar choroso e com "raiva" do mundo ao seu redor. O restante do cast principal (as esposas) também vão muito bem: Michelle Williams, num papel contido e muito profundo, tendo que lidar com todos os problemas de seu casamento e ainda sim criar sua família, e Anne Hathaway que pra mim desde esse filme demonstrava ter grande potencial (obs: se não viram, corram para ver O Casamento de Rachel).

E Ang Lee soube fazer de um eventual panfleto uma história simples (mas não simplória) de amor, fugindo do discurso sem sentido (maior problema que vi em Terra Fria, só pra citar um exemplo presente aqui no blog) e apelando, com classe, para o emocional do espectador.

Conseguiu, e você até espera que de uma forma ou de outra os dois acabem juntos, mas em como toda história de amor a tragédia é a vencedora. Brokeback Mountain não é genial, mas não envergonha seu diretor (que ainda tem como seus trabalhos mais fortes: Comer, Beber, Viver, O Tigre e o Dragão [outra história de amor trágica] e Tempestade de Gelo), além de contar com Heath Ledger em momento de profunda inspiração.

Longe de ser um filme desprezível e ruim, mas (na minha modesta visão) longe do panteão dos injustiçados ao prêmio da Academia.

PS: Dentre os cinco indicados o que mais gostei foi Boa Noite e Boa Sorte.

sábado, 12 de junho de 2010

Oscar 2006 - O Jardineiro Fiel


O ano era 2005. O governo brasileiro, em ato inédito em todo o mundo, quebrava a patente de um dos medicamentos mais utilizados no combate à AIDS, o Kaletra. O remédio passaria a ser produzido pelo laboratório da Fundação Oswaldo Cruz para consumo exclusivo do SUS. A briga começou porque o laboratório responsável pela produção da droga não concordou em reduzir o preço do medicamento.

Para os que não têm ideia do peso de uma decisão como essa, vale ressaltar que a indústria farmacêutica movimenta bilhões em todo o globo. É a velha história do Davi contra Golias - uma queda de braço acirradíssima.

Também em 2005, o diretor brasileiro Fernando Meirelles lançava The Constant Gardener (O Jardineiro Fiel, no Brasil), longa baseado no best-seller de John Le Carré, que concorreu nas categorias de melhor roteiro adaptado, melhor montagem, melhor trilha sonora original e que rendeu à Rachel Weisz o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, com uma história que tem mais a ver com o que foi escrito acima do que imaginamos.

Justin Quayle é um diplomata britânico casado com Tessa, jovem ativista que luta pelos direitos dos africanos e que descobre uma trama que envolve a milionária indústria farmacêutica e também grandes nações como a Inglaterra: uma grande multinacional testa seus produtos na população africana sem "conhecer" seus efeitos colaterais. O que a pobre não contava era que o preço de suas descobertas seria alto demais: Tessa é morta. Quayle que, inicialmente, parecia interessar-se mais em seu jardim, disposto a elucidar a morte da esposa, inicia uma investigação e se vê diante de uma verdadeira conspiração internacional.

Com a impecável fotografia do também brasileiro César Charlone - cujo trabalho pode ser conferido em "Cidade De Deus" - o filme é oportuníssimo, focando um tema que, vez ou outra, vem à tona. Como não esquecer do caso da Talidomida que, prescrita para enjoos no início da gravidez, foi responsável por milhares de casos de focomelia (síndrome caracterizada pela aproximação ou encurtamento dos membros junto ao tronco, tornando o portador semelhante a uma foca)?

Para os fãs de cinema político e de um bom drama, O Jardineiro Fiel é imprescindível. Cinemaço. De primeira.

PERFIL: Rachel Weisz

Vencedora de Um Oscar, um Globo de Ouro e indicada ao BAFTA, Rachel Hannah Weisz nasceu em Londres, em 1970, e desde a universidade está ligada às Artes Cênicas. Seu début no cinema foi com Reação Em Cadeia, em 1996.

Depois atuou com Liv Tyler em Beleza Roubada, de Bertolucci, e desde então não parou mais. Em 2005 foi nomeada para o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante e levou a estatueta para casa.

Uma das mais belas atrizes da atualidade, emprestou seu rosto à campanhas do sabonete Lux, num posto que já foi ocupado por nomes como Ursula Andress e Brigitte Bardot.

CURIOSIDADES: Você sabia que...

... Fernando Meirelles não foi a primeira opção para dirigir o filme e que, por pouco, o posto não foi ocupado por Mike Newell, que preferiu dirigir Harry Potter e o Cálice de Fogo?

... inúmeras atrizes foram cogitadas para viver Tessa, como Nicole Kidman - que foi recusada por ser considerada "velha" para o papel?

... a figuração foi feita pelos próprios habitantes de Kibera?

INDICAÇÃOES e PRÊMIOS:
  • Melhor Atriz Coadjuvante
  • Melhor Roteiro Adaptado (Jeffrey Caine)
  • Melhor Montagem
  • Melhor Trilha Sonora Original

Por: Marcelo Antunes

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Oscar 2006: Crash - No Limite


“Eles acham que somos árabes. Desde quando persa virou árabe?”

"Mãe, não posso atender agora. Estou fazendo sexo com uma garota branca"

"Nós nos vestimos como membros de gangue? Parecemos ameaçadores?"

Esses são apenas alguns dos diálogos que vemos em “Crash – No Limite”, e que de cara nos mostra qual é o tema principal do filme: O Preconceito. Dirigido e roteirizado por Paul Haggis, o filme nos apresenta a um certo grupo de pessoas que acabam se esbarrando uma nas outras, e que com suas atitudes acabam interferindo e causando consequências inesperadas para suas vidas.

A história começa com os investigadores Graham Waters ( Don Cheadle ) e Ria ( JenniferEsposito ) na cena de um homicídio. O local está um pouco agitado e ela acaba batendo o carro. Antes de saber o que realmente aconteceu ali, Grahan conta "sua teoria" sobre o porque das pessoas se colidirem umas com as outras em Los Angeles. Segundo ele o que causa isso é a sensação do toque... Sentimos tanta falta disso que acabamos batendo um nos outros, só para sentir algo. Após essa sequência, voltamos para 36 horas antes e começamos a conhecer cada um dos personagens (interpretados por Sandra Bullock, Brendan Fraser, Matt Dillon, Ryan Phillippe, Thandie Newton e Terrence Howard) e assim, toda a história se desenrola até chegar ao ponto onde começou.

Assistindo ao filme não tem como não se lembrar de Magnólia, pois, ambos, são filmes sobre pessoas vivendo e aprendendo com seus problemas. Assim como o filme de Paul Thomas Anderson, Crash também possui cenas de grande impacto: a mais emocionante e inesperada de todas é quando uma garotinha pula no colo do pai para protege-lo de um tiro.

Além de ser a grande surpresa do ano nas bilheterias americanas, o filme também acabou saindo como o maior prêmio do cinema na noite de entrega do Oscar. O filme de Ang Lee - BrockbackMountain - era o favorito ao prêmio naquele ano, por isso, a vitória de Crash gerou uma grande polêmica e muitos debates.

Crash- No Limite é uma visão única e intensa sobre um dos maiores problemas da nossa sociedade. É o tipo de filme que você pode assistir várias vezes, e mesmo assim, irá observar coisas novas em cada uma delas.

PERFIL: PAUL HAGGIS

Paul Haggis começou sua carreira na TV, onde foi roteirista de The LoveBoat, One Day a Time e The Facts of Life. Também foi um dos criadores de Family Law e Texas Ranger, famosa série policial que trazia Chuck Norris como protagonista.

Nascido em Londes em 10 de Março de 1953, Paul Haggis é, atualmente, um dos melhores roteiristas de Hollywood. Seus filmes mais recentes são uma prova disso, podemos citar como principal exemplo o ganhador do Oscar "Menina de Ouro", que nos apresenta um roteiro fantástico. Esse foi seu primeiro trabalho no cinema, que, aliás, lhe rendeu também sua primeira indicação ao Oscar como roteirista.

Após sua primeira parceria com Clint Eastwood, Haggis optou por ter sua primeira experiência como diretor. Crash estreou, conquistou seu espaço, e conseguiu várias indicações na 78ª Edição do Oscar. Paul não conseguiu o prêmio de Melhor Diretor, mas ele e sua equipe levaram para casa a estatueta de Melhor Filme, Melhor Roteiro e Melhor Montagem.

Em 2006, foi roteirista de A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima - filmes dirigidos por Clint Eastwood que mostram diferentes pontos de vista sobre a 2ª Guerra Mundial. Outros trabalhos recentes que também podemos citar são: Quantum of Solance, No Vale das Sombras e Exterminador do Futuro - A Salvação.

Atualmente, Haggis mora em Santa Monica e esta envolvido em vários projetos, entre eles estão: Coal River, Rangers Apprentice (adaptação de uma série de livros de fantasia, ao estilo Harry Potter) e The Next Three Day, que está em pré-produção e conta com Elizabeth Banks, Russel Crowe e Olivia Wild no elenco.

CURIOSIDADES:

- Crash foi o último filme ganhador do Oscar de Melhor Filme lançado em VHS e o primeiro em Blu-ray.

- Paul Haggis usou seu carro e sua própria casa nas filmagens.

- O filme gerou uma série de TV com 13 episódios exibida pelo canal Starz.

INDICAÇÕES E PRÊMIOS:
  • Melhor Ator Coadjuvante (Matt Dillon)
  • Melhor Montagem (Hughes Winbone) Melhor Canção Original
  • Melhor Roteiro Original
  • Melhor Diretor
  • Melhor Filme


terça-feira, 8 de junho de 2010

Oscar 2006 - A Luta pela Esperança


Cinderella Man (titulo original de Luta pela Esperança) trata da história real de um boxeador que no fundo do poço tem uma segunda chance de realizar seu sonho dentro dos ringues. Lindo não? Quanta vezes você já viu esse filme antes? Uma dúzia de vezes no mínimo, imagino.

E porque filmes assim funcionam as vezes? Por que são bem feitos. Por que somos seres humanos que gostam de verem representados na tela sonhos e gente vitoriosa, que "rala" para conseguir realizá-los. Por que no fundo todos temos sonhos, medos e dificuldades e uma boa história de superação sempre nos comove.

Esse ano tivemos Um Sonho Possível, filme mediocremente realizado mas que tinha essa idéia: um filme de superação, um "feel good movie".

Em 2005, o filme de superação indicado ao Oscar era Luta pela Esperança, estrelado pelo "gladiador" Russel Crowe, Renée Zellweger e o sempre subestimado Paul Giamatti. A direção é de Ron Howard, um diretor que não marca a vida de ninguém, mas que tem alguns trabalhos interessantes no currículo.


O que não funcionou em Luta pela Esperança? A tentativa quase desesperada em emocionar o espectador a cada segundo, que surge como galhofa. É exagerada a intenção de seu diretor em transformar seu personagem num herói mítico, um Aquiles de luvas em punho. Alguém que luta por uma classe, por sua família e por seu sonho. Nem mesmo Crowe, um ator regular em seus trabalhos, consegue algo melhor com um roteiro tão tolo. Renée Zellweger mais uma vez mostra que para ela atuar significa franzir a testa e fazer bico e apenas Giamatti convence como o obscuro (historicamente) treinador de Braddock.

Por ser baseado em fatos reais, quase sempre os tais "fatos" são romanceados de tal forma que cada dia da vida do personagem parece uma luta incessante (sem trocadilhos com a profissão do personagem) sempre no fio da navalha.

Talvez esteja ficando cada vez mais chato, mas não me convenço mais com os heróis reais que Hollywood vende aos borbotões.


segunda-feira, 7 de junho de 2010

Oscar 2006 - Retratos de Família


Imaginem a seguinte situação: um filme independente é produzido sem grandes pretensões, visando apenas ser visto pelas pessoas e, talvez, conseguir ser enquadrado na categoria de “bom filme”. Ao contrário de suas expectativas, chega às salas onde os membros da Academia conferem o filme e ele acaba consagrado com uma indicação. Pois é praticamente isso que aconteceu com Junebug, cujo título original faz referência à maneira como uma personagem usa para falar sobre a filha que nascerá.

O título nacional, por sua vez, parece mais próximo da abordagem do filme, já que fala sobre a visita de um casal a casa dos pais dele, onde conviverão com a introversão da mãe, o distanciamento do cunhado, a aparente indiferença do pai e a extrema receptividade da cunhada. Em meio a conflitos de personalidade, os personagens revêem memórias, antigos problemas, assuntos mal resolvidos.

Todos os personagens do filme têm destaque no roteiro, mas apenas uma atriz se destaca quanto à interpretação: Amy Adams. De um modo bastante charmoso, a atriz faz com que Ashley se torne o foco dos olhos do espectador. Seus sorrisos espontâneos, seu olhar tenro e o seu jeito desengonçado de querer sempre estar por perto fez com que a Academia também se rendesse aos seus encantos e a indicasse como Melhor Atriz Coadjuvante, sendo essa a única categoria em que o filme concorreu.


PERFIL: Amy Adams

Amy Lou Adams nasceu na Itália, onde o seu pai servia o governo estadunidense. Quando criança, ela chegou a cantar no coral da igreja (foi criada sob a religião mórmon) e também tinha aula de dança, já que seu sonho era ser uma bailarina. Mais tarde, trabalhou na GAP entretendo pessoas e também como recepcionista.

Depois de machucar um tendão, o que a impossibilitou de continuar dançando, Amy conseguiu uma participação num filme e mudou-se para Los Angeles, onde, incentivada por Kirstie Alley, fez testes para uma personagem num outro filme, uma prequel da quinta adaptação de Dangerous Liaisons: Segundas Intenções 2. Depois, conseguiu um papel bem maior no filme Prenda-me Se Puder, no qual contracenou com Leonardo DiCaprio. Ao investir em aparições mal sucedidas na televisão, Amy ficou por quase um ano sem receber convites para trabalho.

No ano de 2005, Amy integrou o elenco de um filme independente – Retratos de Família -, o qual conquistou grande atenção exatamente pela sua participação. Por esse filme, foi indicada a vários prêmios. Tendo atraído a atenção para si, o ano seguinte à sua indicação ao Oscar lhe rendeu mais um bom trabalho: Encantada. Como a princesa Giselle, Amy encantou a muitas pessoas e também encantou ao Globo de Ouro, que lhe indicou como Melhor Atriz em Comédia/Musical. Nos anos subseqüentes – 2007 e 2008 –, respectivamente, Amy participou de Jogos do Poder e A Vida Num Só Dia, outro filme independente. Ainda em 2008, Amy fez Dúvida, onde interpretou Irmã James e, mais uma vez, foi indicada ao Oscar como Melhor Atriz Coadjuvante (em 2009), juntamente com sua colega de elenco Viola Davis. Na comédia Uma Noite no Museu 2, Amy interpretou a verídica Amélia Earheart, a primeira mulher a cruzar o oceano atlântico num avião. Nesse ano, Amy está no elenco de mais dois filme, que ainda não foram lançados no Brasil: The Fighter e Leap Year.


CURIOSIDADES:
- Os quadros exibidos no filme como sendo de autoria do personagem David Wark são na verdade da artista Ann Wood.

- Retratos de Família recebeu 16 prêmios e foi indicado a outros 11 prêmios.

- Amy Adams recebeu 11 prêmios por sua atuação nesse filme e muitos críticos dizem que o Oscar de 2006 deveria ter sido seu em vez de ir parar nas mãos de Rachel Wiesz em O Jardineiro Fiel.

INDICAÇÃO:
- Melhor Atriz Coadjuvante (Amy Adams)

sábado, 5 de junho de 2010

Oscar 2006 - Boa Noite e Boa Sorte


Em março passado, o Luís, em sua resenha sobre o filme "Testa De Ferro Por Acaso", traça um panorama do que foi o marcatismo - movimento de patrulha anticomunista, compreendido entre fins dos anos 1940 e meados dos 1950, nos Estados Unidos: "(...) Com esses temores, começou uma caçada às bruxas: todos de quem suspeitassem eram punidos de algum modo, perdendo os seus direitos civis. Uma vez suspeitos, tornavam-se alvos de agressivas investigações. Muitas figuras conhecidas foram perturbadas, desde funcionários públicos até grandes nomes do cinema."

É nesse contexto que somos apresentados a Edward R. Morrow, protagonista de "Boa Noite e Boa Sorte", longa dirigido por George Clooney - que também atua, no papel de Fred Friendly, braço direito de Morrow - e que concorreu nas categorias de Melhor Filme, Melhor Roteiro Original, Melhor Direção, Melhor Fotografia e Melhor Ator (David Strathairn). O ano é 1952 e o âncora de TV do programa da CBS, "See It Now", resolve enfrentar o senador Joseph McCarthy, provando as arbitrariedades de sua "caça às bruxas". Para os que não sabem, Morrow é considerado um dos grandes jornalistas de todos os tempos.

O filme, em muitos momentos, ganha ares de documentário, ainda mais pelo uso de imagens de arquivo e da bela fotografia em preto e branco. Clooney teve uma ótima sacada quando optou por não escalar nenhum ator para interpretar McCarthy e, sim, usar imagens de arquivo do falecido senador.

"Boa Noite e Boa Sorte" nos mostra o quão complicado é manter a chamada liberdade de opinião num tipo de mídia como a TV que, como todos sabem, tem seu principal sustento nos patrocinadores. É o tipo de filme que, além de entreter, nos faz pensar. Ponto para George Clooney.


PERFIL: David Strathairn


David Strathairn nasceu em 1949, filho de médicos e, desde cedo, demonstrou interesse pelo teatro. Segundo sua biografia, durante a juventude, juntou-se a um grupo de teatro mambembe, trabalhando, inclusive, como palhaço, durante meses, em um circo.

A filmografia de Strathairn inclui filmes como UM BEIJO ROUBADO, AS CRÔNICAS DE SPIDERWICK, ULTIMATO BOURNE, UMA VIDA EM MINHAS MÃOS, entre outros.



quinta-feira, 3 de junho de 2010

Oscar 2006 - Ritmo de um Sonho


Dirigido e roteirizado por Craig Brewer, Hustle & Flow (título original) nos apresenta a DJay; cafetão e traficante de drogas que se encontra em uma crise existencial. Insatisfeito com sua vida, resolve tentar realizar um antigo sonho: Se tornar um rapper famoso. Quando reencontra seu amigo Key (Anthony Anderson) e descobre que ele é técnico de som, DJay percebe aí sua chance de gravar sua fita demo. Mas essa é parte mais fácil, porque o complicado é conseguir colocar essa demo em circulação.

Terrence Howard está excelente, seu personagem apresenta uma complexidade enorme. É possível perceber isso pelos seus diálogos, como por exemplo na primeira cena do filme, onde Djay faz uma análise sobre as semelhanças e diferenças entre "homens" e 'cachorros". Mas, ele não é o único que está bem no filme, o elenco de apoio - principalmente Taryn Manning (Nola) e Taraji P. Henson (Shug) - também consegue conquistar seu espaço.

Rap é um gênero musical que você não gosta e, por isso, até hoje não assistiu o filme Ritmo de um Sonho? Acha que, pelo poster, parece ser mais um filme ao estilo "Velozes e Furiosos"? Caso sua resposta para essas perguntas seja um "Sim", só posso dizer uma coisa: Vale a pena deixar o preconceito de lado para conferir as atuações e os diálogos de Ritmo de um Sonho. Além de uma mensagem bacana, é isso que o filme apresenta de melhor.


PERFIL: Terrence Howard

Terrence Howard iniciou sua carreira como ator na TV. Seu primeiro trabalho foi em "The Jacksons: An American Dream" - minissérie sobre os primeiros anos do grupo Jackson Five - onde interpretou Jackie Jackson. Três anos depois continuava a fazer pontas em seriados, mas também fez seu primeiro filme: Mr. Holland's Opus.

2006 foi o ano que mudou a vida desse ator e cantor americano. Até então meio desconhecido, foi depois de "Crash - No Limite" e "Ritmo de um Sonho" que começou a chamar atenção dos críticos e do público. Isso sem contar que recebeu uma indicação ao Oscar. Não ganhou o prêmio, mas ser indicado já é um grande feito.

Seus últimos trabalhos são: Homem de Ferro (foi substituído por Don Cheadle no segundo filme), A Princesa e o Sapo (Voz) e Little Murder; um suspense sobrenatural que estreia em Novembro nos Estados Unidos.

INDICAÇÕES:
  • Melhor Ator (Terrence Howard)
  • Melhor Canção Original (It's Hard Out Here para um Pimp)

Oscar 2006 - Terra Fria


Terra Fria é uma história panfletária e que levanta bandeiras, no caso contra o assedio sexual que uma mineradora (Charlize Theron) sofre em seu local de trabalho. Defender posições em contraste a apresentar uma narrativa pode causar problemas se o idealizador do projeto e equipe não consigam fugir apenas do discurso.

Não que o discurso seja inválido, mas o discurso pelo discurso é cansativo, professoral e maçante e esse é principal problema desse filme.

Terra Fria se concentra tanto em "mostrar a causa" que esquece que no meio disso, ainda existe uma história para contar.

A diretora Niki Caro age mais como uma manifestante em protesto do que como diretora. Soa irritante quando pela enésima vez um homem é mostrado como um canalha e aproveitador. Ok, é a Charlize Theron, mas mesmo assim, é impossível acreditar que todos ali só querem se aproveitar da mocinha.



Para piorar, as mulheres são representadas como "mulas caladas", que não se impõem diante dos fatos. Em cada frame a diretora parece querer reforçar essa situação: os homens não prestam e as mulheres são submissas.

O discurso e a denúncia não funciona, e Theron conseguiu sua indicação, pois a sinopse parecia indicar que Terra Fria era um tipico filme de Oscar. História de gente sofredora, que vence na vida conseguindo superar as adversidades, e como ela é uma estrela, fica bem indicar uma musa fazendo papel de "gente comum". McDormand também conseguiu uma indicação, mas uma vez apoiada pelo "lobby" do tema, já que não vi nada demais em sua performance.

Terra Fria é esse frankenstein que tenta denunciar uma situação asquerosa, mas se perde ao achar que no meio do caminho a história dessas pessoas poderia ser esquecida.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Oscar 2006 - Abertura


As cerimônias do Oscar normalmente são memoráveis por alguns acontecimentos marcantes: às vezes por causa do humor dos apresentadores, ou então por causa do discurso emocionado de um vencedor – o mais comum é serem relembradas por alguma injustiça em relação a algum filme.

Primeiramente, devemos ressaltar o quão abrangente a 78ª edição foi: nomeou filmes de várias temáticas e de vários status, tanto superproduções como também filmes independentes. Pode-se dizer que a cerimônia de 2006 foi bastante marcante quanto à receptividade em relação aos enredos sociais – o racismo estava presente em Crash; a homossexualidade apareceu em Brokeback Mountain; a perseguição implacável aos que eram tidos como comunistas no filme Boa Noite, Boa Sorte. Quanto aos filmes independentes, devem-se citar Transamérica (em cujo plano de fundo é mostrado um distúrbio psicofísico – a transexualidade) e Retratos de Família, ambas as obras indicadas em categorias de atuação. A somar, há ainda mais uma das várias indicações a Woody Allen; Spielberg e o filme Munique foram nomeados; George Clooney foi duplamente indicado – como ator coadjuvante e como diretor; o brasileiro Fernando Meirelles e o seu filme O Jardineiro Fiel, que rendeu uma estatueta a Rachel Weisz.

O maior destaque do Oscar 2006 – retomando o primeiro parágrafo – foram as escolhas feitas pela Academia e a maior surpresa se deveu ao fato de que o favorito da noite – Brokeback Mountain, indicado a 8 prêmios – foi preterido em função de Crash, cuja temática social era forte e apropriada, mas não chegava a ousar e a impressionar como a obra de Ang Lee fizera. Vale ainda comentar sobre as obras Transamérica e Capote (cujos protagonistas são respectivamente um transexual e um homossexual), que também abordavam assuntos de caráter sexual. Percebemos que a Academia indicou vários filmes desse tema; premiou, no entanto, apenas um ator pela sua interpretação como gay. Curiosamente, concedeu a Ang Lee – justamente aquele que nos trouxe uma obra sobre cowboys gays – o prêmio de Melhor Diretor. Premiar Ang Lee e Philip Seymour Hoffman seria uma forma de reparação por não ter valorizado devidamente a suposta grandiosidade de Brokeback Mountain, que falava aberta e diretamente sobre a relação entre dois homens?


É curioso notar que a Academia promoveu justamente aquilo a que ela se opõe: o preconceito. Indicar um filme a 8 prêmios e recusar-se a premiá-lo com o prêmio máximo – especialmente quando os seus concorrentes não eram tão fortes a ponto de competir verdadeiramente – seria uma amostra de que os membros votantes, ou seja, a Academia em si, não estão maduros o suficiente para admitir que um filme seja bom independentemente do seu tema central? De que forma a escolha da Academia teria modificado o pensamento da massa – que vê Brokeback Mountain com olhos desconfiados – se ela tivesse lhe dado o Oscar de Melhor Filme?

É claro que o nosso principal questionamento é a respeito dessa atitude da Academia, mas também buscaremos apresentar os nossos pareceres acerca das outras sete categorias que avaliaremos e, ao final do mês, nos dias 29 e 30, vamos expor as nossas conclusões acerca da cerimônia de 2006.

Por:Luís Adriano
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