segunda-feira, 30 de abril de 2012

Oscar 2002 - Opiniões (Parte 3)

A mestre de cerimônias Whoopi Goldberg no seu número de abertura, antes de
lançar comentários cômicos, como a sugestão de que até Ingmar Bergman se sentiria
depressivo se assistisse ao filme "Íris"

Essa edição de 2002 do Oscar foi realmente peculiar. Como os colegas do grupo já haviam dito, ela ficou marcada por ser a primeira edição após o ataque do 11 de setembro, a primeira em que dois negros levaram a estatueta do principal prêmio de atuação, a marcante presença de Woody Allen jamais visto até então em cerimônias da academia, o prêmio honorário para Sidney Poitier e todos esses fatos fizeram com que esta edição fosse a mais demorada de todos os tempos com mais de quatro horas de duração. E é importante ver como os americanos se unem nesses momentos difíceis, exemplo disso: a presença marcante de Allen fazendo um discurso em homenagem a cidade de Nova York, deixando aquela festa ainda mais peculiar.

O que interessa mesmo são os filmes e, nessa edição, apesar do grande contexto social que estava em torno da premiação, me surpreendi com os memoráveis títulos que pude contemplar ao longo desse mês. Acredito que 90% dos filmes analisados desta edição me agradaram por motivos diferentes, como uma boa atuação (“Íris” e “Uma lição de Amor”), um roteiro diferenciado (“Amnésia” e “Assassinato em Gosford Park”), o surgimento de um grande vencedor (“O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel”), o carisma da personagem (“O Diário de Bridget Jones”), dramas que fazem a gente pensar (“A Última Ceia” e “Entre quatro paredes”), um filme tecnicamente perfeito (“O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”), os preferidos do público (“Moulin Rouge – Amor em Vermelho” e “Uma Mente Brilhante”), o trabalho de um gênio (“Cidade dos Sonhos”), enfim algumas dessas descrições é a simples forma de ver a qualidade dessa edição.

A lista de indicados estava muito rica quase que em todas as  categorias e em muitas deles escolher um favorito ou um vencedor não foi tarefa das mais fáceis. Em minha opinião Sean Penn e Russel Crowe foram os melhores, mas não podemos deixar de reconhecer que Denzel Washington teve um desempenho grandioso e a Academia soube reconhecer. No prêmio de Melhor Atriz, tivemos cinco nomes impecáveis em seus papéis, realmente uma escolha difícil; talvez eu ficasse com a maravilhosa interpretação de Nicole Kidman, mas, apesar de não ser tão fã da Halle Berry, é notória a beleza e força que ela desenvolveu em seu personagem para ganhar a estatueta. Não posso deixar de citar os nomes de Renée Zellweger, Judi Dench e Sissy Spacek. Como coadjuvantes, o prêmio foi mais do que merecido para Jim Broadbent e para o maravilhoso personagem vivido por Jennifer Connelly.

Não sou muito de contestar os prêmios da academia, sei da importância desse prêmio, mas sei também que muitos filmes, mesmo sem a estatueta, ficam marcados para sempre na história do cinema. Um bom exemplo disso são “Amnésia” e “Cidade dos Sonhos”. Apesar de ter gostado muito do roteiro de “Assassinato em Gosford Park”, acredito que não foi superior à história contada por Christopher Nolan. As duas histórias não são novidades, mas a forma de as contar as fazem diferentes e nesse quesito Amnésia sem duvida foi superior. Falando de direção, a Academia esta em débito com Lynch há muito tempo. Desde 1980, quando foi indicado ao prêmio por “O Homem Elefante”, David Lynch já deveria ter vencido este Oscar. Nessa edição, ele volta à disputa com mais um de seus magníficos trabalhos, deixando qualquer espectador com a cabeça revirada e cheia de perguntas sem respostas após a contemplação de Mulholland Drive. Acredito que essa derrota tenha sido mais mercadológica, haja vista que o filme não teve uma boa bilheteria e Lynch faz grandes críticas à própria indústria cinematográfica de Hollywood. Mas como isso não me interessa, criar uma história tão peculiar, diferente, utilizando a linguagem onírica e fazer com que o espectador busque suas próprias respostas, só pode ser feito por um mestre dessa arte, e Lynch é esse cara.

No mais, a vitória de  “Uma mente Brilhante” como melhor filme foi incontestável, uma história emocionante, superação do personagem, grandes atuações, um filme realmente feio para vencer o Oscar. O trabalho da equipe de Ron Howard foi magistral. Essa edição da Academia, acredito que tenha sido uma das mais ricas que já pude ver e traz consigo, sem dúvida, títulos que já estão marcados na história da sétima arte.

por Rafael Castro

domingo, 29 de abril de 2012

Oscar 2002 - Opiniões (Parte 2)


Woody Allen na única vez em que foi à cerimônia: "continuemos a fazer filmes".
Foi essa a mensagem do diretor em referência à tragédia recente enfrentada.

O Oscar 2002 aconteceu no dia 24 de março de 2002. Foi a primeira cerimônia realizada, no Kodak Theatre, em Hollywood, mais precisamente seis meses após um dos momentos definidores da história recente dos Estados Unidos: os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, em Nova York. Após este acontecimento, puderam ser notadas diversas mudanças na indústria cinematográfica norte-americana, que passou a ressaltar o seu papel de válvula de escape da população e, principalmente, de forma de arte que tenta compreender a sociedade e o mundo no qual estamos inseridos.

A noite mais importante do cinema, em 2002, também foi um reflexo direto dessa conjuntura. Tom Cruise, em um monólogo escrito por Cameron Crowe, tentando convencer os espectadores a acreditar novamente na magia do cinema, uma arte que tem o poder de reunir as pessoas em torno de algo. Uma montagem dirigida pelo documentarista Errol Morris cruzando a América, falando com as pessoas comuns, perguntando a elas o que o cinema significava para elas. Tudo, nessa noite, enfim, girou sobre a importância do cinema, notadamente o americano, em sua forma clássica, no papel fundamental que exerce para o mercado da indústria cinematográfica, como fundador das bases nas quais a indústria se ergueu.

Por incrível que pareça, o Oscar 2002 não é lembrado por essa intenção, mas sim como o show de premiação no qual um fato inédito e histórico aconteceu (e não estamos falando do fato de que esta é a cerimônia mais longa de todos os tempos, com 4h21min de duração), afinal foi nesta noite em que tivemos, pela primeira vez na história da premiação, a vitória de dois atores negros nas principais categorias de atuação. Denzel Washington conquistou a sua segunda estatueta pela performance como o policial corrupto de “Dia de Treinamento” e Halle Berry se tornou a primeira atriz negra a vencer o Oscar da categoria pela belíssima atuação em “A Última Ceia”. Para completar o triunfo desses dois atores, ainda tínhamos Sidney Poitier (o primeiro ator negro vencedor do Oscar da categoria pela performance em “Uma Voz nas Sombras”, de 1963) ganhando um Oscar honorário pelo conjunto de sua obra profissional.

Coincidências à parte, o Oscar 2002 foi um dos shows de premiações mais interessantes dos anos recentes, com ótimas montagens (destaque para a rara aparição de Woody Allen apresentando uma montagem dirigida por Nora Ephron em homenagem aos filmes produzidos na cidade de Nova York e ao tributo feito por John Williams em homenagem às trilhas sonoras mais clássicas do cinema) e momentos deveras inesquecíveis, que, de uma forma ou de outra, acabam ressaltando justamente o mote principal do show desse ano: marcar - e reforçar - a ideia de que o Oscar estava voltando para casa (a cidade de Hollywood, capital da sétima arte) depois de mais de 40 anos. 

por Kamila Azavedo

Uma das brincadeirinhas da Academia: como 2002 foi o primeiro ano em que se
premiou um filme de animação numa categoria específica, nada mais simpático que misturar os
personagens do filme vencedor junto com o público, que aplaudiu o ogro e o burrinho do filme "Shrek"
PSICOLOGIA REVERSA: EVOLUÇÃO DISFARÇANDO RETROCESSO
Quando penso na septuagésima quarta edição do Oscar, antes mesmo de pensar na qualidade dos filmes indicados e dos filmes vencedores, inequivocadamente penso no fato de que Denzel Washington e Halle Berry venceram nas categorias principais de atuação; Whoopi Goldberg apresentou a cerimônia e Sidney Poitier foi o ator homenageado com o prêmio honorário devido a sua “[...] extraordinary performances and unique presence on the screen and for representing the industry with dignity, style and intelligence”. O que eles todos têm em comum: são negros. O que a cerimônia têm de incomum: negros não costumam ser laureados, muito menos é usual que mais de negro tenha presença marcada tão fortemente numa cerimônia.
 Aí fica a grande a questão: os holofotes voltados para esses intérpretes se referiam à qualidade de seus trabalhos nos filmes específicos pelos quais concorreram; pelas suas filmografias, de um modo geral; ou, ainda, para fazer justiça com os poucos negros que foram indicados e, não por menos, pelos pouquíssimos que ganharam? Em seu texto, Marcelo disse algo que é interessante: os filmes não foram tão marcantes. Talvez o mais chamativo seja “Cidade dos Sonhos”, que rendeu uma única indicação a David Lynch como Melhor Diretor, justamente por causa das suas particularidades que fazem do filme uma obra de referência. Também “Moulin Rouge – Amor em Vermelho”, que reavivou o gênero musical e notadamente se difere dos outros indicados pelo seu arrojo fílmico, sua extravagância que, felizmente, não o torna exagerado.
Quanto a Halle Berry, igual ao Levi, não a considero grande atriz, não tenho grande interesse em suas atuações – mas inegavelmente “A Última Ceia” é o seu grande momento cinematográfico. Aliás, todas as atrizes indicadas estavam num momento excepcional, desde Sissy Spacek, que é mais coadjuvante do que protagonista, até Renée Zellweger, cuja personagem é firmemente defendida por uma atriz que apresenta boas nuances entre o cômico e o dramático. Quanto a Nicole Kidman, um verdadeiro espetáculo no filme pelo qual foi indicado, trata-se de uma das interpretações que mais me cativam, mas ainda assim acho que ela e Berry, qualquer que ganhasse, não seria injusto. Elucidado o caso quanto às atrizes, vêm os atores: a minha impressão é que Denzel Washington venceu justamente para fazer par à atriz vencedora, porque, ainda que muito boa, a sua interpretação como o extrovertido Alonzo Harris me soa inferior à interpretação de Rusell Crowe como o introvertido John Nash.
“Uma Mente Brilhante” é um filme de Oscar, desses bem calculados para levar o prêmio principal, o que acabou acontecendo. Conhecemos o conservadorismo da Academia, era se de supor que o filme mais reacionário (ainda que eficiente em sua carga dramática) ganhasse o prêmio principal. Nem mesmo a ostentação dos efeitos especiais em “O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel” o tornam menos reacionário nem o grand finale de “Entre Quatro Paredes” fazem dele mais inovador, apesar de os atores realmente surpreendem do começo ao fim, em especial Marisa Tomei notadamente mais interessante que Jennifer Connelly. Para mim, o grande vencedor da noite seria o filme de Baz Luhrmann, o musical com Nicole Kidman, muito mais pungente que o regrado e cartilhado filme de Ron Howard, cujo Oscar conquistado pareceu apenas reforçar a intenção da Academia de assegurar que Hollywood não fugisse ao controle, principalmente após o 11 de Setembro.
Fico pensando no quanto os ataques do ano anterior influenciaram a cerimônia de 2002. Até mesmo Woody Allen, que nunca compareceu a um evento de premiação da Academia, estava presente. Penso que, em grande parte, as escolhas da Academia tenham sido, mais do que por merecimento (ainda que em alguns casos houvesse assimilação entre o prêmio e a qualidade artística), por moralismo controlador, basta observar as características do vencedores, desde a filosofia do “amor salva tudo” em “Uma Mente Brilhante” até a queda da corrupção na figura de Alonzo Harris em “Dia de Treinamento”. Ao começar a analisar a 74ª edição do Oscar, pensei que a grande discussão seria a questão do racismo disfarçado, mas terminei com a sensação de que o problema foi a valorização do moralismo.
por Luís Adriano de Lima

sábado, 28 de abril de 2012

Oscar 2002 - Opiniões (Parte 1)

Em 2002, o Oscar voltou a ser apresentado em Hollwyood.
Como disse na opinião final do mês passado, estava muito empolgado com esse mês de abril aqui no UOPM analisando esse ano de 2002. O motivo disso é que, ao olhar a lista dos indicados, alguns dos filmes que se encontram em minha lista de preferidos foram indicados esse ano. Na categoria de Melhor Filme tivemos temáticas para todos os gostos, de musical a mitologia. Apesar de ter uma queda por “Moulin Rouge – Amor em Vermelho” e ter grande apreço pelo primeiro filme da saga “O Senhor dos Anéis”, pensando friamente não esperaria que eles ganhassem do marcante “Uma Mente Brilhante”.

Mas talvez a grande questão da edição tenha sido se Denzel e Halle realmente mereceram a premiação ou foi apenas uma oportunidade que a Academia encontrou para prestar uma homenagem aos negros. Sendo sincero, não sou tão fã da Halle Berry como atriz, considero que a Nicole Kidman tenha se saído bem no papel dela. Mas pra mim o grande destaque fica para a Renée Zellweger, tudo bem posso estar puxando bastante a sardinha para um filme de que gosto muito, porém vejo Bridget Jones como um personagem muito bem construído e interpretado para o objetivo proposto no filme.

Por fim, outra surpresa da noite foi a não premiação de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, já que o filme tinha uma grande torcida e preferência entre os americanos. Apesar de também gostar do filme, não o consideraria superior aos outros indicados ainda mais quando se tinha como concorrência o filme “Terra de Ninguém”, que foi o vencedor da categoria e que tem um enredo que realmente desperta interesse.

por Levi Ventura
        
Em seu discurso, Halle Berry afirma que, ao vencer a primeira atriz negra, uma porta foi aberta.
Curiosamente, até hoje, apenas ela passou pela tal porta.

2002 é um ano que é sempre lembrado pelos cinéfilos - principalmente os da nova geração -, como aquele em que um de seus filmes preferidos foi lançado: "Moulin Rouge - Amor em Vermelho” (Moulin Rouge!). Apesar de gostar muito do longa estrelado por Nicole Kidman e Ewan McGregor, devo confessar que nunca consegui entender tamanho culto que alguns amigos prestam a ele.  Na minha opinião, o ano foi mesmo de "Uma Mente Brilhante" (A Beautiful Mind).  O filme de Ron Howard, que conta a vida do matemático esquizofrênico John Nash, é redondo, daqueles feitos para levar o Oscar.  Mais que merecido, enfim. Mesmo concorrendo com uma super-produção, como o primeiro episódio da franquia de Peter Jackson, "O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel".  

         A respeito de outras categorias, não vejo muita diferença entre minhas opiniões e as escolhas da Academia.  Acho que o único deslize foi a não premiação de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” (Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain), seguramente o melhor filme estrangeiro da edição. 

         2002 foi um bom ano, mas, definitivamente, não me trouxe muitas novidades.  Sou o mais velho do grupo e muitos filmes ali permanecem frescos na memória - a maioria, inclusive, assisti no cinema -, além de já tê-los assistido várias vezes. A ótima recordação que guardo é da premiação - longa demais, mas das mais bacanas que já vi. Enfim, que venha o próximo mês, então, com suas novidades.

por Marcelo Antunes

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Oscar 2002: Moulin Rouge - Amor em Vermelho


Moulin Rouge – Amor em Vermelho (Moulin Rouge!, 2001)
Direção: Baz Luhrmann
Roteiro: Baz Luhrmann e Craig Pierce
Elenco: Nicole Kidman, Ewan McGregor, John Leguizamo, Jim Broadbent, Richard Roxburgh, Kylie Minogue

“Moulin Rouge – Amor em Vermelho”, filme dirigido e co-escrito pelo diretor australiano Baz Luhrmann, pode ser considerado como um tributo à beleza, à liberdade e ao amor. Porém, muito mais do que isso, é uma verdadeira homenagem a um dos momentos mais cruciais de uma das épocas mais efervescentes da cultura européia: a Belle Époque, momento em que transformações culturais profundas pautaram novas maneiras de viver e de pensar o dia a dia.

O Moulin Rouge, que é um dos pontos turísticos mais famosos da capital francesa, localizado em um dos bairros mais boêmios da cidade (Montmartre), era um símbolo fortíssimo dessa época de transformação. Um cabaré onde o cancan dominava, cujas cenas inspiravam a obra do pintor Toulouse-Latrec, e que era o símbolo perfeito para o clima libertário que era uma constante daquela época.

Talvez, por isso mesmo, chega a ser surpreendente que “Moulin Rouge – Amor em Vermelho” seja palco principal de uma história de amor que, de tão tradicional, chega a ser careta (apesar do visual moderno – alguns diriam até exagerado –, da edição em estilo de videoclipe e da mistura entre a linguagem considerada clássica com elementos advindos da cultura pop – todas características recorrentes do cinema de Baz Luhrmann). Satine (Nicole Kidman) é a cortesã mais linda do cabaré. Christian (Ewan McGregor) é o jovem poeta que se apaixona por ela e cria um espetáculo a ser encenado pela sua musa. O Duque (Richard Roxburgh) é o patrocinador da peça, também apaixonado por Satine e pessoa que se coloca entre a cortesã e o poeta.

Ao longo de 126 minutos, somos colocados diante de um ambiente deveras mágico, fascinante, elétrico, boêmio, amoral e que exala sensualidade. A obra de Baz Luhrmann quer causar sensações e, sem dúvida alguma, possui um impacto visual muito forte (a cena que introduz Satine no filme é, provavelmente, uma das entradas de personagem mais sensacionais que o cinema já viu), ao mesmo tempo em que tem personagens carismáticos que fazem com que a gente se envolva com a história que nos é retratada, mesmo ela sendo extremamente clichê. Além disso, “Moulin Rouge – Amor em Vermelho” possui a importância fundamental de ter sido uma das obras a colocar novamente em evidência o gênero musical, que já era visto como uma coisa ultrapassada. Uma obra indicada a oito Oscars, das quais conquistou 2 estatuetas.



CURIOSIDADES:
- Diferentemente de como usualmente age, Courtney Love liberou a Baz Luhrmann que usasse a canção “Smell Like a Teen Spirit” no filme.

- Nicole Kidman veste o colar de diamantes mais caro já confeccionado para uma produção cinematográfica. O objeto custa cerca de U$1 milhão.

- Quando a canção “Like a Virgin” é apresenta, Jim Broadbent dubla a si mesmo, já que a voz que canta é, na verdade, de um cantor de ópera. E o ator ainda passava por duas horas e meia na sala de maquiagem e figurino para enfim ficar pronto para gravar.

- Nos esboços do roteiro, Satine tinha um filho de 3 anos e o romance entre ela e Christian era contado pelo rapaz à criança em forma de flashback.


PERFIL: NICOLE KIDMAN
2001 foi um ano amargo para a atriz australiana Nicole Kidman. Ao mesmo tempo em que marcou o término de seu casamento de 10 anos com o astro norte-americano Tom Cruise, foi o período em que ela obteve a consagração – de crítica e público – em sua carreira como atriz. Com duas grandes atuações em filmes como “Moulin Rouge – Amor em Vermelho”, de Baz Luhrmann, e “Os Outros”, de Alejandro Amenábar, Nicole entrou, definitivamente, para o primeiro time de atrizes hollywoodianas – sendo, inclusive, indicada ao Oscar de Melhor Atriz pelo musical dirigido por seu compatriota.

Trabalhar em “Moulin Rouge – Amor em Vermelho” foi uma experiência libertadora – e massacrante – para Kidman. No decorrer das filmagens, ela fraturou duas costelas, além de ter machucado seu joelho – problemas que a impediram de assumir, logo após o término de seu trabalho aqui, o papel principal em “O Quarto do Pânico”, filme de David Fincher. Mas, sem dúvida, trata-se de uma das atuações mais entregues – e completas – de sua carreira, afinal, neste longa, ela canta, dança e atua com competência ímpar e uma presença magnética em tela.

Um reconhecimento mais do que merecido para uma atriz talentosa, que passou boa parte de sua carreira na sombra de um grande astro.

INDICAÇÕES (2 vitórias):
1. Melhor Filme: Fred Baron, Martin Brown e Baz Luhrmann
2. Melhor Atriz: Nicole Kidman
3. Melhor Fotografia: Donald McAlpine
4. Melhor Direção de Arte: Catherine Martin e Brigitte Broch (venceu)
5. Melhor Maquiagem: Maurizio Silvi e Aldo Signoretti
6. Melhor Figurino: Catherine Martin e Angus Strathie (venceu)
7. Melhor Edição: Jil Bilcock
8. Melhor Som: Andy Nelson, Anna Behlmer, Roger Savage e Guntis Sics

por Kamila Azavedo


quarta-feira, 25 de abril de 2012

Oscar 2002 - Sexy Beast



Sexy Beast (Sexy Beast, 2000)
Direção: Jonhathan Glazer
Roteiro: Louis Mellis e David Scinto
Elenco: Ray Winstone, Ben Kingsley, Amanda Redman e Ian McShane

“Sexy Beast” (2001) é um daqueles programas para quem curte filmes de gângster temperado com pitadinhas de humor. Conta a história de Gal, papel de Ray Winstone, bandidão inglês que, aposentado, curte a vida com os amigos, num dolce far niente na Espanha. Isso até aparecer Don (Ben Kingsley), disposto a colocá-lo, novamente, na vida do crime. Gal reluta, mas não consegue se livrar de Don. Acaba cedendo e indo a Londres, participar de um ambicioso assalto. A cena do assalto, aliás, é uma das mais originais.  Quem ainda não viu o filme, vale a pena conferir.  

Kingsley está ótimo no papel que, embora secundário, rouba a cena.  Foi indicado ao Oscar daquele ano, perdendo para Broadbent.  Sua atuação, no entanto, foi perfeita.  Não é qualquer um que consegue encarnar um vilão do porte de Don Logan sem parecer caricato

INDICAÇÃO:
- Melhor Ator Coadjuvante: Ben Kingsley

por Marcelo Antunes

terça-feira, 24 de abril de 2012

Oscar 2002 - Entre Quatro Paredes



Entre Quatro Paredes (In the Bedroom, 2001)
Direção: Todd Field
Roteiro: Todd Field e Robert Festinger
Elenco: Sissy Spacek, Tom Wilkinson, Marisa Tomei, Nick Sthal, William Mapother

Drama familiar forte e denso. A direção arrastada de Todd Field deixa o ambiente bem real e valoriza o amadurecimento dos personagens da trama. O elenco de qualidade também aumenta a veracidade e se torna um dos trunfos do filme.

Frank Fowler (Nick Stahl) é um jovem que aguarda o término do verão para engressar na faculdade e nos tempos livres ele dedica-se a pescaria de lagosta e ao relacionamento com Natalie Strout (Marisa Tomei), uma belíssima mulher que é dez anos mais velha do que ele. Mas, Natalie é separada do marido, Richard Strout (William Mapother); porém o divórcio ainda não foi consumado o que acaba gerando alguns conflitos entre eles. Os pais de Frank, Matt Fowler (Tom Wilkinson), um médico, e Ruth Fowler (Sissy Spacek), uma professora de música que comanda um coral, ficam apreensivos com o relacionamento que pode prejudicar o futuro de seu filho. As coisas começam a se complicar, pois, Richard não aceita o relacionamento de Natalie com Frank, o que trará conseqüências trágicas para os Fowler.

O filme traz grandes atuações, destaque para o  trio Tom Wilkinson, Sissy Spacek e Marisa Tomei que concorrem ao Oscar. O enredo do filme, vindo de um conto de Andre Dubus chamado Killings, resultou numa trama lenta que enfoca toda a dor das personagens ante os acontecimentos que o cercam a partir de um acontecimento repentino e desastroso; indo mais além, a trama nos faz questionar o nosso senso de justiça, bem como põe em questionamento o sentimento que compreendemos como “paz interior” – o que é necessário para fazer para conseguir justiça e se sentir em paz?

CURIOSIDADES

- Havia uma cena na qual Ruth e Matt assistiam ao filme “Barry Lyndon” (1975). Essa cena, que acabou cortada na edição final, era uma homenagem do diretor a Stanley Kubrik, com quem ele havia trabalhado anteriormente em “De Olhos Bem Fechados” (1999).

- A cena em que Sissy Spacek dá um tapa em Marisa Tomei foi gravada 15 vezes, sendo a primeira delas a que foi usada na versão final.

- A decoração da casa de Ruth e Matt Fowler foi feita por Sissy Spacek.


PERFIL: TOM WILKINSON
Tom Wilkinson é um ator britânico que foi duas vezes nomeado para um Oscar, a primeira por seu papel em In the Bedroom (2001) e a segunda pela sua atuação em Michael Clayton (2007), não tendo ainda saído vitorioso. Em 2009, ele ganhou um Globo de Ouro e prêmios Primetime Emmy de Melhor Ator Coadjuvante em Minissérie ou Filme para John Adams (2008) e tem também um prêmio BAFTA pela sua participação como ator coadjuvante no filme The Full Monty (1998).

Wilkinson nasceu em Leeds, Inglaterra, filho de Thomas Wilkinson, um fazendeiro. Com a idade de quatro anos, ele se mudou com sua família para o Canadá, onde viveram por vários anos antes de retornar para a Inglaterra. Wilkinson se formou na Universidade de Kent, onde foi membro da T24 Drama Society (então chamado UKCD) e freqüentou a Academia Real de Arte Dramática. Wilkinson atualmente vive no norte de Londres com sua esposa, a atriz Diana Hardcastle, e suas duas filhas, Alice e Mollie.

INDICAÇÕES:
1. Melhor Filme: Todd Field, Ross Katz e Graham Leader
2. Melhor Ator: Tom Wilkinson
3. Melhor Atriz: Sissy Spacek
4. Melhor Atriz Coadjuvante: Marisa Tomei
5. Melhor Roteiro Adaptado: Todd Field e Robert Festinger

por Rafael Castro

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Oscar 2002 - O Diário de Bridget Jones


O Diário de Bridget Jones (Bridget Jones’ Diary, 2001)
Direção: Sharon Maguire
Roteiro: Helen Fielding, Andrew Davies e Richard Curtis
Elenco: Renée Zellweger, Hugh Grant, Colin Firth, Jim Broadbent, Gemma Jones, Shirley Hendersoh, James Callis, Celia Irie, Charmian May

“O Diário de Bridget Jones” é uma comédia romântica britânica que fez sucesso de público e crítica em 2001, quando foi lançado. Dirigido por Sharon Maguire e roteirizado por Helen Fielding, o filme conseguiu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz para Renée Zellweger.

Adaptado de um livro de mesmo nome, escrito pela própria roteirista, o filme conta a história de Bridget Jones, uma mulher que nos seus trinta anos ainda escreve um diário. Ela expõe no papel todo o seu dia-a-dia, todas as dificuldades enfrentadas pela maioria das mulheres nessa faixa etária: desde a busca pelo homem ideal até os problemas profissionais e com a aparência.

Helen Fielding já disse que seu livro foi inspirado em “Orgulho e Preconceito”, obra escrita por Jane Austen, publicada em 1813. No filme, o personagem Mark Darcy, vivido por Colin Firth (que já interpretou o personagem Mr. Darcy na TV), serve de referência e homenagem a esse grande clássico romântico.

Além desses dois atores já citados, o elenco também conta com Jim Broadbent, Colin Firth, Shirley Handerson e Hugh Grant. Outro ponto forte da produção é sua trilha sonora, que conta com grandes nomes da música e foi indica ao Grammy 2002.

INDICAÇÃO:
- Melhor Atriz: Renée Zellweger

por Thiago Paulo

domingo, 22 de abril de 2012

Oscar 2002 - Roteiro, Direção e Filme

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL E ADAPTADO
"Assassinato em Gosford Park", um dos indicados em Melhor Roteiro Original.
Melhor Roteiro Original: 1. Assassinato em Gosford Park; 2. A Última Ceia; 3. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain; 4. Amnésia; 5. Os Excêntricos Tenenbauns.
Melhor Roteiro Adaptado: 1. Uma Mente Brilhante; 2. Shrek; 3. Entre Quatro Paredes; 4. Ghost World - Aprendendo a Viver; 5. O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel.

Das categorias do Oscar, as de roteiro sempre são as mais difíceis de serem previstas porque são nelas que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas aproveita para reconhecer aqueles filmes “pequenos”, que obtiveram críticas sensacionais, mas que não possuem força suficiente para conseguir uma indicação nas categorias principais do Oscar. Neste sentido, é muito importante ver na lista dos indicados, para Melhor Roteiro Original e Adaptado, em 2002, filmes como “Amnésia” (roteiro de Christopher Nolan e Jonathan Nolan), “Os Excêntricos Tenenbaums” (roteiro de Wes Anderson e Owen Wilson) e “Ghost World – Aprendendo a Viver” (roteiro de Daniel Clowes e Terry Zwigoff).

Outro dado em comum entre esses três filmes que citamos anteriormente é o fato de que todos eles são obras do cinema independente. Este foi um dos grandes destaques do ano de 2002, especialmente nas categorias de roteiro, tendo em vista as indicações também obtidas por longas como “A Última Ceia” (roteiro de Milo Addica e Will Rokos) e “Entre Quatro Paredes” (roteiro de Todd Field e Robert Festinger), que também representam os filmes produzidos de forma independente nos Estados Unidos.

Carrie Anne-Moss e Guy Pearce em cena de "Amnésia", de Christopher Nolan.
Guillaume Laurant e Jean-Pierre Jeunet conquistaram uma merecida indicação pelo roteiro de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” e o roteiro de “Shrek”, escrito por Ted Elliott, Terry Rossio, Joe Stillman e Roger S.H. Schulman, também obteve uma merecida menção, plenamente justificada pela forma como esta animação reinventou – e modernizou – o relato de contos de fadas, sendo uma obra bastante original nesse ponto.

As outras três indicações nestas categorias foram dirigidas a filmes que estavam indicados na categoria principal do Oscar: “O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel” (roteiro por Fran Walsh, Philippa Boyens e Peter Jackson) e os dois vencedores “Assassinato em Gosford Park” (roteiro de Julian Fellowes) e “Uma Mente Brilhante” (roteiro de Akiva Goldsman), em Roteiro Original e Roteiro Adaptado, respectivamente. Tendo em vista a variedade dos indicados, as duas escolhas de vencedores da Academia se revelam, até, tradicionais demais...
MELHOR DIRETOR
Russel Crowe e Jennifer Connelly em "Uma Mente Brilhante".

Melhor Diretor: 1. Robert Altman, por Assassinato em Gosford Park; 2. Ron Howard, por Uma Mente Brilhante; 3. David Lynch, por Cidade dos Sonhos; 4. Peter Jackson, por O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel; 5. Ridley Scott, por Falcão Negro em Perigo.

Já na categoria de Melhor Direção, os únicos que apareceram pela primeira vez, na lista, foram Peter Jackson (por “O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel”) e o vencedor Ron Howard (por “Uma Mente Brilhante”). Os outros três indicados – Ridley Scott (por “Falcão Negro em Perigo”), Robert Altman (por “Assassinato em Gosford Park”) e David Lynch (por “Cidade dos Sonhos”) – já haviam recebido indicações nesta categoria em anos prévios.

Dessa lista, talvez, a indicação mais contestada tenha sido a de Ridley Scott, por um filme que é deveras competente, mas que ficou de fora das categorias principais do Oscar. Neste sentido, basta lembrar da piadinha que Whoopi Goldberg (apresentadora do prêmio naquele ano) fez em relação ao fato de Baz Luhrmann, diretor de “Moulin Rouge – Amor em Vermelho!”, ter ficado de fora dessa lista. Se não me engano, as palavras exatas dela foram que “o filme se dirigiu sozinho” – no que ela e Luhrmann, em consequência, foram efusivamente aplaudidos pela plateia presente ao Kodak Theatre.

Num ano em que a celebração teve como tônica o fato de que era importante o cinema norte-americano contar histórias, especialmente após os Estados Unidos terem sofrido o grande trauma que foi o 11 de Setembro – vide o discurso proferido por Tom Cruise na abertura da cerimônia –, não chega a ser surpreendente o fato de Ron Howard ter saído triunfante do Oscar 2002, já que o seu filme, “Uma Mente Brilhante”, é tudo aquilo que o cinema norte-americano representa. São os elementos e a linguagem da indústria hollywoodiana em potência máxima, a cada frame.

MELHOR FILME



Melhor Filme: 1. Assassinato em Gosford Park; 2. O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel; 3. Uma Mente Brilhante; 4. Moulin Rouge - Amor em Vermelho!; 5. Entre Quatro Paredes.

Por sua vez, indicados ao Oscar de Melhor Filme representam uma variedade de estilos e gêneros que deveria ser a busca da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anualmente. Além dos anfitriões norte-americanos, os filmes representam a Inglaterra, a Austrália e a Nova Zelândia. Todos, importante notar, são países anglo-saxões, uma situação bem diferente do que observamos em anos recentes, com a AMPAS indicando filmes de outras cinematografias, o que transforma o Oscar numa grande celebração do cinema a nível mundial.

“Assassinato em Gosford Park”, do diretor Robert Altman, é uma peça que lembra às vezes uma trama saída dos livros de Agatha Christie, na medida em que o roteiro enfoca um assassinato ocorrido durante um jantar. Temos muitos personagens em tela, vários suspeitos e aquele destilamento de humor irônico e sarcástico que é típico dos britânicos. Um filme de época com toda aquela excelência técnica que é marca dos ingleses.

“Entre Quatro Paredes” marca a estréia do ator Todd Field (de seriados como “Once and Again”) como diretor de um longa-metragem. Na minha opinião, esse foi o filme mais subestimado de 2001. Tudo bem que o roteiro conta uma história que, do ponto de vista emocional, oferece um excelente subsídio para as performances de Sissy Spacek, Marisa Tomei e Tom Wilkinson, mas da forma como foi apresentada pelo diretor, o roteiro se revela um tanto irregular, um tanto melodramático em certos momentos.

Sissy Spacek e Tom Wilkinsom em "Entre Quatro Paredes".
“O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel” é o primeiro capítulo daquela que se transformou em uma das melhores trilogias da história do cinema. Aqui, Peter Jackson fundamenta toda a história da saga do anel em um filme tecnicamente brilhante, com personagens carismáticos e que poderia, sim, ter saído do Oscar com o prêmio mais importante da noite.

“Moulin Rouge – Amor em Vermelho!” veio numa época em que os musicais voltaram a ficar em evidência. O longa dirigido por Baz Luhrmann tem todos os elementos que são típicos da filmografia do australiano, como edição com influências do estilo de videoclipe, direção de arte e figurinos exagerados, presença de uma linguagem altamente pop. Ou seja, Luhrmann moderniza algo que poderia soar extremamente datado e apresenta de uma forma que é palatável para audiências de todas as idades – afinal, a história de amor entre Satine e Christian tem carisma por si só.

O grande vencedor da noite, “Uma Mente Brilhante”, de Ron Howard, é o representante de um cinema mais clássico, mais norte-americano, com elementos que possuem mais a cara da Academia. Se relevarmos as críticas feitas ao retrato da vida do matemático esquizofrênico John Nash (quem leu o livro escrito por Sylvia Nasar sabe que a adaptação de Akiva Goldsman omitiu importantes – e polêmicos – detalhes de sua vida), o que fica é um filme sólido do ponto de vista técnico e com ótimas atuações.
por Kamila Azavedo

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Oscar 2002 - Cidade dos Sonhos



Cidade dos Sonhos (Mulholland Drive, 2001)
Direção: David Lynch
Roteiro: David Lynch
Elenco: Naomi Watts, Laura Harring, Ann Miller, Dan Hedaya, Justin Theroux

Um dos grandiosos trabalhos de David Lynch, “Cidade dos Sonhos” (2001), tem o poder de deixar qualquer espectador intrigado com a narrativa e fatos que acontecem na película.

Um acidente na estrada Mulholland (que dá nome ao filme) é o estopim para desencadear vários acontecimentos na trama que envolve vários personagens. Rita(a belíssima Laura Harring), após sofrer o acidente, perde a memória e acaba conhecendo Betty (brilhantemente interpretada por Naomi Watts), uma aspirante a atriz que acabara de chegar em Los Angeles. Em outra parte da cidade o cineasta Adam Kesher (Justin Theroux) vive sérios problemas com os irmãos Castigliane e com a descoberta de que esta sendo traído pela esposa.

Todos esses acontecimentos poderiam ser normais se o filme não fosse creditado por Lynch. A peculiaridade e genialidade do diretor em fazer cinema esta muito bem representada em “Cidade dos Sonhos”, sua especialidade em retratar o universo onírico pode não ter sido bem aceita na academia e, embora o filme não tenha tido uma satisfatória bilheteria, sua fama na criação de seus filmes percorre os quatro cantos do mundo e com certeza coloca seu nome entre os grandes diretores de cinema.

Gostaria de ter visto Naomi Watts entre o grupo de indicadas para Melhor Atriz. Particularmente, se trata de um dos filmes mais intrigantes e bem feitos que já vi e, se você que esta lendo não viu, fique de olhos bem abertos.

INDICAÇÃO:
- Melhor Diretor: David Lynch

por Rafael Castro

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Oscar 2002 - Uma Lição de Amor


Uma Lição de Amor (I am Sam, 2001)
Direção: Jessie Nelson
Roteiro: Jessie Nelson e Kristine Johnson
Elenco: Sean Penn, Michelle Pfeifer, Dakota Fanning, Diane Wiest

Homem com idade mental de uma criança luta pela custódia da filha, contando com ajuda de advogada que possui sérios problemas de relacionamento com o filho.  Eis o mote de "Uma Lição de Amor" (2001), dramalhão de Jessie Nelson que, certamente, contava levar algumas estatuetas na cerimônia daquele ano.  Fórmula perfeita? Pode até ser, mas não deu muito certo.

Sam Dawson, em atuação soberba de Sean Penn, é um deficiente mental que cria, graças à ajuda de amigos, a filha Lucy, de sete anos.  Lucy (Dakota Fanning), no entanto, passa a ultrapassar o pai, mentalmente, e o serviço social resolve interná-la num orfanato.  Começa então, a luta jurídica de Sam para reaver a guarda da filha.  É nesse momento que entra em cena, Rita Harrison (Michelle Pfeifer), que aceita o caso, graças à uma aposta feita com amigos.

Destaque para as cenas em que Sam se relaciona com os amigos, também deficientes, e para a trilha sonora, composta de canções dos Beatles.

INDICAÇÃO:
- Melhor Ator: Sean Penn

por Marcelo Antunes


domingo, 15 de abril de 2012

Oscar 2002 - A Última Ceia


A Última Ceia (Monster’s Ball, 2001)
Diretor: Marc Forster
Roteiro: Milo Addica e Will Rokos
Elenco: Billy Bob Thornton, Halle Berry, Heath Ledger, Taylor Simpson, Peter Boyle, Amber Rules, Mos Def.

“A mudança de uma vida toda pode acontecer num único momento”. E talvez essa tagline seja apropriadíssima à história de Leticia Musgrove, uma garçonete afro-americana cujo filho é obeso e cujo marido é presidiário – é como se toda sua vida estivesse presa ao preconceito que circunvizinha às suas condições sociais, já que, dada a pobreza e as relações familiares, Leticia parece sem opções senão aquelas às quais sua vida está submetida. E tudo muda quando dois acontecimentos bruscos – a eletrocução do marido e a morte do filho num acidente de carro – implicam no encontro com Hank Grotowski, um homem que lhe presta auxílio no pior momento de sua vida.

Percebemos que é aí que a festa dos monstros* – título original do filme – verdadeiramente começa: a relação de Leticia e Hank envolve duas personalidades confusas de características que, grosso modo e inconscientemente, os torna pernonae non gratae um para o outro, ainda que, paradoxalmente, no plano da consciência, um depende do outro para passar por um processo de modificação, principalmente pelo fato de que os dramas dela não maiores que os dele. Dificilmente, aliás, se poderia mesurar as dificuldades que cada um enfrenta na vida.

O filme tem forte apelo social, sendo a sua abordagem sociológica bastante interessante, principalmente pelo modo como mostra a transformação lenta do preconceito em afeição devido à proximidade com o objeto de repúdio inicial. O pejo que a família Grotowski nutre por negros se estende a várias gerações e a incursão de Leticia naquele novo meio implica problemas que se reviram naquela esfera familiar já bastante dilacerada. Talvez tenha sido o seu fator social que concedeu à história – detentora de uma das mais realistas cenas de sexo do cinema – um lugar na lista dos indicados a Melhor Filme e, provavelmente, é também seu apelo social, em parceria com a eficiência interpretativa de Halle Berry, que a tornou a primeira e única atriz negra a, até o momento, ter ganhado um Oscar de Melhor Atriz. Trata-se, pois, de uma obra bastante ousada na sua proposta temática, ainda que, superficialmente, pareça uma obra reacionária.

INDICAÇÕES (1 vitória):
1. Melhor Atriz: Halle Berry (venceu)
2. Melhor Roteiro Original: Milo Addica e Will Rokos

por Luís Adriano de Lima


* O título original faz referência à noite anterior a uma execução, na qual os guardas que ministrarão a execução bebem  e se divertem como forma de distração a fim de estar relaxados para o dia seguinte, quando terão que efetuar a pena de morte.

sábado, 14 de abril de 2012

Oscar 2002 - Melhor Ator Coadjuvante / Melhor Atriz Coadjuvante


MELHOR ATOR COADJUVANTE

Jim Broadbent: eis o nome do ganhador do Oscar na categoria Melhor Ator Coadjuvante, numa edição que trazia nomes como Ben Kingsley e Ian McKellen.  Aos 53 anos à época, o premiado ator britânico levou a melhor pelo seu trabalho em “Íris” (2001), cinebiografia da romancista e filósofa Íris Murdoch - e que rendeu nomeações a Judi Dench e Kate Winslet. Curiosamente, Broadbent trabalhou em “O Diário de Bridget Jones” e “Moulin Rouge – Amor em Vermelho”, filmes que também concorriam aos Academy Awards.

Os outros indicados foram, além dos já citados Kingsley e McKellen, Jon Voight e Ethan Hawke. No total, Voight recebeu quatro indicações ao longo da carreira, sendo uma de coadjuvante por “Ali” e três de Melhor Ator por “Perdidos na Noite” (1969), “Amargo Regresso” (1978) e “Expresso para o Inferno” (1985). Papou a estatueta na segunda indicação. Hawke, curiosamente, além da indicação por Dia de Treinamento, recebeu outra, dois anos depois, como roteirista, por “Antes do Pôr do Sol” (2004).

Sir Ian McKellen, o homossexual mais influente do Reino Unido - de acordo com pesquisa recente - recebeu sua segunda indicação dando vida à Gandalf, em “O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel”. Já Kingsley era velho conhecido da Academia, que já o tinha agraciado com o prêmio de Melhor Ator, em 1982, quando deu vida à Mahatma Ghandi no filme “Gandhi” (1981). Definitivamente, um ano bem concorrido.

por Marcelo Antunes



MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Excelentes atrizes formaram o quinteto de indicadas para Melhor Atriz Coadjuvante.  Maggie Smith interpretando a condessa de Trentham em “Assassinato em Gosford Park”; Helen Mirren vivendo a Sra. Wilson, chefe da criadagem, também no filme de Altman; Marisa Tomei dando vida a Natalie Strout no drama independente “Entre Quatro Paredes”; Jennifer Connelly,  maravilhosa, como Alicia Nash em “Uma Mente Brilhante”; e, por fim, Kate Winslet, cheia de vivacidade na pele de Iris Murdoch jovem em “Íris”.

Tanto Maggie Smith, que já havia vencido um Oscar em 1969 por “A Primavera de uma Solteirona” (1968) quanto Helen Mirren, que venceria posteriormente (em 2006) na mesma categoria que Smith por “A Rainha”, corriam por fora nessa briga, pois, apesar das suas boas interpretações, seus papéis não tinham tanta força se comparadas com as outras concorrentes. Acredito que isso se deve a quantidade de personagens apresentados na narrativa de mistério do filme de Robert Altman, não havendo espaço para um maior destaque de qualquer uma das indicadas.

A sempre belíssima Kate Winslet (vencedora em 2008, pelo filme “O Leitor”) exala sensualidade em sua personagem. Mais uma vez, sem pudores em cena, retrata as ideologias e comportamentos de uma escritora à frente de seu tempo, que foi vencida pelo mal de Alzheimer. A cada filme que vejo da Kate, posso perceber seu enorme talento e versatilidade como atriz.

Marisa Tomei, experiente, já havia vencido um Oscar, em 1992 por “Meu Primo Vinny”. No longa-metragem de Todd Field, ela interpreta Natalie Strout, mãe de dois filhos, separada do marido com quem vivia brigando, e que encontrou refúgio nos braços de um jovem 10 anos mais novo, que, devido aos ciúmes exagerados do marido, se torna vítima de uma violência desmedida que leva três personagens (Natalie e os pais do rapaz) à desgraça.

A vencedora da noite foi Jennifer Connelly. A única das concorrentes que nunca tinha sido indicada ao Oscar. Ela foi formidável, interpretando Alicia Nash, estando sempre ao lado de seu marido nos piores momentos de suas vidas; segundo o próprio John Nash em seu discurso quando recebeu o premio Nobel, Alicia foi a principal responsável por ele estar ali naquele momento. Esse ano não tinha como a academia não dar esse prêmio a Jennifer, sua vitória foi inconteste.

por Rafael Castro

Jennifer Connelly e Jim Broadbent: a categoria dos coadjuvantes foi marcada por atores que deram vida a personalidades reais

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Oscar 2002 - Os Excêntricos Tenenbaums


Os Excêntricos Tenenbaums (The Royal Tenenbaums, 2001)
Direção: Wes Anderson
Roteiro: Wes Anderson e Owen Wilson
Elenco: Gene Hackman, Anjelica Houston, Gwyneth Paltrow, Owen Wilson, Luke Winson, Ben Stiller, Bill Murray, Danny Glover

Toda família tem as suas particularidades e a família Tenenbaum é, a seu modo, bastante peculiar. Talvez, bem mais peculiar que as outras famílias. Os filhos – três no total, sendo uma adotiva –, todos na adolescência, trilharam caminhos bem diferentes: Chas investiu na bolsa, Margot se tornou dramaturga e Richie jogou tênis. Anos depois, a morte da esposa, Chas se tornou neurótico; Margot, em sete anos, não conseguiu concluir sua única peça; Richie, num jogo de tênis, começou a chorar e perdeu o título. Ademais, já em idade adulta, os três voltam ao convívio familiar na casa dos pais, separados já, mas que devido à doença terminal do pai se reúnem novamente.

O roteiro tem uma estrutura bastante diferenciada – trata-se de uma narrativa inserida na narrativa, tanto é que vemos a história escrita num livro e, a partir disso, ser contada ao espectador por um narrador que conta a trajetória da família, desde a infância dos personagens principais até a idade adulta, na qual eles estão exponencialmente mais perturbados. A história se divide entre os três filhos e ainda acrescenta os problemas vividos pela mãe, Ethel, que está num novo relacionamento depois de anos separada do esposo, e também de Royal, o pai, que está morrendo e tentando se reconciliar com o filho.

Interessante notar que três atores do elenco já haviam conquistado prêmios da Academia (Hackman, em 1972 e em 1993; Houston, 1986; e Paltrow em 1999) e também, na cerimônia de 2002, Owen Wilson foi indicado como co-roteirista dessa história. Citando Wilson, cabe comentar que ele atua nessa obra com seu irmão, Luke, interpretando, curiosamente, o melhor amigo dele. Acredito que a fotografia do filme também seja algo a se destacar, ainda que não tenha recebido indicações nessa categoria.

INDICAÇÃO:
- Melhor Roteiro Original: Wes Anderson e Owen Wilson

por Luís Adriano de Lima
diHITT - Notícias