De terror ele não tem nada. “O Sexto Sentido” (1999) é um convite à autorreflexão. A
virada do século e a solidificação de determinados princípios da
pós-modernidade fizeram o ser humano voltar seus olhos a sua própria
existência. Nesse sentido, a sociedade ignora o peculiaríssimo fato irreal (no
sentido de "criado gratuitamente pelo homem e que causa problema")
dos traumas psicológicos. O sistema que tão bem nos acolhe nos tolhe a cada
dia, e nem sempre é possível segurar a barra. Cole (Haley Joel Osment), de nove
anos, diz ver gente morta, tendo, portanto, seis sentidos. Malcolm (Bruce
Willis) é o médico responsável pela criança. A questão crucial da trama é que o
doutor está já morto, devido a um tiro desferido por um paciente posteriormente
suicida que também via pessoas mortas.
À medida que os dois se aproximam, Cole vai conseguindo
lidar melhor com sua psiquê. Percebe que as pessoas que vê não querem
prejudicá-lo. Revela-se, aí, a triste história da garota lentamente intoxicada
pela mãe até a morte. Por fim, a troca: com o casamento a ponto de explodir,
Malcolm recebe de Cole o conselho de que conversasse com a esposa enquanto ela
dormia!
Tratar de um tema tão delicado não foi bem visto aos olhos
da Academia, que não concedeu nenhuma estatueta pelas seis indicações do filme,
incluindo Melhor Filme. Além disso, foram duas indicações de atuação: a Haley
Joel Osment e a Toni Collette (que representou Lynn, mãe de Cole), ambos como
coadjuvantes. Apesar da minha pessoal opinião de que o filme nada tem de
terror, “O Sexto Sentido” ganhou,
em 2000, um prêmio de Melhor Filme de Horror. Ora, quem concedeu o prêmio foi a
Academia de Filmes de Sci-Fi, Fantasia e Horror!
INDICAÇÕES:
1. Melhor
Filme: Frank Marshall, Kathleen Kennedy e Barry Mendel
2. Melhor Diretor: M. Night Shyamalan
3. Melhor Ator Coadjuvante: Haley Osment
4. Melhor Atriz Coadjuvante: Toni Collette
5. Melhor Edição: Andrew Mondshein
6. Melhor Roteiro Original: M. Night Shyamalan
HALEY JOEL OSMENT

por Darlan
Nascimento
Um comentário:
Gosto muito do modo como Shyamalan trabalha os lementos em seu filme, realmente dando a ele uma atmosfera sobrenatural, apesar de, em nenhum momento, termos a impressão de vermos algo onírico. Simplesmente, uma pequena pérola do cinema!
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