terça-feira, 1 de junho de 2010

Oscar 2006 - Abertura


As cerimônias do Oscar normalmente são memoráveis por alguns acontecimentos marcantes: às vezes por causa do humor dos apresentadores, ou então por causa do discurso emocionado de um vencedor – o mais comum é serem relembradas por alguma injustiça em relação a algum filme.

Primeiramente, devemos ressaltar o quão abrangente a 78ª edição foi: nomeou filmes de várias temáticas e de vários status, tanto superproduções como também filmes independentes. Pode-se dizer que a cerimônia de 2006 foi bastante marcante quanto à receptividade em relação aos enredos sociais – o racismo estava presente em Crash; a homossexualidade apareceu em Brokeback Mountain; a perseguição implacável aos que eram tidos como comunistas no filme Boa Noite, Boa Sorte. Quanto aos filmes independentes, devem-se citar Transamérica (em cujo plano de fundo é mostrado um distúrbio psicofísico – a transexualidade) e Retratos de Família, ambas as obras indicadas em categorias de atuação. A somar, há ainda mais uma das várias indicações a Woody Allen; Spielberg e o filme Munique foram nomeados; George Clooney foi duplamente indicado – como ator coadjuvante e como diretor; o brasileiro Fernando Meirelles e o seu filme O Jardineiro Fiel, que rendeu uma estatueta a Rachel Weisz.

O maior destaque do Oscar 2006 – retomando o primeiro parágrafo – foram as escolhas feitas pela Academia e a maior surpresa se deveu ao fato de que o favorito da noite – Brokeback Mountain, indicado a 8 prêmios – foi preterido em função de Crash, cuja temática social era forte e apropriada, mas não chegava a ousar e a impressionar como a obra de Ang Lee fizera. Vale ainda comentar sobre as obras Transamérica e Capote (cujos protagonistas são respectivamente um transexual e um homossexual), que também abordavam assuntos de caráter sexual. Percebemos que a Academia indicou vários filmes desse tema; premiou, no entanto, apenas um ator pela sua interpretação como gay. Curiosamente, concedeu a Ang Lee – justamente aquele que nos trouxe uma obra sobre cowboys gays – o prêmio de Melhor Diretor. Premiar Ang Lee e Philip Seymour Hoffman seria uma forma de reparação por não ter valorizado devidamente a suposta grandiosidade de Brokeback Mountain, que falava aberta e diretamente sobre a relação entre dois homens?


É curioso notar que a Academia promoveu justamente aquilo a que ela se opõe: o preconceito. Indicar um filme a 8 prêmios e recusar-se a premiá-lo com o prêmio máximo – especialmente quando os seus concorrentes não eram tão fortes a ponto de competir verdadeiramente – seria uma amostra de que os membros votantes, ou seja, a Academia em si, não estão maduros o suficiente para admitir que um filme seja bom independentemente do seu tema central? De que forma a escolha da Academia teria modificado o pensamento da massa – que vê Brokeback Mountain com olhos desconfiados – se ela tivesse lhe dado o Oscar de Melhor Filme?

É claro que o nosso principal questionamento é a respeito dessa atitude da Academia, mas também buscaremos apresentar os nossos pareceres acerca das outras sete categorias que avaliaremos e, ao final do mês, nos dias 29 e 30, vamos expor as nossas conclusões acerca da cerimônia de 2006.

Por:Luís Adriano

7 comentários:

Marcelo A. disse...

2006 é um ano fresco em minha memória e vai ser bom analisá-lo com mais calma. De uma coisa eu sei: Crash foi superestimado. Brokeback e Transamérica, em minha humilde opinião, são filmes muito superiores. Mas calma... o mês só está começando! E há muita água pra correr por debaixo da ponte!

Bela resenha, man!

Levi Ventura disse...

Acreditem, nunca assisti a nenhum dos indicados desse Oscar.
As questões levantadas pelo Luís foram muito boas como sempre.
Estarei acompanhando o blog.
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http://duventublog.blogspot.com/

Levi Ventura

Renan disse...

Não vi Brokeback Mountain, mas gostei bastante de Crash. Acho que quanto a sua pergunta, a academia preferiu tratar o preconceito de forma geral e, assim, escolheu Crash.

Há filmes que você citou que preciso ver como Capote e Transamérica.

Resenha muito boa.

Thiago Paulo disse...

Não vou falar nada, melhor deixar pra depois... Mas concordo com Renan, e acho que se Brokeback Mountain tivesse ganho, diriam que Crash não ganhou porque dá um baita tapa nossa cara.

bones disse...

Asssiti aos dois, prefiro abertamente Brokeback mountain, choro um rio cada vez que assisto, e nunca me recordo quantos oscars ganhou ou deixou de ganhar cada filme .
Gosto do Oscar pela festa da noite, para ver atores e vestidos e fofocas mas de uma decada para cá não levo muito a serio a opiniao da academia.
Se vc vai analizar ano a ano vai achar muito mais erros que acertos quanto aos ganhadores.
Sempre achei que filmes bons tem vida propria, em dvd ou tv eles duram enquanto dão audiência.
Vc tem visto muitos ganhadores do premio máximo na tv ultimamente?

Dave Coelho disse...

Melhor filme Crash, melhor diretor Ang Lee. Sempre vou achar contraditório que o melhor diretor não tenha dirigido o melhor filme.
Apesar disso, esse ano foi mesmo bem balanceado. Muitos bons filmes.
Portanto, boas discussões pro blog.
Até breve :)

Rafael Sanchez disse...

Racismo ainda tem uma pegada forte nos EUA. Não assisti Crash, mas se ele fala sobre racismo, então...er...tá bom já.
E George Clooney é tosco. Sou muito mais Hugh Jackman. Ele deveria ganhar oscars por existir, apenas.

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