quarta-feira, 30 de junho de 2010

Oscar 2006 - Opiniões: Brokeback Mountain ou Crash - No Limite? Parte 1


78ª Edição dos Academy Awards. O Oscar de Melhor Filme vai para Crash - No Limite desbancando o até então favorito O Segredo de Brokeback Mountain, levando ainda os prêmios de Melhor Roteiro Original e Melhor Montagem. Episódios como esse não são novidade ao longo da história da premiação, mas, naquele ano, supreendeu, principalmente se levarmos em conta a tônica de ambos os filmes.

Brokeback Mountain, nomeado em oito categorias, foi, antes de tudo, um filme ousado. Os modernosos de plantão, decerto, afirmarão que não há nada demais em algo que há muito deveria ser encarado com naturalidade: o amor entre duas pessoas do mesmo sexo. Concordo. No entanto, temos de convir que filmes como Brokeback raramente atingem o ponto que o longa de Ang Lee alcançou. Ok, Crash é um bom filme. Forte. Oportuno. Mas o que levou os votantes a preferí-lo?

Pouco tempo antes da premiação, me recordo que li, na net, um artigo que falava justamente sobre isso. Especialistas em cinema afirmavam que dificilmente a Academia escolheria para o prêmio máximo, um filme dito mais “liberal” e que Crash seria uma escolha confortável para os homofóbicos.

Na ocasião, Tony Curtis, conhecido astro dos anos 50 e 60, declarou que nem ele nem nenhum de seus amigos tinham o menor interesse em conferir Brokeback Mountain.Nenhum interesse? O que significaria essa afirmação de Curtis? Preconceito - ou quem sabe apenas falta de interesse mesmo? Até que ponto a Academia estaria colaborando com posturas como essa, não premiando O Segredo de Brokeback Mountain?

A questão dá pano pra manga - e pena que o espaço aqui seja limitado para uma discussão mais profunda. Eu, particularmente, prefiro a história dos cáubois que se apaixonam e vivem um romance cheio de idas e vindas, não apenas como trabalho artístico, mas, acima de tudo, como precursor que foi.

Bela chance que a Academia perdeu de fazer História.

* Só para constar: a outra grande injustiça da noite chama-se, para mim, Felicity Huffman. Jamais vou entender a preterirem em função da “correta” Reese Whiterspoon. Se duvida, confira Johnny e June e Transamérica e depois, a gente conversa...


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Essa 78ª edição é uma das minhas preferidas, a maioria dos filmes indicados nesse ano estão na minha lista de favoritos. Não é uma edição perfeita, mas escolher quem merece ser indicado e quem deve levar o prêmio nunca é uma tarefa tão fácil, a cada ano temos inúmeros filmes que merecem estar entre os escolhidos pela academia.

Para começo de conversa, não sei o porque de Fernando Meirelles não ter sido indicado nessa edição. Na minha opinião, ele fez um trabalho fantástico com “O Jardineiro Fiel”, que merecia pelo menos mais essa indicação. Aproveitando que estou comentando sobre direção, Ang Lee, sem dúvida nenhuma, mereceu muito esse Oscar... Foi como uma grande volta por cima do diretor, que antes de Brokeback Mountain dirigiu o péssimo Hulk.

A vitória de Reese Witherspoon é o que menos me agradou em 2006, fico pensando se realmente foi justo ela estar até mesmo entre os indicados. Não tenho nada contra a atriz, mas também não vejo nada de extraordinário em sua atuação em Johnny e June. Não é o caso das outras indicadas, já que gostei do desempenho de cada uma delas. Nunca tinha reparado no lado dramático de Charlize Theron, por isso, até me impressionei quando assistir Terra Fria. Nem preciso comentar sobre Judy Dench, ela sempre está maravilhosa... E Keira Knightley, vejam só, me fez mudar de opinião a seu respeito, já que não gostava tanto dela antes de Orgulho e Preconceito.

Apesar de todas estarem maravilhosas em cena, não tem como pensar diferente, esse Oscar era pra ser de Felicity Huffman. Até então desconhecida, a atriz merecia a vitória mais que qualquer outra das indicadas. Não vejo em sua atuação apenas uma transformação física, mas completa.

No caso de Melhor Ator, apesar de terem esquecido de Ralph Fiennes, foi uma boa disputa. Todos os indicados apresentaram uma ótima atuação, não consigo ignorar nenhuma delas. Concordo com a escolha da academia, Philip Seymour Hoffman incorporou Truman Capote, e superou até mesmo Joaquin Phoenix.

Tirando a presença de Paul Giamatti (que considero um ótimo ator, mas que em A Luta Pela Esperança não está tão bem assim), gosto das escolhas para Melhores Coadjuvantes.

Dentre os cinco indicados na categoria principal, Munique e Capote são os que menos me agrada. Boa Noite e Boa Sorte me surpreendeu bastante, mas minha decisão fica entre O Segredo de Brokeback Mountain e Crash - No Limite. Muito se diz que o filme de Ang Lee não levou o prêmio por puro preconceito. Sério, não consigo ver dessa maneira. Gosto muito de Brokeback Mountian, mas o roteiro de Paul Haggis - junto com a trilha sonora e edição - consegue me emocionar muito mais.

Prefiro pensar que os votantes também escolheram o filme por esse motivo.

4 comentários:

Roberto F. A. Simões disse...

BROKEBACK MOUNTAIN, sem dúvida!

Cumps.
Roberto Simões
» CINEROAD - A Estrada do Cinema «

LuEs disse...

Podemos não concordar em relação a Crash ou a Brokeback Mountain, mas parece fato que nós três concordamos com a vitória de Felicity Huffman. O que levou a Academia a preferir a apenas correta Reese Whiterspoon me deixa intrigado. Para mim, Huffman foi a grande descoberta do Oscar 2006.

Curioso notar que eu e o Thiago discordamos a respeito de Paul Giamati, porque eu realmente o achei muito bem em seu personagem. E eu realmente acho que Charlize Theron não está tão bem em North Country quanto esteve em Monster, por isso a considerei totalmente fora da disputa. Tal como Whisterppon, creio que ela estava correta também.

augusty guimarães disse...

concordo plenamente, brokeback aintigiu o nível de melhor filme da faze da terra

augusty guimarães disse...

concordo plenamente, brokeback atingiu o nivel de melhor filme da face da terra.

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